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Em tempos de variante Ômicron e Influenza, saiba como se proteger da Covid-19

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica Mellanie Fontes Dutra explica a importância do uso de máscara, de se fazer testes, a melhor combinação de vacinas e dá dicas sobre distanciamento
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Especialistas alertam para reforço de cuidados com a nova onda de contágio da Covid. Foto: Divulgação Prefeitura de Niterói

Com a onda de contágio devido à maior flexibilização das pessoas, às festas de fim de ano e à maior transmissibilidade de variantes em ascendência como a Ômicron, os especialistas na área de saúde alertam: boa cobertura vacinal, máscaras com alto grau de eficácia e bem ajustadas ao rosto tipo pff2, além de distanciamento social, é a combinação mais eficaz para se proteger contra contaminações em tempos de pandemia de Covid-19.  A testagem em massa também se demonstra uma ótima ferramenta de redução da disseminação do vírus. Não por acaso, Niterói, assim como outros municípios do Brasil, vive uma alta da procura por testes em farmácia.

O A Seguir: Niterói mostrou nesta segunda-feira (3) que a procura por testes de Covid em farmácias de Niterói disparou nos últimos dias. Moradores relataram dificuldade para marcação de exames e pouca disponibilidade de testes em drogarias. Das seis de algumas das principais farmácias da cidade, consultadas nesta segunda, apenas duas estavam realizando o teste de Covid. Na drogaria Venâncio, na Rua Paulo César, em Icaraí, a realidade retrata o que se já suspeitava: em uma única unidade da rede, foram realizados cerca de 40 testes por dia. Muitos atribuem a alta dos casos aos encontros em datas festivas como o Natal e o Ano Novo e a presença de variantes mais contagiosas em circulação. Especialistas alertam que os cuidados devem ser os mesmos do início da pandemia da Covid-19 e reforçam as medidas que devem ser seguidas à risca com o novo boom de casos.

O A Seguir: Niterói conversou com a coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica Mellanie Fontes Dutra, para sanar algumas das dúvidas mais recorrentes quanto às políticas de enfrentamento da pandemia do coronavírus. A Rede é uma organização sem fins lucrativos, formada por pesquisadores e profissionais de saúde, com o objetivo de divulgar dados relacionados com Covid-19.

Confira as orientações:

A Seguir: Niterói: Muitas pessoas confundem os sintomas gripais com a nova variante da Covid. Por isso, é tão importante o teste. Qual é a sua opinião sobre a política de testagem e quais são as principais diferenças entre os sintomas provocados pelas variantes Delta e Ômicron e o vírus da gripe?

Mellanie Fontes: Ainda não sabemos exatamente se essas variantes podem gerar alguma sintomatologia diferente entre si. Muitos sintomas são sobrepostos com os vistos pela infecção via influenza. Por isso, é assertivo orientar que, se a pessoa apresentar qualquer sintoma gripal, que realize o teste adequado (PCR ou antígeno) para verificar se pode ser infecção pelo vírus da Covid-19. Quanto à política de testagem, é extremamente necessário que seja investida e estimulada, pois é com essa testagem em massa e com agilidade que podemos orientar as pessoas a evitar uma cadeia de transmissão do vírus. Talvez a Ômicron gere uma sintomatologia mais ligada ao trato respiratório superior já que parece acometer menos os pulmões.  Porém, de qualquer forma, a recomendação é: tem sintoma gripal? Teste e isole-se!

A Seguir: Niterói : Quantos dias de isolamento são necessários?

Mellanie Fontes: O teste deu positivo? Cumpra o período de isolamento e quando os sintomas passarem- 14 dias sem sintomas ou um teste negativo – já pode ser oferecida uma orientação para a saída do isolamento. Cada pessoa pode ter uma infecção que dure de forma diferente. Eu posso passar 1 mês até ter um resultado negativo. Outra pessoa pode levar 13 dias. A recomendação não serve para nós duas. Transcorridos os 14 dias sem sintomas, estaria já com a infecção possivelmente resolvida. Ou até ter um resultado de antígeno negativo, porque daí as chances de transmissão são baixas por provavelmente ter resolvido a infecção.

A Seguir: Niterói : Muitas pessoas estão testando positivo para Covid, nos últimos dias, sem contar com os falsos negativos. Isso ocorre por conta do teste que a pessoa escolhe, o período ou os dois?

Mellanie Fontes: Os dois. O teste tem que ser bom, bem feito e no período adequado. Caso contrário, há chances de resultados incompatíveis com a realidade.

A Seguir: Niterói : Há quem compare os riscos de contrair o vírus usando máscara pff2 em um ambiente de aglomeração e os riscos de ficar sem máscara em um ambiente aberto. O que pensa sobre isso?

Mellanie Fontes: Que as proteções vão reduzir ainda mais os riscos se combinadas. Não adianta estar num ambiente ao ar livre, sem máscara, mas com aglomeração. A máscara em uma aglomeração vai reduzir muito o risco, mas se todos estiverem de máscara nesse amontoado de gente, os riscos são menores (isso pensando em situações tipo um ônibus, em que às vezes aglomerações não podem ser evitadas). Além de todos estarem de PFF2 bem ajustadas, janelas abertas ajudam na ventilação também. Máscaras PFF2 reduzem muito o risco de infecção, especialmente se todos estiverem usando, em comparação com a cirúrgica, porque o ajuste é importante. Apenas o distanciamento social sem o uso de máscara está associado a um risco muito alto de infecção, especialmente em situações em que o contagioso está falando. Para isso, o clipe nasal deve estar bem ajustado para garantir a vedação. Um dos elásticos deve passar por cima da orelha e o outro, por baixo. A máscara deve estar bem vedada na parte de baixo sem vazamento de ar. Se for usar duas máscaras, é importante não colocar nenhuma entre o rosto e a PFF2, porque prejudica a vedação.

A Seguir: Niterói : E o distanciamento?

Mellanie Fontes:  No caso de duas pessoas em um ambiente compartilhado, sem máscara; se uma estiver contaminada com Covid-19 e começa a tossir numa distância de 2 metros há risco. Uso de máscaras, boa ventilação do ambiente e a vacinação são estratégias que, somadas ao distanciamento, protegem muito. Pesquisadores de Cambridge (UK), a partir de simulações, avaliaram as distribuições estatísticas da posição e do tamanho das gotas que evaporam após uma tosse. Verificou-se que há grandes variações na distribuição espacial das gotas, mesmo considerando um distanciamento. O principal resultado: a distribuição das gotas sugere que, na ausência de coberturas faciais, uma tosse desprotegida não é segura a 2 metros de distância do emissor, mesmo ao ar livre. A tosse de uma pessoa contaminada e que não usa máscara pode emitir gotículas maiores, que logo caem em superfícies próximas. Mesmo estando num estádio, numa feira ao ar livre, compartilhando ambientes ao ar livre, é relevante que a gente some ao distanciamento físico o uso das máscaras. Use outros parâmetros para fazer escolhas inteligentes e seguras: tipo de local, proximidade e tempo de permanência.

A Seguir: Niterói: Sendo assim, quais são os cuidados que devem ser tomados em relação à nova variante? É seguro comer em restaurantes abertos, ir ao cinema, teatros e shows usando máscara? E a praia, quais são os riscos reais?

Mellanie Fontes: Os cuidados são os mesmos para qualquer variante: evitar exposição, usar máscara PFF2, somado ao distanciamento e à preferência por ambientes abertos e bem ventilados, além da vacinação e da completude de seu esquema vacinal com o recebimento da dose de reforço. É importante destacar que não existe risco zero em biossegurança. Precisamos entender os riscos e reduzi-los ao máximo. Se for a um restaurante, prefira ficar no ambiente aberto, atente-se para o distanciamento entre as mesas, para no momento de comer, evitar uma possível exposição. Se for sair, prefira ambientes abertos ou que tenha uma boa ventilação. Entenda que, mesmo estando num ambiente aberto, isso não libera o uso da máscara. Temos casos de contágio em ambientes abertos de pessoas sem uso de máscara. Os cuidados devem ser somados, para reduzir ainda mais os riscos.

A Seguir: Niterói: Em relação à intercambialidade das vacinas, há comprovação de que é mais recomendado tomar um imunizante diferente dos anteriores na dose de reforço?

Mellanie Fontes: Tanto os regimes homólogos quanto heterólogos trazem benefícios e são seguros. É importante seguir as orientações da Anvisa e do MS, que estabelece o seguinte: quem tomou Pfizer, Astrazeneca ou Coronavac, deve receber a terceira dose preferencialmente Pfizer (na ausência, é possível vacinar com uma vacina aprovada disponível); quem tomou Janssen deve receber a segunda dose preferencialmente Janssen.

A Seguir: Niterói: A dose de reforço deve ser tomada no intervalo de quatro meses ou é melhor esperar o intervalo original devido à redução da eficácia?

Mellanie Fontes:  É possível tomar entre 4-5 meses conforme as recomendações atuais.

A Seguir: Niterói: O carnaval ainda está incerto. Porém, caso se concretize, o que pode acontecer com o estado do Rio de Janeiro?

Mellanie Fontes: Um surto de novos casos que pode acarretar uma pressão sobre o sistema de saúde, fora as possíveis consequências mais reservadas em se tratando de pessoas vulneráveis e/ou não vacinadas.

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