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Preço da passagem de ônibus em Niterói aumenta para R$ 4,45, mesmo com redução da frota

Por Redação
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Secretario de Urbanismo e Mobilidade fala em crise no sistema de transporte e estuda subsídios
Nit Covid ônibus Cheio 0
Aumento acontece no momento em que morador enfrenta fila nos pontos e ônibus lotados

A passagem de ônibus fica mais cara em Niterói a partir deste sábado (30), passa de R$ 4,05 para R$ 4,45, um aumento de 9,88%. O aumento foi autorizado pela Secretaria de Urbanismo e Mobilidade e vale para todas as linhas da cidade. O último reajuste aconteceu em 2019. O bilhete único  permite que os passageiros de linhas municipais paguem apenas uma passagem para usar dois ônibus municipais em sequência, no intervalo de uma hora entre o primeiro e o segundo embarque.

O aumento acontece em meio a uma crise das empresas de transporte rodoviário da cidade, que, nas últimas semanas, reduziram a frota em diversas linhas da cidade.  Antes, a Prefeitura já havia alterado algumas rotas e acabado com algumas linhas, especialmente na Região Oceânica. O Secretário Renato Barandier revelou que “se discute um modelo nacional de subsídios para o setor.”

Sindicato das empresas de ônibus de Niterói afirma que setor está ‘sem condições de manter a operação das linhas’ e reduz horários — A Seguir Niterói (aseguirniteroi.com.br)

Niterói já opera com novas linhas de ônibus — A Seguir Niterói (aseguirniteroi.com.br)

A falência do transporte

A situação dos transportes em Niterói se agrava com a crise dos ônibus. A cidade que funciona em função do movimento em direção ao Rio de Janeiro, já enfrenta o esvaziamento do serviço das barcas, que transportava 75 mil passageiros por dia, antes da pandemia, e agora atende cerca de 25 mil passageiros, com tarifa de R$ 7,70. No catamarã de Charitas, que seria uma opção para a integração com o movimento da Região Oceânica, a passagem custa R$ 21.

O aumento acontece num momento em que o morador de Niterói enfrenta a demora do transporte e ônibus lotados. É comum, em qualquer percurso da cidade, encontrar os pontos de ônibus cheios, em função do tempo de espera. No anúncio do reajuste da passagem, a Prefeitura anunciou que vai fiscalizar a frequência dos ônibus, “com a possibilidade de rastrear os coletivos  por aplicativo de celular.”  Passageiros, relatam, no entanto, que não é a primeira vez que se promte mais rigor no cumprimento dos contratos de concessão, mas, ainda assim, não se nota melhoria.

O Secretário municipal de Urbanismo e Mobilidade, Renato Barandier, destacou que o momento de crise está na pauta da Frente Nacional dos Prefeitos, que discute atualmente um modelo nacional de subsídios para o setor. E que Niterói pretende focar na concessão do subsídio da tarifa para as pessoas que mais precisam.

Tarifa social

De acordo com a Prefeitura,  o município já subsidia ainda as passagens para os alunos da rede pública de ensino e para os beneficiários do Vale Social. Também oferece vantagens no bilhete único e nas tarifas de integração com as barcas. Agora, anuncia que  vai criar também o Cartão Arariboia Transporte, para garantir o transporte gratuito a passageiros em situação de extrema pobreza inscritos no CadÚnico e que não recebam o benefício do vale transporte. O projeto está em fase final de elaboração e será enviado à Câmara de Vereadores.

As empresas

Apesar do aumento da tarifa, as empresas de ônibus ainda não estão satisfeitas. Em nota, o Setrerj, sindicato que representa os consórcios Transoceânico e Transnit, se posicionou afirmando que “reconhece a iniciativa da Prefeitura de atualizar parcialmente o valor da tarifa de transporte após três anos de congelamento”.  Acrescentou, porém, que “ considera fundamental que se avance rapidamente na contratação do estudo de reequilíbrio econômico-financeiro da concessão do transporte público coletivo, como anunciado pelo próprio governo municipal de Niterói”.

“É preciso esclarecer que a Prefeitura tem a obrigação contratual de estabelecer a tarifa técnica do sistema de transporte municipal, de forma que compatibilize as receitas e os custos do setor, levando em consideração a desvalorização do valor da passagem pela inflação acumulada nos últimos três anos. Somente o óleo diesel sofreu reajuste de 188% desde 2019”, diz a nota.

Na avaliação dos consórcios, ao anunciar o reajuste de 9,88%, “o governo municipal confirmou que o índice é inferior à inflação acumulada no período, de 23,82%, segundo o IPCA”.  Assim, os empresários do segmento consideram “imprescindível a conclusão o quanto antes do estudo de equilíbrio econômico-financeiro, o que permitirá a adoção de medidas pelo poder público para restabelecer as condições necessárias para a operação integral dos consórcios e o pleno atendimento à população de Niterói”.

“O Setrerj reafirma sua confiança na Prefeitura na busca de soluções para recuperar o transporte coletivo, como tem acontecido em outras cidades do país, que optaram por estabelecer uma tarifa pública para o passageiro e promover o complemento por meio da concessão de subsídios, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília. Em Niterói, o governo municipal já subsidia quem utiliza a integração dos ônibus municipais com o sistema de barcas, podendo agora estender esse benefício para todos os usuários do transporte por ônibus”, finaliza.

 

 

 

 

 

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