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Posse do Presidente Lula: ‘Democracia para sempre’

Por Sônia Apolinário e Gabriel Mansur
| aseguirniteroi@gmail.com

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Cerimônia foi realizada no Congresso Nacional. Depois, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a faixa presidencial de representantes da população
posse de lula
Lula faz seu primeiro discurso após tomar posse como o 39 º presidente da República do Brasil. Fotos: Agência Brasil

Em cerimônia realizada neste domingo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou posse como o 39 º presidente da República do Brasil. O evento, realizado no Congresso Nacional, reuniu as principais autoridades do país, além 74 representantes de delegações internacionais, dos quais 24 são chefes de estado. Também tomou posse o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

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Em seu discurso, afirmou que a democracia foi a grande vitoriosa nas eleições realizadas em 2022. Lula destacou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condução do pleito e disse que a frente democrática vitoriosa superou “a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu”, em referência à campanha do candidato Jair Bolsonaro:

– Nunca os recursos do Estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder, nunca a máquina pública foi tão desencaminhada dos controles republicanos, nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico e por mentira disseminadas em escala industrial. Apesar de tudo, a decisão das urnas prevaleceu graças a um sistema eleitoral. Foi fundamental a atitude corajosa do poder Judiciário, especialmente do TSE, para fazer prevalecer a verdade das urnas sobre as violências de seus detratores.

Lula afirmou que os direitos e interesses da população, o fortalecimento da democracia e a retomada da soberania nacional serão os pilares do seu governo.

– Este compromisso começa pela garantia de um Programa Bolsa Família renovado, mais forte e mais justo, para atender a quem mais necessita. Nossas primeiras ações visam a resgatar da fome 33 milhões de pessoas e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros, que suportaram a mais dura carga do projeto de destruição nacional que hoje se encerra – disse Lula, que assume o cargo de presidente da República pela terceira vez.

Emocionado, Lula afirmou que seu trabalho será de reconstrução:

– Sob os ventos da redemocratização, dizíamos: ditadura nunca mais! Hoje, depois do terrível desafio que superamos, devemos dizer: democracia para sempre. Para confirmar estas palavras, teremos de reconstruir em bases sólidas a democracia em nosso país. A democracia será defendida pelo povo na medida em que garantir a todos e a todas os direitos inscritos na Constituição,, declarou.

Presidente Lula, de gravata azul, desfila no Rolls-Royce acompanhado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alkmin, de gravata vermelha, e Lu Alkmin.

A posse presidencial seguiu o protocolo tradicional. Começou com o desfile do novo presidente em carro aberto, um Rolls-Royce,  pela Esplanada dos Ministérios. No veículo também estavam as primeira e segunda-damas do país, respectivamente, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e Lu Alckmin. A cerimônia da posse começou por volta das 14h30.

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A faixa

Do Congresso Nacional, o presidente eleito foi para o Palácio do Planalto, onde recebeu a faixa presidencial de pessoas que representam a diversidade do povo brasileiro. Entre eles estava o cacique Raoni Metuktire, de 90 anos, líder do povo Kayapó, e Aline Sousa, de 33 anos, catadora de materiais recicláveis do Distrito Federal. Foi ela quem colocou a faixa em Lula. Pelo cerimonial, quem passa a faixa é o ex-presidente. Porém, Jair Bolsonaro deixou o país em 30 de dezembro.

Com o grupo, também subiu a rampa do Palácio do Planalto a cadela vira-lata Resistência. Ela morava no acampamento de militantes do Partidos dos Trabalhadores, em frente à Polícia Federal, em Curitiba (PR), e foi adotada por Janja quando o presidente estava preso na cidade, em 2018.

Na rampa do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a faixa presidencial.

Em seguida, Lula voltou a discursar. Desta vez, no Parlatório da sede do Executivo federal. Ao se dirigir aos apoiadores que o aguardavam na Praça dos Três Poderes, o presidente iniciou o discurso agradecendo os eleitores que combateram a “violência política” durante na campanha eleitoral e disse que vai governar para todos os brasileiros.

– Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras e não apenas para quem votou em mim. Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum e não pelo retrovisor de um passado , afirmou ele que se emocionou em vários momentos do discurso.

Pelo protocolo, a cerimônia da posse vai até às 18h30, quando comecem os shows programados para a Esplanada, o Festival do Futuro. Cerca de 60 artistas vão se apresentar. Dentre eles estão Fernanda Abreu, Jards Macalé, Maria Rita, Martinho Da Vila, Paula Lima, Leoni, Renegado, Teresa Cristina, Zélia Duncan, Gaby Amarantos, Pabllo Vittar e Valesca Popozuda.

O ministério de Lula

No seu terceiro governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá 37 ministérios, 14 a mais em relação a gestão de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).

A lista final só foi definida após costuras políticas que desalojaram alguns petistas de pastas – para as quais já haviam sido convidados – para dar lugar a nomes indicados por partidos de centro, como MDB, PSD e União Brasil. Ao todo, serão nove siglas representadas no Congresso Nacional. Juntas, representam 262 deputados (51%) e 45 senadores (55%), mas nem todos os filiados irão apoiar o governo.

Entre os nomes anunciados estão quatro ex-presidenciáveis, como o próprio atual vice da chapa eleita, Geraldo Alckmin (PSB) , indicado ao Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Fernando Haddad (PT), alocado na Fazenda; Simone Tebet (MDB), que comandará o planejamento; e Marina Silva (Rede), que voltará à chefia do Meio Ambiente após 14 anos – a ambientalista ocupou o mesmo cargo durante os dois governos do petista, entre 2003 e 2008.

Também merece destaque a indicação da índigena – e deputada federal – Sônia Guajajara (PSOL), que será a titular do Mistério dos Povos Indígenas, pasta recém-criada por Lula. Ao mesmo tempo, a atual presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, será a primeira mulher a comandar a Saúde.

Além disso, Lula recriou o Ministério da Cultura, que terá Margareth Menezes, e do Esporte, com a medalhista olímpica e uma das diretoras da organização “Atletas pelo Brasil”, Ana Moser. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o esporte virou uma secretaria especial, subordinada ao Ministério da Cidadania.

Assim, o petista destinou 11 – das 37 pastas – às mulheres, o equivalente a 29% dos cargos, um número inédito.

Ainda na montagem do ministério, Lula deixou sob a influência do PT postos-chave da administração como Fazenda, Casa Civil (Rui Costa), Educação (Camilo Santana) e Desenvolvimento Social (Wellington Dias), pasta responsável pelo Bolsa Família, mas barganhou áreas importantes para atrair apoio de MDB, União Brasil e PSD, que representam 28% das cadeiras da Câmara e 38% do Senado.

Nessa lógica, entregou a futuros aliados pastas de relevância como Cidades, que ficará com Jader Filho (MDB-PA), e Transportes, que será comandada pelo senador eleito Renan Filho (MDB-AL). Já o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) assumirá Agricultura, enquanto o senador Alexandre Silveira (PSD-MG) ficará com Minas e Energia.

O presidente eleito anunciou ainda os líderes do seu governo no Senado, na Câmara dos Deputados e no Congresso Nacional. Serão eles: Jaques Wagner (PT-BA), José Guimarães (PT-CE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), respectivamente.

Veja abaixo todos os ministros de Lula

  1. Fazenda: Fernando Haddad (PT);
  2. Justiça: Flávio Dino (PSB);
  3. Defesa: José Múcio Monteiro;
  4. Relações Exteriores: Mauro Vieira;
  5. Casa Civil: Rui Costa (PT);
  6. Relações Institucionais: Alexandre Padilha (PT);
  7. Secretaria-Geral: Márcio Macêdo (PT);
  8. Advocacia-Geral da União: Jorge Messias, o famoso “Bessias” da ligação grampeada por Sérgio Moro na época do Impeachment de Dilma Rousseff;
  9. Saúde: Nísia Trindade;
  10. Educação: Camilo Santana (PT)
  11. Gestão: Esther Dweck
  12. Portos e Aeroportos: Márcio França (PSB)
  13. Ciência e Tecnologia: Luciana Santos (PCdoB)
  14. Mulheres: Cida Gonçalves (PT)
  15. Desenvolvimento Social: Wellington Dias (PT)
  16. Cultura: Margareth Menezes
  17. Trabalho: Luiz Marinho (PT)
  18. Igualdade Racial: Anielle Franco
  19. Direitos Humanos: Silvio Almeida
  20. Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB)
  21. Controladoria-Geral da União: Vinícius Marques de Carvalho
  22. Planejamento: Simone Tebet (MDB)
  23. Meio Ambiente: Marina Silva (Rede)
  24. Esportes: Ana Moser
  25. Integração e Desenvolvimento Regional: Waldez Góes (PDT)
  26. Agricultura: Carlos Fávaro (PSD)
  27. Povos Indígenas: Sônia Guajajara (PSOL)
  28. Secretaria de Comunicação Social: Paulo Pimenta (PT)
  29. Previdência Social: Carlos Lupi, presidente do PDT
  30. Pesca: André de Paula (PSD)
  31. Gabinete de Segurança Institucional: general da reserva Marco Edson Gonçalves Dias
  32. Cidades: Jader Filho (MDB)
  33. Turismo: Daniela do Waguinho (União Brasil)
  34. Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD)
  35. Transportes: Renan Filho (MDB)
  36. Comunicações: Juscelino Filho (União Brasil)
  37. Desenvolvimento Agrário: Paulo Teixeira (PT)

Com Agência Brasil e O Globo

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