Niterói por niterói

Pesquisar
Close this search box.
Publicado

Monólogo sobre liberdade sexual feminina terá única apresentação em Niterói

Por Sônia Apolinário
| aseguirniteroi@gmail.com

COMPARTILHE

Encenado por Juliana Martins, “O Prazer é Todo Nosso” tem como ponto de partida experiências da própria atriz
peça juliana martins
Peça será apresentada no Theatro Municipal. Foto: Divulgação

Uma mulher falando sobre sexo de forma livre ainda incomoda? Pode ser que sim, mas, dependendo da mulher e da forma como fala, pode fazer rir – e muito. É nisso que aposta a atriz Juliana Martins. Ela misturou “peripécias” dela e de amigas e criou o monólogo “O Prazer é Todo Nosso”, peça que fará única apresentação em Niterói, no próximo sábado (20), às 19h, no Theatro Municipal.

Leia mais: Bia Bedran, 50 anos de música e dedicação às crianças: “ser mãe é um ‘maravilhamento’!”

Sozinha no palco, Juliana assumirá o papel de Andreia Lima, “por acaso”, uma atriz. Por intermédio dela, “causos” vividos ou narrados por várias mulheres reais estarão em cena. Experiências da própria Juliana são o ponto de partida de tudo.

– Quando me separei, depois de ficar casada por muitos anos, o mais difícil foi passar pela desconstrução do antigo núcleo familiar. Depois, decidi que iria ficar com um monte de gente. E fiquei, namorei e ainda namoro. Quando contava minhas histórias para amigas e amigos, muitos se surpreendiam e todos riam. Aos poucos, fui percebendo que eu falava sobre coisas que aconteciam com muitas mulheres – conta Juliana.

Atualmente com 49 anos, ela se casou quando tinha 22 anos. Aos 26, teve sua primeira e única filha. Ficou casada por 17 anos. Como diz Juliana, na época em que as amigas estavam “pegando geral”, ela estava aninhada com marido e filha. Uma vez separada, decidiu que iria recuperar, não o tempo perdido, mas talvez, experiências perdidas.

Engana-se quem acha que sua primeira atitude foi baixar um desses aplicativos de encontros. Ela conta que nem chegou perto deles – simplesmente porque não precisou. Foi no chamado Baixo Gávea, na Zona Sul carioca, que ela encontrou todos os namorados que quis.

– Eu queria viver outras experiências e foi fácil ter isso. Acho que é porque sei o que quero. Conheço o homem que combina comigo. Isso porque, aos poucos, fui entendendo o que eu gosto – comenta a atriz.

Apesar da história da peça girar em torno de experiências femininas, ironicamente, foram dois homens que contribuíram, e muito, para o projeto acontecer. Primeiro, foi o ator Alexandre Borges, seu amigo, que estimulou que ela colocasse os, até então, relatos, no papel.

A partir daí, perceberam que o tema que estava em “jogo”, realmente, era a liberdade de ser. Foi nesse ponto, segundo Juliana, que a “potência” das histórias se mostrou.

Na hora de transformar os textos em uma peça de teatro, Juliana tentou, primeiro, cria-lo com outras duas mulheres. Porém, como ela diz, “não rolou”. Foi então que entrou em cena outro amigo, Beto Brown, que se tornou o autor da peça.

Juliana conta que não abriu mão de ser dirigida por uma mulher e convidou outra amiga, Bel Kutner, para a tarefa, por considera-la “forte e livre”. Nesse caso, “rolou”.

– Ainda existe o estigma de mulher que gosta de sexo não pode ser boa mãe ou boa profissional. Acredito que esse pensamento machista é uma característica bem brasileira. Penso que, em outros países, talvez a peça nem faça sentido. Falar com naturalidade sobre sexo e o que nos provoca prazer ainda é tabu. A peça mistura experiências, mas expressa a minha opinião. É um texto que se posiciona – afirma Juliana.

Quando a peça começou a se tornar realidade, a atriz fez questão que a filha fosse a primeira a ler o texto “para não levar sustos depois”. Com o sinal verde da filha, foi a vez do ex-marido tomar conhecimento do que iria para o palco.  Segundo Juliana, ele gostou e riu muito.

De tudo o que é falado em cena, temas como assédio e pedofilia são os que mais emocionam a atriz e continuaram a emocionar, mesmo depois de muitas apresentações. A peça ficou pronta em 2020. Criar uma versão online foi a forma que a atriz encontrou para driblar as restrições relacionadas com aglomerações impostas pela pandemia do Coronavírus e manter o projeto vivo.

Foi em setembro de 2021 que ela começou a fazer a peça com plateia, apesar do número de pessoas ser bem menor do que a lotação do teatro, ainda por conta da Covid. Agora, finalmente, ela encara o público, com a casa cheia, usando seu figurino de duas peças.

– Eu começo a peça dando boa noite para o público. A primeira vez que responderam, levei um susto, porque eu estava fazendo a peça online. Ao longo da apresentação o público fala comigo e eu me emociono a cada vez – conta Juliana.

Segundo ela, nas suas apresentações, a plateia é majoritariamente feminina. Os poucos homens no teatro, ela percebe que são “acompanhantes”. Talvez por isso, ela nunca passou por situação de constrangimento ou falta de respeito, apesar de “falar de piranhagem”, como ela diz.

– As mulheres têm que buscar a realização sexual porque seremos mais felizes assim. Tem que acabar essa relação entre sexo, culpa e pecado. Precisamos associar sexo a prazer de viver, entender que nosso corpo é uma festa. Sem culpas – afirma a atriz.

Serviço

O Prazer é Todo Nosso

Data: Sábado, 20 de maio, às 19h

Local: Theatro Municipal de Niterói – Rua Quinze de Novembro, 35, Centro

Ingressos pelo Sympla, a partir de R$ 30

 

COMPARTILHE