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Vai um cafezinho?

Por Livia Figueiredo e Sônia Apolinário
| aseguirniteroi@gmail.com

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A Seguir circulou por cafeterias da cidade para celebrar o Dia Internacional do Café e prosear sobre a bebida preferida dos seus baristas
El Dourado
O café gaseificado El Dourado é sucesso da Não Me Torra. Fotos: Divulgação

Já há algum tempo o café deixou de ser apenas uma simples bebida na mesa dos brasileiros. O aprimoramento de novos métodos e o cuidado com a seleção de grãos, cada vez mais criteriosa, contribuiu para o surgimento de nome e selos de qualificação. O olhar mais atento aos grãos, em várias etapas do processo, da plantação até a hora de servir, gerou um novo nicho: o de cafés especiais. O mercado em expansão trouxe novos adeptos do café, com suas variadas formas de consumir.

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O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. É, também, o segundo maior consumidor da bebida. O A Seguir presta uma homenagem ao Dia Internacional do Café, celebrado nesta sexta-feira, 14 de abril. Convidamos baristas e donos de cafeterias famosas da cidade, especializadas em cafés especiais, para explicar o modo de preparo do seu café favorito.

Para comemorar a data, haverá ações em algumas cafeterias da cidade.

Confira abaixo:

  • Não me Torra

Banana Brew, especialidade da Não Me Torra.

O Banana Brew é novidade da Não me Torra e um dos carros-chefes da cafeteria-banca, localizada em frente à Praia de Icaraí. A bebida, refrescante, entrou recentemente no cardápio e já é uma das mais pedidas da clientela. Falamos com a Jéssica Lima, fundadora da cafeteria, sobre o modo de preparo da bebida. A cafeteria fará uma ação nesta sexta-feira (14). Quem for a Não Me Torra ganhará um café expresso.

Ingredientes: coldbrew, xarope de banana e baunilha feito na casa com leite de aveia

O xarope de banana é feito de modo similar a um caramelo. O segredo está em colocar a essência da banana, como um concentrado.

Endereço: Av. Jorn. Alberto Francisco Torres, 113 – Icaraí.

  • Grão Raro

O método Chemex, favorito da responsável pela Grão Raro da Otávio Carneiro, utiliza filtro duplo, dando mais sabor ao café.

Já ouviu falar em Chemex? Esse é o método favorito de Lola, que está à frente da nova unidade da Grão Raro, na Rua Otávio Carneiro, em Icaraí. O método recorre a um filtro duplo de papel, mais robusto, que permite que a bebida fique sem resíduos, mais suave, além de realçar todos os sensoriais que o café tem a oferecer.

Segundo Lola, na cafeteria, o que mais sai é o café feito na prensa – aquele mais encorpado. Este tende a ficar mais doce, pois fica mais em contato com a água (em torno de 5 min em infusão). O café utilizado atualmente na Grão Raro é da região de Matas de Minas, cultivado próximo ao produtor Pierre. A torrefação é da prestigiada Five Rosters.

Endereço: Rua Otávio Carneiro, 8, loja 4- Icaraí

  • Café Couto

O frappuccino do Café Couto.

No Dia do Café, Bruno Couto, responsável pelo Café Couto, fará uma pequena apresentação para mostrar como é o processo que vai da plantação à xícara e torrar alguns cafés na hora. O público poderá assistir todo o processo de torrefação e ainda conferir algumas dicas. Ele não informou o horário. Será uma espécie de surpresa para quem estiver na hora certa, por lá. Quem perder, não precisa se preocupar. A apresentação será gravada e disponibilizada na rede social do Café Couto.

O lugar é uma micro torrefação de cafés especiais. A cafeteria trabalha com cafés de diferentes regiões. Localizada em Jurujuba, a caminho do Forte Fortaleza de Santa Cruz,  a casa dispõe de um cantinho totalmente dedicado ao café, o Coffee Bar. Lá, costumam ser utilizados diversos métodos para as extrações. O mais apreciado é o método Clever. Nesse método, é possível extrair mais soluvidades por permanecer um tempo em infusão.

O método clever.

De todas as opções que oferece na cafeteria, a preferida de Bruno é o frappuccino:

– As bebidas à base de cafés como, por exemplo, o frappuccino são sucesso do Café Couto. Com uma base de café e leite, é adicionado um creme de avelã e leite ninho dando uma textura de milk-shake…. Não há quem resista!

Endereço: Estr. Gen. Eurico Gaspar Dutra, 4618 – Jurujuba.

  • Lilia Café

O café expresso do Lilia Café combina bem com brigadeiro. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

O café expresso é o favorito de Lucio Vieira, criador do Lilia Café. Em conversa com o A Seguir, ele diz que quando bem regulada, a máquina do café tira o melhor expresso. Uma forma de substituir a máquina do café expresso das cafeterias que não comporta no bolso nem no espaço, é a cafeteira italiana Moka, ideal para o preparo em casa.

Na Moka, a água é colocada por baixo. No cachimbo, é colocado o pó do café. A cafeteira deve ir ao fogo de baixo para médio. Quando a água entra em ebulição, ela passa pelo cachimbo e o café passa por infusão, chegando muito próximo ao sabor de um expresso. O nome desse café é moka italiano.

O Lilia Café pode ser encontrado logo na entrada da Livraria da Travessa, em Icaraí. A cafeteria está instalada há muitos anos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Segundo Lucio, a cafeteria desembarcou em Niterói devido ao potencial de mercado da cidade.

Endereço: Rua Dr. Tavares de Macedo, 240 – Icaraí.

  • Bakery Crosta

Latte art é uma atração à parte nos cafés da Bakery Crosta. Foto: reprodução rede social

Criador da Bakery Crosta, Mendel Kaczala gosta de deixar bem claro que o local é uma padaria com uma cafeteria. Afinal, foi em torno dos pães de fermentação natural e os doces e bolos artesanais que o negócio começou, há 5 anos. Os cafés especiais chegaram há cerca de dois anos para criar o match perfeito.

– Pão com café é a combinação mais brasileira que existe. Se eu faço pães especiais, meu café só poderia ser especial – comenta ele que também faz questão de dizer que é padeiro e confeiteiro.

Os baristas da casa são os Lucas Nascimento e Donnole. A questão é que Mendel foi enfeitiçado pelo café. Pode ficar horas falando sobre a bebida e dar aulas sobre tudo que envolve sua cadeia produtiva.

A Seguir não se fez de rogado, pegou caneta e bloquinho e prestou muita atenção na aula, que começou com a explicação sobre os dois tipos de café mais comuns no Brasil: o Arábica e o Canéfora (ou Conilon).

Este é mais encontrado no norte do país, tem sensorial mais encorpado e maior concentração de cafeína.

Já o Arábica, mais conhecido das pessoas, pode ser encontrado em todo o país, mas, principalmente, em Minas Gerais e Espírito Santo. Tem um sensorial mais delicado, com notas de frutos e flores, acidez mais complexa.

São com grãos de Arábica, de diferentes torrefadores, que o Crosta trabalha. E nisso, entrou mais um personagem na história: a torra.

– Frutos de uma mesma produção, se transformam em cafés completamente diferentes, em função da torra – informa.

A cada semana, Mendel compra exemplares diferentes dos seus torrefadores preferidos. Isso significa que, por lá, tem sempre algum sabor novo, tanto para levar para casa quanto para beber na hora.

Para quem está iniciando na degustação de café – um hábito que Mendel percebe que vem aumentando, bastante, em Niterói – as bebidas mais aconselháveis são as que têm perfil sensorial de chocolate, castanha, açúcar mascavo. Quem quiser algo mais exótico, encontra café com sensorial de canela, vinho branco e caju.

Depois de escolher entre tantos grãos e torras, chegou a vez de decidir o tipo de café que se quer beber. Na Crostra, os métodos de extração para fazer cafés coados são:

Aeropress – extração por êmbolo, deixa o café mais oleoso e encorpado.

V60 – que utiliza filtro de papel e é o mais próximo do método que qualquer pessoa faz em casa. É o que fica pronto mais rápido.

Clever – mistura a estrutura do filtro de papel com a prensa francesa, o que faz com que o café fique mais tempo em contato com a água. Ou seja, é um método que pega mais do sabor e aroma do café.

Não quer coado? A máquina de expresso está a seu dispor. E outra gama de opções se descortinam.

O expresso curto é o que Mendel mais curte, dentre todos os tipos de café oferecidos pela casa.

– É como um shot de café de 30 ml – compara.

Muito complicado para tomar o velho e bom cafezinho? A dica para simplificar é chamar um dos Lucas que eles vão fazer de tudo para traduzir em café o seu estado de espírito – ou indicar o que melhor acompanha o seu pedido da padaria.

Drinks de Café da Crosta. Foto: reprodução rede social

Pensa que acabou? Negativo. O Crosta tem um cardápio de drinks de café que inclui, por exemplo, o Coffee Negroni (feito a partir de infusão de Campari com café); Secreto (com água de coco); Orange Coffee (suco de laranja com expresso); Irish Coffee (com mel, whisky e creme de leite).

Vai um cafezinho?

Endereço: Rua Domingues de Sá, 324 loja 101 – Jardim Icaraí.

A data

Relativamente recente, o Dia Internacional do Café foi criado em 2015 pela Organização Internacional do Café (OIC) para celebrar a bebida e promover a conscientização sobre sua importância econômica, social e cultural em todo o mundo.

A data é uma oportunidade para celebrar essa bebida deliciosa e versátil. E, também, experimentar diferentes variedades de café e descobrir novas maneiras de apreciar essa bebida tão popular.

Benefícios

A cafeína  é um potente estimulante do sistema nervoso central (SNC), promovendo benefícios não observados em bebidas descafeinadas, como a melhora do humor, do foco e do estado de alerta.

– A cafeína bloqueia os efeitos da adenosina, o hormônio responsável pelo aumento da sensação de cansaço, além de ampliar a atividade da dopamina, que estimula o cérebro, melhorando o humor, foco e estado de alerta – afirma a nutricionista Carolina Tavares.

Segundo a especialista, o efeito estimulante no SNC também favorece o desempenho físico nos exercícios por ajudar o sangue a chegar mais rápido nos músculos.

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