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Ao custo de R$ 73,6 milhões, a prefeitura de Maricá comprou dez projetos inéditos do arquiteto Oscar Niemeyer. Com essa inciativa, o município pretende se tornar a segunda cidade brasileira com mais obras do arquiteto, depois da capital federal, Brasília. No momento, esse “posto” pertence a Niterói.
Por enquanto, Maricá possui uma obra de Niemeyer, que é a Casa Darcy Ribeiro. Quando os projetos saírem do papel, a cidade terá 11 ou 13. Isso porque, a prefeitura já informou que ainda pretende comprar mais dois projetos do arquiteto. Os já adquiridos vão de quiosque a um estádio de futebol, passando por um hotel.
São eles:
Monumento à Paz – símbolo de união e harmonia entre os povos.
Centro Administrativo de Maricá – futura sede do governo municipal.
Centro de Convenções de Maricá – espaço multiuso para eventos, congressos e feiras.
Teatro Ballet de Cuba – parceria com a companhia cubana, voltado para formação e apresentações artísticas.
Estádio João Saldanha – arena esportiva para 30 mil pessoas.
Hotel Maricá – empreendimento que une turismo e design.
Museu de Arte de Maricá (MAR) – espaço dedicado às artes visuais e exposições.
Memorial João Goulart – homenagem ao ex-presidente deposto pelo golpe militar de 1964.
Quiosque – Orla Maricá – equipamento urbano para lazer e convivência.
Teatro Municipal de Maricá – dedicado à produção cultural local e espetáculos nacionais e internacionais.
Os outros dois projetos que a prefeitura ainda pretende comprar são um aquário e um santuário em homenagem a São Padre José de Anchieta que, reza a lenda, promoveu um milagre na cidade.
De acordo com a prefeitura de Maricá, a aquisição dos projetos “reforça a estratégia de transformar Maricá em um polo global de turismo arquitetônico e cultural, atraindo visitantes do Brasil e do mundo, além de impulsionar a economia local por meio da valorização do patrimônio arquitetônico”.
– O turismo de impacto arquitetônico não apenas reforça a identidade cultural de Maricá, mas também impulsiona a geração de empregos privados na cidade – afirmou o prefeito Washington Quaquá.
A iniciativa de Maricá segue passos dados por Niterói. A cidade tem, atualmente, um conjunto de equipamentos culturais projetados por Niemeyer, o Caminho Niemeyer, do qual faz parte a obra que se tornou o principal cartão postal do município, o Museu de Arte Contemporânea.
No caso de Niterói, as obras foram assinadas pessoalmente pelo arquiteto (Rio de Janeiro, 1907-2012) cujo escritório se mantém em atividade, em Copacabana, no Rio de Janeiro, Foi lá, na sexta-feira (28), a assinatura da compra dos projetos pela prefeitura de Maricá.
A ideia de usar obras de Niemeyer para projetar Niterói no cenário nacional e internacional foi do então prefeito Jorge Roberto Silveira, atualmente com 72 anos. Graças a isso, a cidade tem, dentre outras coisas, uma estação hidroviária assinada pelo arquiteto: a de Charitas.
A estação é o “ponto final” do Caminho Niemeyer. O complexo, com 11 Km de extensão, percorre a orla de Niterói, até o Centro, passando pela Boa Viagem, onde fica o icônico prédio do MAC.
Ao longo do percurso, ainda se encontram o Museu do Cinema, que compõe o Centro Petrobras de Cinema, na área do Reserva Cultural, em São Domingos; a Praça JK (próxima à estação Arariboia das barcas) e o Teatro Popular. O grande espaço cultural debruçado na Baia de Guanabara, também chamado Caminho Niemeyer, ainda terá dois templos cujos projetos também são originais do arquiteto.
O projeto do Caminho Niemeyer se tornou uma verdadeira obsessão de Jorge Roberto Silveira. Com ele, o então prefeito buscava revitalizar a orla da cidade, principalmente, na parte central.
Mas não só isso. Os projetos de Niemeyer teriam um objetivo ainda maior, para além de se tornarem atrações turísticas da cidade: deveriam recuperar a própria autoestima de Niterói, perdida com a fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro. Ao deixar de ser capital do estado, a cidade perdeu poder político e a própria identidade.
As construções das obras que fazem parte do Caminho Niemeyer começaram em 2002. Juntas, até o momento, formam o segundo maior conjunto arquitetônico assinado por Niemeyer, depois de Brasília.
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