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Travessa terá encontro presencial sobre a trajetória de Jimmy Page, guitarrista do Led Zepellin, no Brasil

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Lançamento do livro será nesta quarta-feira (17) e terá bate-papo e noite de autógrafo com o músico e jornalista Leandro Souto Maior, que fez trajetória em Niterói
Jimmy Page no Brasil
Capa do livro Jimmy Page no Brasil, do Leandro Souto Maior. Foto: Reprodução da internet

A Livraria da Travessa, em Icaraí, terá seu segundo encontro presencial desde a sua abertura em dezembro de 2020. O encontro aberto ao público e gratuito marca o lançamento do livro “Jimmy Page no Brasil”, reconhecido como um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos e um dos mais importantes compositores de rock no mundo. O evento terá o formato de bate-papo, com o fundador da rádio LAM, Luiz Antonio Mello, e noite de autógrafo com o autor do livro, Leandro Souto Maior, nesta quarta-feira (17), a partir das 19h. O espaço está sujeito à lotação devido à pandemia da Covid e o uso de máscara é obrigatório.

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O livro tem prefácio de Ed Motta, um dos maiores colecionadores e conhecedores da obra do Led Zeppelin, e posfácio do jovem guitarrista Sebastião Reis, filho de Nando Reis, confirmando que a banda atravessou gerações. A diagramação e a capa levam a assinatura de Tomás Paoni, diretor artístico do projeto. A foto da capa é de Marcos Hermes, uma referência de fotógrafo do mercado da música. A edição é assinada por Chris Fuscaldo, diretora da Garota FM Books.

Minidocumentário baseado no livro ultrapassa 100 mil visualizações

Em conversa com o A Seguir: Niterói,  Leandro Souto Maior, jornalista e músico criado na cidade, conta os bastidores do livro, episódios curiosos da trajetória de Page na Bahia, seus projetos sociais e do dia em que o músico recebeu o título de Cidadão Honorário no Rio de Janeiro. Leandro também fala do minidoc, que reúne  entrevistas que músicos, como Nando Reis, Paulo Sergio (Batata), Sebastião Reis, Tony Bellotto (Titãs), Robertinho de Recife e Roberto Frejat, concederam a diferentes veículos. O vídeo, divulgado na internet e editado pelo próprio autor, viralizou e até o momento ultrapassa os 100 mil acessos. Ele pode ser assistido no canal do Youtube do autor, clicando neste link.

Leandro Souto Maior. Foto: Arquivo Pessoal

– Nos anos 90 eu comecei a ouvir algumas histórias de que o Jimmy Page estava na Bahia, namorando uma baiana. Naquela época não tinha internet ainda. Não tinha como aferir se era boato, se era verdade. Era tudo muito espaçado. Mas com o passar do tempo, eu comecei a ter mais acesso à informação e a ler sobre o que era realmente fato. Mas mesmo assim na internet tem muita coisa errada, muita pista que não é caminho certo e eu ficava meio encucado – contou Souto Maior ao A Seguir, enquanto voltava da Serra do Rio de Janeiro.

Confira a entrevista:

A Seguir: No livro, que conta os dias de Jimmy Page no Brasil, há 25 anos, você traça uma extensa pesquisa que refaz os passos do guitarrista britânico não somente em Lençóis, na Bahia, mas em Salvador, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O que te instigou a contar essa história, além do fato dessa fase do artista não ter sido abordada pela mídia?

Leandro Souto: Tudo teve início em Niterói quando eu comecei a me interessar por música. Eu era préadolescente e morava na cidade. Nasci no Rio, mas aos seis anos já fui morar em Niterói. Foi na cidade que eu comecei a descobrir a música, o rock. O primeiro contato foi através de um amigo de escola. Na época, eu estudava em Piratininga e foi quando eu tive meu primeiro disco de vinil do Led Zeppellin. Isso lá nos anos 80. Foi uma mudança radical na minha vida, no meu entendimento sobre música. Foi muito marcante. Fui descobrindo outros guitarristas, mas o Jimmy era o que mais representava minha paixão pela guitarra. Ele despontava como guitarrista número 1 no meu ranking pessoal.

Nos anos 90, eu comecei a ouvir algumas histórias de que o Jimmy Page estava na Bahia, namorando uma baiana. Naquela época não tinha internet ainda. Não tinha como aferir se era boato, se era verdade. Era tudo muito espaçado. Mas, com o passar do tempo, eu comecei a ter mais acesso à informação e a ler sobre o que era realmente fato. Embora eu ainda ache que, mesmo assim, na internet tem muita coisa errada, muita pista que não leva para o caminho certo e eu ficava meio encucado.

Até que eu me tornei jornalista e comecei a ter acesso aos bastidores. Eu trabalhei sempre com música no Jornal do Brasil, na rádio Fluminense, e foi ali que eu comecei a entrevistar os músicos e comecei a perceber que, sempre quando a pauta era Led Zeppelin, o Jimmy Page vinha no assunto quando conversava com o pessoal do Paralamas,  o Pepeu Gomes, dos Novos Baianos e o Frejat. Foi quando eu decidi que essa história merecia ser contada da forma correta. Por ser jornalista, eu já tinha contato com esses artistas, o que facilitou na hora de conseguir depoimentos. Também peguei relatos de fãs anônimos, que acabam sendo ainda mais interessantes. Ninguém encontrou com Jimmy Page em vão. Nunca foi casual e simples. Sempre foi um encontro épico.

Da esquerda para a direita: Jimmy Page e Frejat. Foto: Arquivo Pessoal

Em uma entrevista você conta que teve a oportunidade de entrevistar pessoas que tiveram uma proximidade com o Jimmy Page. Teve algum fato curioso que você conseguiu capturar nessas histórias? Algum relato dos próprios fãs?

O Jimmy sempre se demostrou muito interessado pela cultura brasileira. Ele ficou hipnotizado pela capoeira quando descobriu o berimbau, que é um instrumento muito representativo do Brasil, especialmente na Bahia, onde ele mais transitou. Ele se interessou muito pelas cantoras de axé e do reggae, como a Margareth Menezes, que foi amiga pessoal dele. Daniela Mercury também teve encontro com o Jimmy. Ele ficava muito mais fascinado por essa turma. Mais ainda do que com os rockeiros, porque o rock já era natural para ele, já era familiar.

Mas o que eu acho mais interessante e um fato que nem todo mundo sabe, é que o Jimmy Page é Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. Ele tem esse título oficial concedido pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro nos anos 90. Ele ganhou esse título por conta das ações sociais que ele fez no Brasil, investindo em ONGs, inaugurando um abrigo para menores que moravam na rua em Santa Teresa, que acabou sendo batizado em homenagem a ele como Casa Jimmy. Esse interesse pelo social, essa sensibilidade que ele teve pelas crianças no Brasil. Todo esse conjunto fez ele ter esse reconhecimento. Ele deu várias entrevistas falando que a educação é a chave para a vida. E também dizia que o maior investimento tem que ser nas crianças porque elas são as responsáveis pelo futuro, pela eleição dos futuros governantes. Acho que é isso que foge mais à música e é uma característica que marcou muito o Jimmy.

Margareth Menezes e Jimmy Page. Foto: Márcio Lima

E você esteve na Bahia para entrevistar as pessoas que tiveram contato e se relacionaram com o Jimmy. Conta um pouco sobre como você fez essa compilação de dados, do seu período lá. 

Eu acho que seria muito importante ir para essas cidades, para entender como elas funcionam, sua atmosfera. Não só em Salvador, como no interior da Bahia. O Jimmy comprou terreno e construiu casa em Lençóis. Acho que era importante ir lá porque ele frequentava o local, ia para as padarias. Ele tinha um vida de anônimo na Bahia. Algo que ele nunca teve desde que ficou famoso. Acho isso curioso.

Antes de ir para Lençóis, fui para Salvador, onde ele acompanhou ensaios da Margareth Menezes. Ele ensaiou com ela. Imagina! Tocar com o Jimmy Page. Também fui para a Inglaterra. Fiz entrevistas importantes lá.

Uma coincidência é que o livro acabou sendo lançado no dia 9 de janeiro, que é o dia de aniversário do Jimmy Page. O livro é fruto de uma campanha de financiamento coletivo na internet. A previsão era entregar em dezembro, mas houve um atraso na gráfica e o livro acabou chegando na minha mão no dia 9 de janeiro, por uma incrível coincidência.

Leandro Souto Maior em Lençois/março 2020. Foto: Arquivo Pessoal

Quais são suas expectativas para o lançamento na Travessa de Niterói nesta quarta-feira?

Acho que vai ser muito especial. Atualmente eu moro em Visconde de Mauá, então poder revisitar amigos e, mais ainda, ser entrevistado pelo Luiz Antonio Melo, que é uma referência para mim, especialista nesse universo do rock. Ele é fundador da Rádio Maldita, que lançou as principais bandas de rock nos anos 80, época em que eu estava fazendo toda a minha educação musical. Ele foi meu professor, vamos dizer assim. Um grande mestre.

Como é sua relação com Niterói? O que guarda na sua memória afetiva?

Minha história é totalmente conectada com Niterói. Eu trabalhei na rádio Fluminense. Trabalhei em um bar, de música ao vivo, que é cheio de história, chamado “Acorde”. Eu nasci em Botafogo e me mudei para Niterói com seis anos para morar em Piratininga, que parecia Visconde de Mauá hoje em dia. A rua era de terra a gente jogava bolinha de gude. Passava um carro a cada 40 minutos. Eu andava de bicicleta, soltava pipa, numa época em que não tinha celular e a gente podia curtir a infância e a juventude. Acho um lugar deslumbrante. Assim como era Itacoatiara.

Montei bandas em Niterói, como “Mulheres cantam Beatles”. Fizemos muitas apresentações. Teatro da UFF, Theatro Municipal… Eu era guitarrista da banda e a gente cantava covers dos Beatles. Era um quarteto vocal. Os instrumentistas eram ótimos. A Samantha Schmütz, inclusive, participou dessa banda. Hoje é uma atriz superfamosa. Era uma época muito boa.

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