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Clube Sailing terá regata exclusivamente feminina na véspera do Dia das Mães

Por Livia Figueiredo
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Neste sábado (30) será realizado um treino no clube que poderá ser acompanhado pelo público
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As velejadoras Sheila e Margrete Schmidt / Foto: Acervo RYC

Uma regata exclusivamente feminina será realizada na véspera do Dia das Mães, no próximo sábado, 7 de maio, no clube Sailing, na Estrada Fróes. O evento retoma um marco da cidade: a primeira regata exclusivamente feminina do Brasil ocorreu em Niterói. O feito foi em 1921, organizado pelo próprio Sailing ou Rio Yacht Club. Na época, as velejadoras não tinham a dimensão da relevância desse dia para a história da vela. O que elas sabiam é que as mulheres ainda não tinham muita representatividade e, muito menos, oportunidade de participar de um esporte, até então, protagonizado por homens.

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Quem escreveu as linhas dos próximos capítulos da história foi Cida, do Clube Naval, grande entusiasta e incentivadora da vela feminina. Falecida há dois anos devido a um câncer de mama, agora quem resgata um pouco dessa história, apostando no potencial das mulheres na vela é a velejadora e ambientalista Andrea Grael, mãe da bicampeã olímpica, Martine Grael. O evento, que costumava ser realizado próximo ao Dia das Mulheres, no Clube Naval, em Charitas, mudou de data e de local. A ideia é homenagear não só as mulheres, como também as mães.

Andrea Grael conta ao A Seguir: Niterói quais foram os principais desafios para colocar de pé um projeto como esse e qual a importância de trazer à tona, nesse momento, uma regata composta apenas por mulheres.

O principal objetivo, segundo ela, é colocar o maior número possível de mulheres na água para velejar e não incentivar a competição. A ideia é que seja um divertimento, “sem perder a seriedade que um evento de regata abarca”. Podem participar mulheres com mais experiência, como também as iniciantes ou apenas curiosas. A largada será às 12h50, em um percurso que  deve durar 1 hora e meia. São duas possibilidades: pela enseada de São Francisco ou por toda a orla de Niterói – a ser decidido de acordo com as condições do vento, no dia. O evento é aberto a todo o público. Mulheres de outros clubes também são bem vindas. Quem vencer irá receber um copo com os dizeres do clube.

– Comecei a provocar os clubes, a contactar as meninas, a incentivar a galera e montei um grupo do WhatsApp. O Sailing é tradicionalmente masculino e oriundo de uma época em que a vela era proibida de ser praticada pelas mulheres, porque era um esporte considerado masculino. Com o tempo, o esporte acabou se tornando um clube do bolinha. Mas, aos poucos, as coisas foram tomando outro rumo e agora nós temos o jargão: “O lugar da mulher é em qualquer lugar”. Nós temos que tirar esse estigma de que as mulheres só entram no barco a passeio – comentou.

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De fato, o clube carrega nomes de peso: além da bicampeã olímpica Martine Grael, também recebeu a nova geração de velejadoras como a também medalhista, Isabel Swan, a Cacau Swan e a própria Andrea Grael, que também veleja no clube há anos.

O preparo veio antes, com a ajuda de um dingue, pequeno barco veleiro de fácil manuseio e acessível ao público iniciante.

– Eu comecei a chamar as mulheres para velejar junto comigo. A gente saía de dingue e eu ensinava elas a velejarem e, de repente, as mulheres começaram a descobrir que velejar era um esporte legal para caramba. Ainda assim não praticavam muito porque, geralmente, quem têm os barcos são os homens. São poucas as mulheres que têm barcos – ressaltou.

Neste sábado (30) será realizado um treino no próprio Sailing. A ideia é passar instruções, como devem se posicionar a bordo, para não ficarem vulneráveis em algumas manobras e saberem o momento certo da mudança do lado da vela.

– Muitas mulheres estão encantadas com a ideia. Eu conheci uma dermatologista que nunca tinha velejado e ela ficou fascinada quando velejou. Há pessoas que só descobrem o esporte praticando. Quando pica a mosquinha, já era – conclui.

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