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A retomada da economia em Niterói: vagas, desemprego e queda de renda

Por Redação
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Criação de 784 novos empregos é tímida diante de cenário de recessão; rendimento médio dos trabalhadores é o menor desde 2012
População caminhando na Gavião Peixoto - Gustavo Stephan
População caminhando na Gavião Peixoto – Gustavo Stephan

Niterói registrou 784 novos empregos em outubro de 2021, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados nesta terça-feira (30), pelo Ministério da Economia. A maior parte no setor de serviços e no comércio. O CAGED trabalha com a abertura e fechamento de vagas com carteira assinada, o que representa uma parcela pequena da população, 33, 5 milhões de pessoas, diante do trabalho informal. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  o Brasil tem 93 milhões de pessoas ocupadas.

Apesar da melhora, o cenário nacional ainda é de crise. O  desemprego diminuiu, passou de 14,2% da população no trimestre anterior para para 12,6%, em julho, agosto e setembro,  o que ainda representa uma massa de 13,5 milhões de pessoas desocupadas e outras 5 milhões que desistiram de procurar trabalho, os desalentados.

Outro fator que atrapalha a retoma da atividade econômica, em Niterói, como em todo o país, é a queda da renda do trabalhador. O fenômeno é conhecido como “precarização do trabalho”; as vagas abertas oferecem salários menores do que os das vagas fechadas. O resultado, na estatística nacional do IBGE,  foi a queda de 4% do rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros pelo quarto semestre consecutivo. O rendimento médio hoje está em R$2.451.  o menor desde o quarto trimestre de 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta terça-feira (30) pelo IBGE.

O mercado de trabalho, em Niterói

O mercado de trabalho niteroiense se recupera aos poucos da crise que começou em 2020, com a pandemia do coronavírus. Nesse ano, a cidade registrou de acordo com o CAGED mais de 5 mil demissões e fechou no vermelho o saldo de admitidos versus desligados. Em abril de 2020, Niterói teve 3.793 demissões, o pior índice desde o início da pandemia. O cenário local refletia a realidade nacional: o país registrou um corte de 191,5 mil postos empregos formais.

O impacto econômico da pandemia se estende, consequentemente, ao consumo dos niteroienses, o que pode ser observado com a baixa adesão à temporada de compras da Black Friday. Para Charbel Tauil Rodrigues, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Niterói (Sindilojas Niterói), embora ainda seja cedo para se falar em números, é possível afirmar que nesta Black Friday ocorreu um menor tíquete médio nas compras.

– O consumidor até se dispôs a comprar, embora gastando menos que das vezes anteriores. Isto já era esperado, dado o cenário de desemprego, instabilidade econômica e empobrecimento geral do brasileiro. Num quadro assim, é totalmente compreensível que as pessoas ajam com mais cautela, medindo muito cada desembolso. Creio que esta situação se repetirá nas vendas de Natal, com muitos “presentinhos’ e ‘lembrancinhas’ se destacando nas vendas – comenta Chabel.

De acordo com Sandro Cezar, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio de Janeiro (CUT-Rio), a inflação acima de dois dígitos e a substituição do Auxílio Emergencial e do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, também são fatores que influenciam diretamente na capacidade de compra das famílias. “As pessoas estão com dificuldades financeiras até para comprar comida. Há 19 milhões de brasileiros vivendo na fome. Isso é reflexo direto da política econômica do atual governo”, afirma.

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