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Tapete rosa recepciona visitantes no Solar do Jambeiro, em Niterói

Por Sônia Apolinário
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Nessa época do ano, flores dos jambeiros cobrem o chão de grande parte do jardim onde fica o casarão, em São Domingos
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As flores indicam que, em breve, as árvores estarão carregadas de jambos. Fotos: Sônia Apolinário

Uma vez por ano, o Solar do Jambeiro, no Ingá, passa a ter uma atração extra para seus visitantes. Trata-se de um tapete rosa que cobre grande parte do jardim. É formado pelas flores das principais árvores do local: os jambeiros.

As flores indicam que, em breve, as árvores estarão carregadas de frutos. Por enquanto, quem chega no Solar, antes mesmo de pisar no “tapete”, já sente no ar um perfume ligeiramente adocicado, também proveniente das flores de jambo.

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Wellington e Silvana com um jambo prematuro “colhido” do chão.

A paisagem encanta, particularmente, Silvana Sena. Natural de Belém do Pará, ela conta que jambeiro é uma árvore comum na sua terra natal:

– Tem jambo demais por lá e ainda mais nas cidades do interior. É a coisa mais linda. Por aqui, as pessoas não fazem questão de comer o jambo. Acho que não conhecem bem a fruta.

Seu marido, mesmo, foi experimentar um jambo somente há pouco tempo, no máximo, há dois anos. De tanto que ouviu Silvana falar sobre a fruta.

– É um azedinho misturado com doce – explica Wellington Paiva.

O casal mora no Fonseca e costuma “arejar as ideias” passeando pelo jardim do Solar. Qual não foi a surpresa de Silvana quando, nesta quarta-feira (22), se deparou com o “tapete”.

Eles dizem que vão voltar “direto” para curtir a paisagem, até maio – época em que os jambos devem começar a cair das árvores.

Nesse período, é bom tomar cuidado porque, os frutos podem não ser muito grandes, mas as árvores são altas e levar um jambo na cabeça deve doer um pouco. No Solar, é só pegar a fruta do chão e comer. No jardim, tem até uma torneira disponível para o público lavá-la.

O jambo pertence à mesma família da goiaba, da pitanga, do jamelão e da jabuticaba. A fruta é uma ótima fonte de ferro e não tem praticamente suco. Para comer é só abrir e retirar o caroço. Silvana, por exemplo, come com casca e tudo.

Quem quiser aproveitar ao máximo o “tapete” fazendo um piquenique, atenção. Para grupos, o Solar pede que seja feito contato prévio com a administração pelo e-mail: adm.solardojambeiro@gmail.com . Isso porque, é comum ter atrações ao ar livre como parte da programação do local.

No momento, o casarão abriga uma exposição em homenagem ao pesquisador, escritor e político Darcy Ribeiro, que fica em cartaz até o dia 2 de abril.

Na sexta-feira (24) e no sábado, às 20h, o local servirá de palco para a encenação da peça “Mulheres e seus encontros”, sobre os bastidores de uma conversa entre três amigas. A entrada é franca.

Histórico

A flor do jambo e o casarão ao fundo.

O antigo Palacete Bartholdy, hoje conhecido como Solar do Jambeiro, foi construído em 1872 pelo comerciante português Bento Joaquim Alves Pereira, residente no Rio de Janeiro.

Obra típica de uma época de luxo e riqueza, o Solar é um exemplar notável da arquitetura residencial urbana burguesa de meados do século XIX. Em meio à chácara arborizada, ergue-se o amplo sobrado, revestido de autênticos azulejos de padrão, típicos das construções portuguesas.

Originalmente e por breve período, serviu como residência de seu construtor, sendo depois alugado ao médico Júlio Magalhães Calvet. De maio de 1887 a março de 1888, foi ocupado pelo pintor Antônio Parreiras que, em seguida, construiria sua residência própria, nas proximidades do solar. A residência foi transformada em museu, mas está fechada há anos, em obras.

Em 1892, Bento Joaquim vendeu a propriedade ao diplomata dinamarquês Georg Christian Bartholdy, que exerceu a função de consul do Brasil em Copenhagem entre os anos de 1912 e 1918.

Tendo em vista as frequentes ausências decorrentes da atividade profissional de seu novo proprietário, ao longo de quase trinta anos, o sobrado foi alugado a famílias da cidade e também utilizado em atividades diversas. Em 1903, sediou o Clube Internacional, agremiação de caráter recreativo cultural, que reunia a sociedade niteroiense e as colônias estrangeiras; entre 1911 e 1915, esteve alugado ao Colégio da Sagrada Família; em 1918, foi ocupado por Pedro de Sousa Ribeiro, da Guarda Nacional. Finalmente, a partir de 1920, a família Bartholdy passou a residir no palacete, quando foram introduzidas modificações no interior do imóvel.

Em 1974, a propriedade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Durante as décadas de 1980 e 1990, o solar esteve fechado. Em 1997, foi desapropriado pela Prefeitura de Niterói e restaurado, tendo sido reaberto ao público em 2001.

O jambeiro florido.

O Solar do Jambeiro fica na R. Pres. Domiciano, 195, no Ingá.

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