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Projeto ‘Taxi Literário’ desembarca em Niterói com o objetivo de democratizar o acesso à informação

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Fruto de uma parceria do Sindicato dos Taxistas com a Academia Fluminense de Letras e a Secretaria das Culturas, projeto é um estímulo à leitura; no total, 600 livros foram distribuídos de forma gratuita
Taxi literário
‘Taxi Literário’ tem como objetivo estimular a leitura, o conhecimento e a troca de saberes. Foto: Divulgação

Um taxi pouco convencional já está circulando por Niterói. A ideia é simples, porém nobre: disponibilizar livros, sem data de retorno. O objetivo do projeto, conhecido como Taxi Literário, é estimular a leitura, o conhecimento e a troca de saberes. No total, 600 livros foram selecionados e criteriosamente distribuídos em taxis de Icaraí, Centro e São Francisco. Atualmente, cerca de 60 taxis participam do projeto. Cada taxista fica com oito livros. Crônicas, romances, contos, poesias, não ficção. São diversas as opções, com o propósito de oferecer leituras mais fluídas. Foi assim que, de forma democrática, a Academia Fluminense de Letras, uma das mais antigas do Estado do Rio, selecionou os livros que fariam parte do projeto, que conta com o apoio e com o fomento da Secretaria de Culturas de Niterói. O projeto é fruto de uma parceria do Sindicato dos Taxistas (SindTaxi) com a Prefeitura de Niterói e a Academia Fluminense de Letras.

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Em conversa com o A Seguir: Niterói, o Secretário Geral do Sindicato dos Taxistas, Rodrigo Lopes, e o presidente da Academia Fluminense de Letras, Waldenir Bragança, falam sobre o nascimento e o propósito do projeto, que já desembarcou em Niterói e em outras cidades.

O Secretário Geral do SindTaxi, Rodrigo Lopes, explica a mecânica do projeto, que teve início no dia 9 de novembro, e tem como intuito estimular a leitura tanto do taxista que está esperando o cliente no ponto quanto do passageiro.

– Colocamos adesivos e distribuímos os livros nos taxis. O adesivo carrega o propósito do projeto. “Leve, leia e devolva em outro taxi”. Os livros ficam naquelas bolsinhas, nas laterais do taxi e podem ser localizados também na parte traseira do assento do motorista. A ideia é que fique visível, para despertar curiosidade. Quando o cliente entra, o taxista oferece o livro, apresenta o projeto. Às vezes parte do próprio cliente esse interesse. São livros menores, que não demandam muito tempo de leitura para justamente circularem com mais facilidade. A maioria dos autores é de Niterói. A pessoa pode ler por dois, três meses, o tempo que for necessário e depois devolver – comentou.

Livros são colocados na parte traseira do taxista e nas laterais do carro. Foto: Rodrigo Lopes

Surpreso com a recepção do projeto, Rodrigo comenta que tudo que é relacionado à educação, setor que o país carece muito, costuma mexer com a população. Além disso, o projeto agrega valor e conhecimento às pessoas que não teriam acesso, por questões financeiras ou até mesmo sociais.

– Por mais que algumas pessoas não levem, elas elogiam o projeto, dão suporte. Algumas oferecem até de fazer doações de livros. Teve uma cliente que falou que ia separar alguns livros da casa dela para doar para a gente. E isso é importante, porque quanto mais livro a gente tiver, em mais taxis, mais a gente distribui e por mais tempo dura a ação. É um projeto de conscientização de certa forma – acrescenta.

O presidente da Academia Fluminense de Letras, Waldenir Bragança, fala da importância da existência de um projeto desse porte em tempos de desmonte da cultura.

– A Academia Fluminense de Letras entra com o intuito de estimular a leitura, a difusão do livro, as comunicações literárias, enfim, valorizar a memória e a história do Rio de Janeiro. É um grande patrimônio cultural. A participação da Academia foi na seleção de centenas de livros. Entramos em contato com as lideranças dos taxistas e organizamos os pontos de distribuição junto a eles. As obras são, sobretudo, de autores fluminenses. Nós estamos mais interessados na promoção da leitura de autores nacionais.

O Presidente da Academia Fluminense de Letras, Waldenir Bragança ao lado do presidente do Sindicato dos Taxistas (SindTaxi), Celso José Wermelinger

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Bragança continua reiterando a importância de estimular a leitura, de passar adiante e de difundir conhecimento, principalmente do idioma nacional. Ele ressalta a importância da construção do conhecimento e do diálogo dos saberes, como um pertencimento.

– Nós estamos fazendo um trabalho de valorização do nosso idioma porque é ele que aproxima, que interage e que integra. De Amapá ao Rio Grande do Sul, nós estamos unidos com o mesmo falar, que é o português. É através do idioma que uma nação se constitui. E nós estamos fazendo isso com esse projeto, através da literatura. Levamos o projeto para outras cidades, como Teresópolis e outros locais da serra do Rio de Janeiro. Fomos com alguns exemplares de livros de bolso e distribuímos por lá.

Como tudo que funciona merece uma atenção maior, o projeto deve expandir, muito em breve, para as bancas de jornais.

– Já entramos em contato com as lideranças das bancas de jornais para fazer o projeto das bancas literárias seguindo o mesmo esquema. Iremos selecionar bancas da cidade para fazer a distribuição gratuita. Tem livros preciosos que poucos conhecem, Casimiro de Abreu, Alberto de Oliveira, Fagundes de Varela… É uma forma de elevar o nível cultural de Niterói. A cidade tem várias instituições culturais. Além da Academia Fluminense de Letras, tem o Cenáculo Fluminense de História e Letras, que vai completar 100 anos, tem a Academia Niteroiense de Letras que vai completar 80 anos.  Tem A Associação Niteroiense de Escritores… Niterói tem esse legado.

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