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O anúncio foi feito pela Prefeitura de Niterói na sexta-feira (21): o município vai fazer obras no Caio Martins, para a construção de um “piscinão”, para a drenagem das águas da chuvas que costumam alagar o entorno do Caio Martins, em Icaraí. A nota dizia mais: que, com a derrubada das arquibancadas, no lugar do estádio abandonado passará a existir um parque público, ‘com quadras de futebol, vôlei, basquete, tênis e academias de ginástica’.
Só que faltou combinar com os russos, para manter o assunto no campo esportivo, lembrando Mané Garrincha ao receber instruções do técnico Vicente Feola para driblar toda a defesa dos russos. O Caio Martins está na gestão do estado. E segundo a Secretaria Estadual de Esportes, o governo do estado é que vai definir o futuro do estádio, depois das obras de drenagem.
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Consultada pelo A Seguir Niterói, a secretaria informou: “A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer esclarece que o Estado é o gestor do Caio Martins e vai permanecer gerindo o espaço. De antemão, o governo se coloca à disposição e como parceiro da prefeitura de Niterói para sanar o problema de alagamento histórico na região. No entanto, qualquer assunto relacionado ao equipamento cabe ao Governo do Estado definir. Hoje, o complexo esportivo está em funcionamento, oferecendo diversas atividades à população.”
Ao final do dia, a prefeitura, alinhou o discurso, ao responder a perguntas do A Seguir Niterói sobre o detalhamento do projeto do parque esportivo. Informou em nota:
“A Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (ION) informa que concluiu o projeto básico que prevê a realização das obras de macrodrenagem nas ruas Lopes Trovão e Presidente Backer e de microdrenagens em um quadrilátero delimitado pelas ruas Paulo César, Santa Rosa, Mariz e Barros e a Avenida Roberto Silveira.
A licitação para contratar a empresa que executará as obras será lançada ainda no primeiro semestre deste ano, e só após concluído esse processo será possível definir prazos futuros.
Em relação à instalação de um equipamento de lazer no local, é necessária a abertura de um novo processo visando a elaboração de um projeto específico para essa obra.”
Não é a primeira vez que Estado e Prefeitura disputam território. Aconteceu também recentemente com a tarifa das barcas, depois que a Niterói financiou a redução das tarifas do Catamarã de R$ 21 para R$ 7,70. Uma semana depois, a Secretaria Estadual de Transportes resolveu baixar também as tarifas da barcas da estação Arariboia para a Praça XV, de R$ 7,70 para R$ 4,70. A decisão vai ficar para mais tarde – e difícil de prever, em ano eleitoral.
A construção de um parque naquele no lugar do campo de futebol do Caio Martins foi discutida, pela primeira vez, em setembro de 2023. Naquela época, a prefeitura de Niterói estava realizando oficinas participativas relacionadas com o então Projeto de Lei Nº 00161/2022, a Lei do Gabarito, que viria a ser aprovada em março do ano seguinte.
O parque “salvou” a área do Caio Martins de ter parâmetros de construção de até 11 pavimentos, como chegou a ser cogitado. Na época, um fantasma aterrorizava os moradores do entorno do complexo esportivo: havia boatos que um shopping seria construído no local.
O fantasma saiu de cena um mês antes da proposta do parque ser um dos 40 itens incorporados ao texto do PL. Em uma audiência pública realizada justamente para discutir o futuro do Caio Martins, o secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Picciani, afirmou categoricamente que, na área onde fica o complexo esportivo não seria construído shopping ou prédio.
Ele, porém, deixou em aberto a possibilidade de uma rua vir a passar pelo meio do Caio Martins. A rua em questão é a Nóbrega, que seria prolongada para passar pelo meio do Caio Martins até encontrar com a Presidente Backer. O objetivo seria facilitar o acesso à rua Gastão Gonçalves, onde poderia vir a ser construído um novo túnel, ligando os bairros de Icaraí e São Lourenço.
A proposta de criação da rua e do túnel partiu da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi Niterói), em uma das oficinas em que se discutiu o PL 00161/2022.
Na audiência pública, o secretário Rafael Picciani disse que a ideia da rua era “factível” e que seria avaliada junto com outras propostas que, segundo ele, estavam sendo feitas para o Caio Martins.
Sobre o futuro do complexo esportivo, a nota da secretaria de estado de Esporte e Lazer acrescentou:
“Vale ressaltar que, até o momento, o que se tem definido é a cessão do espaço do campo temporariamente para que a prefeitura realize a obra de macrodrenagem, que ainda não teve um prazo para início apresentado pelo município. As próximas etapas serão traçadas a partir do começo das obras”.
Antes do parque, a empreitada da prefeitura será a construção de um reservatório subterrâneo com capacidade para armazenar 80 milhões de litros de água. Com esse “piscinão“, a ser feito no terreno onde hoje se encontra o campo abandonado do Caio Martins, a prefeitura pretende resolver o antigo problema da cidade: os alagamentos no entorno do complexo esportivo.
A drenagem dessa região é estratégica para a cidade. Além de acabar com os transtornos provocados para os moradores por chuvas fortes, ter a área livre de enchentes é fundamental para a implantação do VLT que está sendo planejado pelo governo municipal.
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