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Niterói pode abandonar máscaras também em locais fechados nesta quarta-feira (30)

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Comitê Científico avalia riscos de se suspender a obrigação especialmente para grupos de risco
Os agentes verificam a temperatura de uma mulher usando uma máscara protetora depois que ela desce de um ônibus público, com o Pão de Açúcar em backgorund
Prefeitura já derrubou obrigação de máscaras em lugares abertos. Foto: Reprodução/Prefeitura

A Prefeitura de Niterói reúne, nesta quarta-feira (30), o Comitê Científico de assessoramento no combate à Covid para decidir se libera ou não os moradores da cidade do uso de máscaras em locais fechados. O município suspendeu a exigência da proteção em locais abertos, mas, ao contrário do Rio, que derrubou o controle em ambientes fechados, em Niterói ainda é obrigatório o uso de máscaras em bares, restaurantes, teatros, cinemas, lojas e outros locais fechados.

Pela primeira vez, em dois anos de pandemia, a ocupação dos leitos de UTIs nas redes pública e particular chegou a zero em Niterói. O maior controle da pandemia fez a Prefeitura flexibilizar o controle sanitário. Agora, com a confirmação dos bons indicadores e de uma certa estabilidade do número de casos da Covid-19,  a Prefeitura de Niterói pretende voltar a debater o assunto.

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Número de casos segue em baixa

No momento, apenas quatro pessoas estão internadas em enfermarias para tratamento da Covid-19 em Niterói: duas em unidades particulares e outras duas no Hospital Municipal Oceânico Gilson Cantarino. Na última semana do levantamento disponível no sistema do painel epidemiológico da prefeitura, de 13 a 19 de março, não houve registros de novos casos da doença.

Especialistas temem risicos

Apesar do maior controle da pandemia, especialistas na área de saúde acreditam que a liberação total do uso de máscaras pode ser precipitada. Preocupados com possíveis novos surtos da Covid, eles alertam para o surgimento de novas variantes, já que nem todos locais apresentam alta cobertura vacinal. Outro ponto também que chama a atenção é a baixa taxa de vacinação pediátrica, que pode contribuir para esse cenário.

Para reduzir a transmissão da doença e a evolução de quadros mais graves, epidemiologistas reforçam que é de suma importância tomar a dose de reforço, ou seja, a terceira dose. Mais fundamental ainda para idosos e pessoas com comorbidades. Para estes grupos, inclusive, em alguns municípios, como Rio de Janeiro e São Paulo, já está sendo aplicada a quarta dose de reforço há uma semana. Em Niterói, nada de quarta dose. Ao menos, por enquanto. O calendário para idosos acima de 80 anos será divulgado nesta semana, após anúncio pelas redes sociais da Prefeitura.

Enquanto isso, a medida de por fim a obrigatoriedade do uso de máscara tem gerado crítica por parte dos especialistas. O jornalista da Folha de S. Paulo, Vinicius Torres Freire, escreveu recentemente em sua coluna que há meses as pessoas administram uma espécie de fim para uma epidemia que não terminou.

Novas variantes

O médico Drauzio Varela assina em baixo e afirma que a medida foi adotada por razões políticas. Ele diz que a pequena trégua não deveria conduzir ao fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes de pouca ventilação, como é o caso dos locais fechados, já que elas se demonstraram como exímias barreiras de proteção, se bem vedadas e ajustas, como é o caso da PFF2 e da N95. Isso porque se trata de um vírus de transmissão respiratória, como o caso da gripe ou do resfriado, ou seja, por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar.

– Os aerossóis formados por gotículas minúsculas permanecem em suspensão no ar depois de exaladas por quem está infectado. Aspirar esses aerossóis invisíveis que flutuam por mais tempo em ambientes mal ventilados aumenta muito o risco de transmissão – ressaltou o médico.

E completa: – É pensamento mágico imaginar que não poderão aparecer variantes mais contagiosas que encontrarão terreno fértil entre os não vacinados ou os que não receberam o esquema vacinal completo, os imunodeprimidos e os que foram imunizados há mais tempo. Não seria mais sensato aguardarmos algumas semanas para ter certeza de que não haverá entre nós a disseminação da Covid que agora aflige asiáticos e europeus? Há tanta razão para tanta pressa? – indaga.

Na opinião de cientistas ainda não é possível calcular os efeitos da subvariante da Ômicron BA.2. A chegada do inverno, estação que propícia a disseminação do vírus, está a uma distância de três meses. Porém, é possível que a alta cobertura vacinal e a imunização adquirida por um grande número de infectados reduzam a gravidade da situação. Para isso, é necessária a aplicação da quarta dose em idosos, uma maior adesão de vacinação em crianças e a manutenção dos protocolos sanitários, como o uso de máscara.

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