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Icaraí, maior zona eleitoral da cidade, teve pouca fila e eleitores não esconderam sua preferência

Por Livia Figueiredo
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Clima do segundo turno, neste domingo (30), era harmônico, de forma geral, apesar das divergências ideológicas
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No Santuário, localizado na Rua Álvares de Azevedo, o clima era pacífico e sem fila. Foto: Livia Figueiredo

Enquanto no primeiro turno, o bairro de Icaraí, maior zona eleitoral da cidade, ficou marcada por longas filas, urnas com defeito e falta de organização, neste segundo turno, os eleitores retornaram às urnas com maior tranquilidade. Em praticamente todos os pontos de votação, o tempo de espera não passava de dez minutos. Havia aqueles, ainda, que demoravam apenas cerca de dois minutos.

O clima era harmônico, de forma geral, apesar das divergências ideológicas. Desde cedo, chama a atenção as ruas tomadas por eleitores que optaram por expressar sua posição política. A maioria deles comparecia às urnas com um adesivo (ou muitos) estampados na camisa, na pochete, na calça, no short, na bolsa. A manifestação era plena, principalmente por parte dos petistas. Algo diferente do que foi visto no primeiro turno, quando pairava ali um receio de represália.

Camisas estampadas com o candidato de escolha e blusas “adesivadas” marcaram o clima eleitoral deste segundo turno. Foto: Livia Figueiredo

Leia mais: Eleições: votação no segundo turno começa tranquila e sem filas em Niterói

Na reitoria da UFF, na rua Miguel de Frias, um pouco antes da abertura do portão, por volta de 7h30, uma fila de tamanho razoável se formava. Mas logo que as urnas abriram a fila se dispersou.

Movimento da reitoria da UFF, na rua Miguel de Frias, antes das 8h. Foto: Livia Figueiredo

Ao contrário da última vez, a seção 394 não apresentou problema. A agilidade, inclusive, pode ser justificada por um fator principal: dessa vez, cada eleitor do estado do Rio escolhe apenas o Presidente da República. No primeiro turno, havia cinco cargos em disputa: deputado estadual, deputado federal, senador, governador, além da Presidência. Outra possibilidade é o esperado elevado percentual de abstenção deste segundo turno. Ou as comemorações dos torcedores do Flamengo que vararam a madrugada tirando os eleitores das ruas nas primeiras horas da manhã.

O fato é que, desde cedo, carros passavam acenando bandeiras do Brasil e outros com a bandeira do Lula. Não era difícil também encontrar eleitores que optaram por vestir a camisa do Brasil com adesivos pró-Lula. Contudo, apesar das divergências ideológicas e dos nervos à flor da pele, o A Seguir: Niterói percorreu alguns pontos do bairro de Icaraí e não presenciou nenhuma confusão. No Campo de São Bento, porém, houve reclamações de filas de quem votou dentro da escola localizada no parque.

Carros com bandeiras e adesivos eram vistos com frequência na manhã deste domingo (30), no segundo turno das eleições. Foto: Livia Figueiredo

Na Gavião Peixoto, rua que apresenta grande movimento em Icaraí devido ao comércio, duas senhoras conversavam: “Eu fico espantada com os idosos votando nele (Lula). Quando é jovem a gente até perdoa”, dizia para a sua colega.

Movimento da Gavião Peixoto era tranquilo neste segundo turno. Foto: Livia Figueiredo

O Bradesco da Gavião Peixoto também estava sem fila. Neste ponto, inclusive, as pessoas agradeciam o privilégio de votar num local sem fila e ainda com ar condicionado.

O Bradesco da rua Gavião Peixoto também estava sem filas. Foto: Livia Figueiredo

Próximo dali, em frente ao McDonalds, na esquina da Álvares de Azevedo com a Gavião Peixoto, uma estudante que usava a camisa da seleção do Brasil, com adesivos do Lula, relatou ao A Seguir o motivo de repetir a dose do primeiro turno:

– Acho importante que a bandeira não esteja atrelada a um só candidato. Ela é de todos. Ela pertence a todos. Está mais do que na hora de resgatar a nossa bandeira de volta.

Leia também: Um voto para recuperar o futuro

No Colégio São Vicente, na Rua Miguel de Frias, não havia fila como a que foi vista no primeiro turno. Lá, inclusive, era onde se via a maior polarização.

No Colégio São Vicente, o clima era marcado pela polarização, mas poucas filas. Foto: Livia Figueiredo

O A Seguir conversou ainda com o engenheiro Paulo Macedo, de 55 anos, que foi votar sem adesivos. Ele diz que prefere a discrição em tempos de polarização. Neste domingo (30), ele conta que foi surpreendido pela pouca fila. Ele levou sua mãe, de 89 anos, também para votar.

– Enquanto no primeiro turno eu fiquei duas horas na seção 261, dessa vez eu levei apenas dez minutos. Mas observei que os problemas na leitura biométrica persistem. As três pessoas que estavam à minha frente não conseguiram, após as quatro tentativas exigidas. Inclusive eu próprio. Mas algumas coisas foram interessantes de ver. Levei minha mãe de 89 anos e quando foi minha vez de votar verifiquei, na fila, uma senhora de 94 anos. Ótimos exemplos do exercício da cidadania – diz.

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