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O Brasil na linha da pobreza; o que cabe no carrinho do mercado com R$ 303 em Niterói

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Pesquisa do Observatório das Metrópole revelou que 25% dos moradores de regiões metropolitanas, o que inclui Niterói, têm renda de 1/4 do salário mínimo atual
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Banana nas alturas. Foto de leitor

Arroz, feijão, farinha, óleo, macarrão, um pedaço de frango ou carne, pão, leite, açúcar. Não cabe muita coisa no carrinho para 23 milhões de brasileiros que ficaram abaixo da linha da pobreza nas últimas pesquisas do IBGE. Pesquisa feita pela PUC do Rio Grande do Sul mostra que 25% dos moradores de cidades das regiões metropolitanas, condição de Niterói, vivem com 1/4 do salário mínimo, hoje, cerca de R$ 303.

O A Seguir: Niterói visitou mercados para registrar o aumento dos preços, com a inflação perto de 12%. O pacote de 1 kg de arroz no supermercado Real sai a R$6,99. Um pacote de feijão preto custa, em média, R$7,99. O carioca pode chegar a R$ 9 ,99. E o óleo de soja está R$ 9,98. O óleo de milho, que está em oferta, pode sair a inacreditáveis R$ 17,98. Um pacote de 500g de café, outro item muito presente no carrinho do brasileiro, sai a praticamente 20 reais (R$ 19,98). A farinha de trigo também teve alta e custa em torno de R$ 6,99, na oferta. O quilo do açúcar está R$ 4,99. A banana prata é R$ 7,90 o quilo.

Vulnerabilidade social

Para a maioria da população, a impressão após uma rápida ida ao mercado é quase a mesma: o dinheiro já não vale o mesmo que algum tempo atrás. Para encher o carrinho de itens que compõem a cesta básica, como arroz, feijão, óleo, leite, farinha e café, por exemplo, é preciso gastar cada vez mais. Reflexo da inflação, que chegou a 12% no ano, e a crise da economia, que deixou sem emprego 12% da população ativa. Mesmo entre os trabalhadores que continuaram empregados, houve perda de renda.

Um estudo do Observatório das Metrópoles e da Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina, feito por pesquisadores da PUC-RS, a partir dos dados da PNAD Contínua trimestral do IBGE, revelou que 25% dos moradores de regiões metropolitanas – e Niterói se inclui na Região Metropolitana II do Rio – têm renda de R$ 303, o que equivale a 1/4 do salário mínimo atual.

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Os preços no mercado

O aumento da população vivendo com até ¼ do salário mínimo por pessoa revela a vulnerabilidade das famílias com piores condições financeiras e, em alguns casos, embora em menor escala, há impacto direto também na classe média. Em Niterói, assim como na maioria das cidades do país, é crescente o aumento dos preços de itens do supermercado. Alguns consumidores, inclusive, têm mudado seus hábitos devido à elevação de alguns itens, como a carne vermelha acém, que está em promoção, chega a custar R$ 24,98.

Itens da cesta básica, como o feijão, tem grande alta. Foto de leitor

O preço nas prateleiras aumenta porque produzir está cada vez mais caro. Para se ter uma ideia, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado de 12 meses, bateu dois dígitos: 11,73%. O dado é de maio de 2022. Mas alguns itens, mesmo os da cesta básica, subiram bem mais.

A começar pelo leite e seus derivados (iogurte, queijo), carnes e algumas frutas, como banana prata. No supermercado Real, por exemplo, uma lata de leite integral pode sair a R$ 15,98. O quilo do queijo prato sai a R$ 59,90 e o quilo de mussarela é ainda mais caro: R$ 69,90. Sem falar no pacote de pão de forma tradicional, que custava R$3,99 há cerca de um ano, e atualmente está R$ 6,99.

Derivados de leite têm grande alta, como é o caso dos queijos. Foto de leitor

O que é possível comprar com R$ 303

Com estes preços, não é muito o que se pode comprar com o dinheiro que contam 25% dos moradores das regiões metropolitanas do Brasil. As escolhas podem mudar, mas a variedade e o volume das compras não vai encher um carrinho de supermercado.

Cinco quilos de arroz, 5k de feijão, 5 kg de farinha, 5 litros de leite, 5 pacotes de macarrão, 3 pães de forma, 3 quilos de açúcar três quilos de banana e dois quilos de carne moída, chã ou acém.  Compras para durar todo o mês. Uma imagem que reflete o conceito de vulnerabilidade alimentar.

Preço do óleo assusta consumidor. Foto de leitor

Rio é a terceira região metropolitana mais desigual

Embora o comportamento no 3º trimestre tenha variado entre as metrópoles, o padrão de crescimento da desigualdade, entre 2019 e 2021, foi observado na maioria das Regiões Metropolitanas, sendo as maiores elevações registradas nas regiões metropolitanas de Florianópolis [11,4%], Rio de Janeiro [6,4%] e Goiânia [6,4%]. A oitava edição do boletim do Observatório das Metrópoles aponta, ainda, que o Rio de Janeiro está entre as cinco metrópoles mais desiguais no 3º trimestre de 2021, ocupando a posição de terceiro lugar, atrás apenas de João Pessoa e Recife.

Renda do trabalho tem queda

A pesquisa revela também que, entre os 40% mais pobres, a renda média domiciliar per capita proveniente do trabalho voltou a cair após 5 trimestres de recuperação, ficando em R$ 240,79, contra R$ 245,55 no final de 2021, se mantendo abaixo do valor pré-pandemia (R$ 286).

Vale ressaltar que a renda média foi calculada a partir da soma de todos os rendimentos provenientes exclusivamente do trabalho, incluindo o setor informal, dividida pelo número de moradores por domicílio nas regiões metropolitanas, com preços deflacionados até o 1º trimestre pelo IPCA.

Segundo o estudo, a média de rendimentos nas metrópoles manteve o movimento de queda no início de 2022, atingindo nova mínima de toda a série histórica iniciada em 2012, com o valor de R$ 1.405,73. Na comparação com a situação pré-pandemia (1º trimestre de 2020), o encolhimento é de 10,8%.

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