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‘Meu programa favorito’ em Niterói. As sugestões do fundador da Orquestra da Grota, o maestro Márcio Selles

Por Redação
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De tom em tom, o maestro Márcio Selles rege um belo concerto, que tem como cenário Niterói e seus encantos
espaço cultural da grota
Parte dos alunos da Orquestra da Grota, fundada por Márcio Selles. Foto: Reprodução/Internet

Niterói é um bom programa. Quem mora aqui conhece bem as atrações que a cidade oferece. Tantas que cada niteroiense tem seu roteiro favorito. Praias, trilhas, esportes, paisagens, fortalezas. Museus, feiras, bares, restaurantes… Qual seu roteiro para um fim de semana em Niterói? Para ampliar as opções do leitor, o A Seguir: Niterói estreou no início de julho a série de reportagens “Meu programa favorito”, convidando moradores da cidade a compartilhar seus lugares preferidos. Um mosaico das atividades que a cidade oferece, que pode surpreender, ao apresentar opções que pouca gente conhece. O último convidado foi o Bruno Marasco, chef de um restaurante tradicional da cidade, o Da Carmine, confira aqui.

Quem rege o percurso do roteiro desta semana, das notas mais afiadas, é o fundador da Orquestra da Grota, Márcio Selles. A Orquestra da Grota é um projeto de ação social na Grota do Surucucu que teve início na década de oitenta, quando Otávia Paes Selles, professora aposentada, resolveu ajudar as crianças da comunidade que apresentavam dificuldades na escola, proporcionando-lhes reforço escolar. Desde então, a Grota ficou reconhecida por mobilizar talentos, desenvolver habilidades e ampliar o universo de referências culturais em crianças, adolescentes e jovens das comunidades.

Confira abaixo:

Espaço Cultural da Grota

Projeto de ação social na Grota do Surucucu já transformou a vida de diversos talentos. Foto: Reprodução

O roteiro tinha que começar, é claro, com a Orquestra da Grota. Nada mais justo. Fundador do espaço, Márcio o conceitua como um local acolhedor com diversas atividades para crianças, jovens e adultos.

– O forte das atividades é a música! O espaço oferece aula de vários instrumentos e possibilita a experiência de práticas musicais em grupo como orquestra de cordas, flautas, percussão. Fica dentro da comunidade da Grota do Surucucu e é fácil de chegar. É só seguir o som.

  • Parque da Cidade de Niterói
Vista disputada na pista de pouso do Parque da Cidade. Foto: Amanda Ares

É uma das melhores vistas da cidade. De lá de cima é possível apreciar toda a Região Oceânica de um lado e do outro Jurujuba, Charitas, São Francisco, Icaraí e até a Boa Viagem, além do Rio que fica logo em frente. Tem ainda umas trilhas super legais. Subo lá com frequência.

O Parque da Cidade fica no bairro de São Francisco em Niterói. Não há ônibus que leve os turistas até o local, a subida pode ser realizada partindo do Bairro de São Francisco ou pelo Largo da Batalha. É possível subir de veículos particulares, de bicicleta ou a pé. O local é o xodó de Niterói. De lá se avista as praias oceânicas, entre elas: Piratininga, Itaipú e Camboinhas.

Ônibus que passam nas proximidades, como o 38, 38A e 46, partem do Terminal Próximo da Estação das Barcas. Para chegar ao Parque da Cidade, uma boa opção é descer do ônibus em São Francisco, na Avenida Presidente Roosevelt, nas proximidades da Rua Goitacazes, e caminhar pela mesma em direção ao parque da cidade.
  • Theatro Municipal de Niteroi
Camarote do Theatro Municipal de Niterói. Foto: Prefeitura de Niterói

Um teatro espetacular, acolhedor e democrático. Tem uma programação incrível e uma manutenção impecável. Não canso de admirar.

Um breve histórico

O teatro é citado pelos historiadores como um dos marcos inaugurais do teatro brasileiro. Desde 1827, funcionava, no local, uma pequena casa de espetáculos administrada pela Sociedade Filodramática da Praia Grande. O imóvel, em 1842, foi adquirido por João Caetano. Este ator, então, reformou a casa e a transformou em Teatro Santa Tereza, em homenagem à futura imperatriz brasileira Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias. João Caetano explorou o teatro até sua morte em 1863. Em sua homenagem, em 1900, a Câmara Municipal de Niterói mudou o nome do teatro para Teatro Municipal João Caetano. O prédio foi tombado em 1990 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

  • Centro de Artes da UFF
O Centro de Artes UFF é um complexo cultural localizado na Rua Miguel de Frias em Icaraí. Foto: Reprodução/Internet

Um complexo cultural completo! Tem cinema, teatro, galeria de arte, fotografia e grupos de musica, como a Orquestra Sinfônica, Quarteto de Cordas e o Musica Antiga que mantém grande parte da vida musical da cidade.

Como polo de produção e difusão cultural realiza programas voltados para todas as manifestações artísticas. Exposições, shows, concertos, ciclos cinematográficos, peças teatrais e apresentações diversas promovem uma verdadeira e produtiva interação artístico-cultural da UFF com a comunidade.

Na área de música, o Centro de Artes UFF conta com formações próprias que pesquisam e difundem os vários estilos: Sinfônico, com a Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense, medieval e renascentista, com o conjunto Música Antiga da UFF; clássico e contemporâneo, com o Quarteto de Cordas da UFF e a vocal, com o Coral da UFF, da qual Márcio faz parte.

O Centro de Artes UFF, que recebe anualmente um público estimado em 120 mil pessoas, tem investido sempre no melhor para seus espectadores, consultando-os, através de pesquisas de opinião para o planejamento e desenvolvimento de suas atividades. Em 1994, recebeu da Fundação Cesgranrio o Prêmio Qualidade Cultural, na categoria Cultura no Âmbito da Educação, pela excelência de sua programação.

Caminho Darwin

O Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), retomou as atividades no ano passado em um dos seus principais atrativos: a trilha Caminhos de Darwin. Respeitando todas as medidas de higiene e distanciamento físico por conta da pandemia, a unidade de conservação volta a receber grupos de visitantes interessados em percorrer o trecho mapeado pelo famoso naturalista em 1832.

Atualmente é possível refazer o mesmo trajeto bucólico por um caminho de terra de 2 km mapeado por Charles Darwin, que corta de Oeste a Leste a Serra da Tiririca pelo vale formado com as encostas do Morro da Serrinha, interligando Niterói a Maricá. O local não estava recebendo visitantes devido à pandemia do novo coronavírus.

Segundo Márcio, a trilha é super interessante. Ele conheceu recentemente e se encantou por ela. Começa no Parque Rural de Niterói e vai até a Fazenda Itaocaia onde o Darwin ficou hospedado em 1832.

– A EcoArte promove com frequência plantio de arvores nativas e recuperação das nascentes. Vou voltar outras vezes – diz.

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