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Estado do Rio de Janeiro já atravessou cinco ondas de Covid

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
A quinta delas, causada pela variante Ômicron, foi a de maior incidência de casos, mas a de menor número de internações e óbitos
internação covid
Foto: Divulgação

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou um boletim epidemiológico dos casos de Covid no Estado do Rio, que propõe uma análise das cinco ondas da Covid e a história dos ciclos da doença com o suporte de gráficos. A edição do boletim contempla o total de casos confirmados de Covid-19 de residentes no estado do Rio de Janeiro e suas nove regiões de saúde, incluindo os de Síndrome Gripal (SG) ou casos leves, as internações ou casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e os óbitos ocorridos desde o início da pandemia, em 2020, até o dia 26 de fevereiro de 2022 (8ª Semana Epidemiológica).

Leia mais: Coronavírus continua a circular no estado do Rio; número de casos voltou a aumentar

De acordo com o boletim, o cenário atual da Covid-19 no estado do Rio de Janeiro retornou aos números mais baixos, após a passagem da onda causada pela variante Ômicron. Embora essa variante tenha gerado a maior curva de casos já observada desde o início da Pandemia, foi a menor onda de internações por SRAG-COVID-19 e óbitos por Covid-19.

Todas as regiões do estado sofreram o efeito da variante Ômicron. A Região Norte, porém, foi a única com um padrão diferenciado, em que o número de casos da 5ª onda não superou as anteriores.

Desde o início da pandemia, a onda causada pela variante Gama (P1) foi a que apresentou a maior duração, iniciando no final de fevereiro e se mantendo até junho de 2021, refletindo também na maior incidência de SRAG (315,8 por 100 mil/hab) e também maior taxa de mortalidade (115 por 100 mil/hab).

Vacina é a resposta

Por outro lado, a onda causada pela Ômicron (BA.1), que predominou em janeiro de 2022, foi a que apresentou a maior incidência de casos de Covid-19 e a menor incidência de internações por SRAG e de mortalidade. A ampliação da cobertura vacinal é um fator importante que explica a redução da incidência de internações e mortalidade observadas desde a 4ª onda, causada pela Delta (A.Y.99.2), assim como na 5ª onda, causada pela Ômicron.

Em janeiro de 2021, a mortalidade entre os não vacinados com a 1ª dose internados foi 60% maior que a dos internados com as 2 doses. Esse resultado também reforça a importância da vacina para redução dos casos graves e da morte por coronavírus.

O histórico das ondas de Covid

Série histórica de casos confirmados de Covid-19, segundo semana epidemiológica de início de sintomas no estado do Rio de Janeiro, período de 2020 a 2022

Na 1ª onda, ocorrida entre os meses de abril e maio de 2020, houve o predomínio da variante B.1.1.33, não considerada como variante de preocupação (VOC) e já encontrada em todos os continentes do mundo. Na 2ª onda, presente entre os meses de novembro de 2020 e janeiro de 2021, houve predomínio da P.2 (Zeta), considerada uma variante de interesse (VOI) identificada primeiramente no Rio de Janeiro e, depois, nos demais estados.

A 3ª onda veio logo a seguir, com início no fim de fevereiro de 2021, devido à entrada da variante P.1 (Gama), detectada primeiro em Manaus e, depois, no restante do país. Esta foi a onda com a maior duração, com cerca de quatro meses: entre o período de fevereiro e junho de 2021.

Em agosto de 2021, houve um novo aumento de casos, que provocou o surgimento da 4ª onda, porém com menor intensidade, apesar da chegada e do predomínio da variante A.Y.99.2 (Delta).  A 5ª onda foi a que apresentou a curva mais elevada de casos, com a identificação e predomínio da variante BA.1 (Ômicron), no período de dezembro de 2021 a janeiro de 2022. Embora tenha sido a maior onda de casos já vivenciada, representou o menor número de internações e óbitos, refletindo a efetividade da vacinação contra a Covid.

Internações por Covid-19

A 3ª onda foi o período de maior gravidade, quando se registrou o maior número de casos graves (SRAG): 55.150 (29,8%). O estado chegou a apresentar novo aumento na curva de casos SRAG (4ª onda), com mais de 2 mil notificações por SE, porém, o aumento não se manteve, a despeito do predomínio da variante Delta: houve registro somente de 6.772 casos de SRAG por COVID-19 (3,7%).

No final de dezembro de 2021, a 5ª onda de transmissão de Covid-19 começou no estado, porém não foi possível observar um aumento semelhante nos casos de SRAG, com o menor número (4.607; 2,5%) se comparado com as demais ondas da pandemia.

Desde o início da pandemia em 2020, foram notificados 184.830 casos de SRAG por Covid-19 no estado do Rio de Janeiro e o período de 28/02 a 12/06 de 2021 (3ª onda) destacou-se tanto por ter apresentado o maior número de internações (55.150) quanto por ter se sustentado durante mais tempo (15 semanas epidemiológicas).

Óbitos por Covid-19

Desde o início da pandemia em 2020, foram notificados 71.060 óbitos de SRAG por Covid-19, no estado do Rio de Janeiro –  (mortalidade 406,9 óbitos por 100 mil habitantes). Durante as cinco ondas da pandemia, a 3ª (SE 09 a 23 de 2021) destacou-se das demais por ter apresentado o maior número de óbitos (20.079).

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