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Niterói tem nova redução na frota de ônibus, o que deve aumentar filas nos pontos

Por Sônia Apolinário
| aseguirniteroi@gmail.com

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Sindicato das empresas admite que Auto Ônibus Brasília irá paralisar três das suas linhas que operam na cidade
Fila para pegar o ônibus. Foto: leitor
A Auto Ônibus Brasília integra o consórcio Transnit. Foto: reprodução da Internet

A Auto Ônibus Brasília, que integra o consórcio Transnit, vai reduzir sua frota em circulação a partir desta segunda-feira (12). Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) informa que serão paralisadas três linhas da empresa que atendem sete bairros das zonas Norte e Sul, além do Centro.

Com sede em São Gonçalo, a Auto Ônibus Brasília opera as linhas 28 (Centro X Largo do Cravinho, circular), 29 (Centro X Largo do Cravinho, via Av. do Contorno), 41 BC (Venda da Cruz X Centro, via Benjamin Constant), 41 JB (Venda da Cruz X Centro, via João Brasil), 61 (Venda da Cruz X Icaraí) e 67 (Morro Castelo X Centro).

De acordo com o Setrerj, sindicato que representa os consórcios Transnit e Transoceânico, a Auto Ônibus Brasília teve 16 veículos apreendidos, na madrugada de domingo para segunda-feira, por decisão judicial “por não cumprir os prazos de pagamento do financiamento realizado para a compra de ônibus em 2018”.

“Com a retirada dos veículos da Auto Ônibus Brasília, aumenta também o risco de afastamento imediato de colaboradores com a redução forçada da operação, que provocará forte impacto social no setor rodoviário. É importante lembrar que a Brasília é a segunda empresa a apresentar graves restrições financeiras devido à crise que atinge o transporte público por ônibus, em Niterói. Recentemente, a Auto Viação Ingá teve dificuldades no pagamento de seus funcionários devido ao esgotamento financeiro, mas conseguiu regularizar a situação, afastando a possibilidade de paralisação dos rodoviários”, diz a nota do Setrerj.

O sindicato das empresas não informou quais linhas serão afetadas. Isso estaria sendo acertado junto com a Prefeitura de Niterói.

Na nota, o Setrerj observa a “necessidade de se avançar rapidamente na contratação e na conclusão do estudo de reequilíbrio econômico-financeiro do transporte municipal, anunciado pela própria Prefeitura no dia 29 de julho”. A análise servirá de base para novo reajuste das tarifas que, de acordo com o sindicato das empresas, vai compatibilizar as receitas e os custos do setor, “levando em consideração a desvalorização do valor da passagem pela inflação acumulada nos últimos três anos”.

“O sindicato ressalta mais uma vez sua confiança no governo municipal na busca de soluções urgentes para recuperar o transporte coletivo e garantir o pleno atendimento da população”, finaliza a nota do Setrerj.

Cronologia

Desde março passado, a população enfrenta a rotina da longa espera por ônibus nos pontos. Na época, começara o retorno das atividades presenciais, após uma melhora no quadro da pandemia do Coronavírus, mas as empresas mantinham suas frotas reduzidas.

Em  maio, com a promessa de reduzir o tempo de espera dos ônibus para os usuários, a Prefeitura de Niterói promoveu uma reorganização nas linhas municipais. A medida foi adotada justamente para fazer frente à redução da oferta de ônibus, em diversas linhas da cidade.

Leia mais: Usuários de ônibus de Niterói continuam reclamando da demora por veículos nos pontos

Em julho, o Sindicato das empresas de ônibus de Niterói afirmou que setor estava “sem condições de manter a operação das linhas” e houve mais redução nos horários dos veículos nas ruas. Cinco dias depois dessa manifestação do Setrerj, a Prefeitura de Niterói aumentou as passagens de ônibus, mesmo com a redução da frota.

Em agosto, a prefeitura promoveu nova alteração nas linhas. Daquela vez, para socorrer a Ingá, que também integra o consórcio Transnit.

Greve

Em resposta à nota do Setrerj, o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) afirmou que “vê com extrema preocupação a situação da viação Brasília”:

“Além do impacto de possíveis demissões, a crise nessa viação, que possui 181 funcionários, reflete o iminente colapso no sistema de transporte público de Niterói. O sindicato alerta que a violação das relações trabalhistas levará os trabalhadores a recorrerem ao seu direito constitucional, com a deflagração de uma greve”, alerta o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, em nota.

De acordo com o Sintronac , a Brasília “e outras empresas” não estão depositando o FGTS e pagando o INSS dos funcionários. O dirigente sindical também culpa a Prefeitura de Niterói pela atual crise no transporte público na cidade:

“A administração municipal não repassa há dez meses boa parte dos valores das gratuidades dos estudantes e congelou, por dois anos, o reajuste tarifário, descumprindo cláusulas do contrato de concessão. São 15% de defasagem do reajuste tarifário”, informa o Sintronac .

Da mesma forma que o sindicato patronal, o sindicato dos rodoviários também cobra da Prefeitura a apresentação do “estudo de reequilíbrio econômico do transporte público”, anunciado em julho passado, “que poderá salvar as empresas de ônibus da cidade de um colapso total, com o estabelecimento de uma tarifa técnica, parcialmente subsidiada pelo governo”.

“O poder público tem que entender que, na atual situação, a população será prejudicada, além dos trabalhadores. Esse modelo atual faliu. Precisamos urgentemente de um novo sistema e não há problema algum nos governos subsidiarem o transporte público, como já acontece em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras cidades”, observa o presidente do Sintronac.

Leia também: Aumento de passagens e multas não resolvem a falta de ônibus em Niterói

Prefeitura

Questionada sobre a redução da frota da Auto Ônibus Brasília Prefeitura de Niterói encaminhou ao A Seguir Niterói a seguinte resposta:

“A Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade está acompanhando a situação para verificar as possíveis medidas que podem ser adotadas”.

 

 

 

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