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Blocos engajados defendem causas sociais no Carnaval de Niterói

Por Gabriel Mansur
| aseguirniteroi@gmail.com

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Blocos “Não é Não” e “Tamo no Osso” levantam bandeiras na luta contra o assédio e em prol da doação de medula óssea
Bloco Tamo no Osso entra na avenida em março. Foto: Divulgação
Bloco Tamo no Osso entra na avenida em março. Foto: Divulgação

Nem só de samba, confete e serpentina sobrevive o Carnaval de Niterói. Para alguns, a festividade vai muito além de diversão e beijo na boca. Além de exibir estandartes, grupos levantam bandeiras em nome de uma causa, seja na luta contra o assédio ou em prol da doação de medula óssea. Dois exemplos são os blocos “Não é Não” e o “Tamo no Osso“.

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Com o enredo da sororidade e do empoderamento feminino, o bloco “Não é Não” surgiu há quatro anos, em 2019, com objetivo de dar visibilidade aos assédios e abusos sexuais que ocorrem frequentemente durante o Carnaval. Também visa conscientizar os homens que não existe uma “permissão” para tocar no corpo feminino, em nenhuma hipótese, e que a festividade não é uma exceção.

– É um momento de alegria, mas também de conscientização para que nós mulheres possamos ter uma vida livre de assédio, seja no carnaval ou fora dele. A mulher tem o direito de participar da maior festa popular sem ser assediada, importunada e constrangida – destacou Fernanda Sixel, representante voluntária da Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres (Codim).

Bloco Não é Não é atração nesta quinta, na cidade. Foto: Divulgação

O bloco entra na “avenida” nesta quinta-feira (16), às 17h, na Praça do Rink, no Centro de Niterói. Haverá um minitrio elétrico, com a presença da DJ Ellen Kellen, e também uma bateria formada só por mulheres, que ficará por conta do bloco “Saias na Folia”.

A aderecista Wyna Castanheira fará arcos e brincos que serão distribuídos gratuitamente às folionas. Elas também vão receber os adesivos “Não é Não” e ventarolas com a frase do bloco.

Tamo no Osso

Já o bloco “Tamo no Osso” visa chamar a atenção para a importância de doar sangue e medula óssea. A idealizadora  Raquel Mello decidiu criá-lo após ter sido transplantada, em setembro de 2018, por conta de uma leucemia.

O desfile, que está agendado para o dia 11 de março, no Reserva Cultural, em São Domingos, agrega transplantados, enfermeiros, doutores e todos os membros da equipe multidisciplinar de médicos que, segundo ela, foram essenciais para o sucesso do seu tratamento.

Raquel explica ainda que o próprio nome do bloco, criado em parceria com a amiga Claudia Soares, também transplantada, é didático.

– O nome veio de inspiração em um exame de mielograma da Claudia, o que foi mais que perfeito e didático. Todo mundo que não entende pergunta o porquê do nome. E ele é a bola levantada para dizer que: “a medula está no osso e não na coluna como todo mundo pensa. Então não tem que ter medo de doar – explicou – Além da alegria e cores de Carnaval, o intuito é levar esse assunto tão sério de uma forma mais leve e, assim, conseguir propagar essa causa até no Carnaval. Estaremos sempre divulgando muitas informações sobre transplante de medula óssea, campanhas para cadastro e sobre o nosso bloco.

Doação de medula

O transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pacientes que tenham doenças relacionadas à fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico. O paciente precisa fazer um tratamento que destruirá a sua própria medula, receberá as células da medula sadia de um doador ou também podem ser da sua própria medula.

No segundo caso, essas células serão retiradas antes do tratamento e congeladas para serem usadas depois (o chamado transplante autólogo), ou podem ser retiradas do sangue do cordão umbilical (em caso de doação aparentada ou retirada de células dos Bancos Públicos de Sangue de Cordão).

No Brasil, há cerca de 5,6 milhões de doadores cadastrados no Registro Brasileiro de Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

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