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Trânsito de Niterói dá nós que travam também a qualidade de vida do morador da cidade

Por Camila Araujo
| aseguirniteroi@gmail.com
Avenidas Roberto Silveira e Quintino Bocaiúva despontam como os engarrafamento mais críticos para a população da cidade
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Trecho Roberto Silveira-Miguel de Frias é um dos maiores gargalos do trânsito de Niterói. Foto: Reprodução App NitTrans

Quando precisa ir trabalhar  na Zona do Sul do Rio, Ana Luísa Vasconcellos, moradora de Itaipu, sabe que terá uma dor de cabeça pela frente, que atinge quem circula de carro, ônibus ou moto por Niterói: o engarrafamento. Os congestionamento diários em pontos importantes do tráfego na cidade, que “roubam” até horas diárias da vida de trabalhadores e estudantes, acabam reduzindo a percepção de boa qualidade de vida que a cidade poderia oferecer.

Para Ana Luíza, por exemplo, desde a inauguração das  obras do BRT da Região Oceânica,  o fluxo melhorou para quem vem da Região Oceânica, mas apenas até Charitas. Aí afunila e, quando chega em São Francisco, a perda de tempo parada no trânsito é quase sempre certa.

– O túnel que vai para Icaraí é o pior trecho com toda a certeza. Ali eu costumo gastar bastante tempo –, desabafa ela sobre o Túnel Raul Veiga, que liga os dois bairros.

De fato. O A Seguir: Niterói monitorou o trânsito na cidade pelo aplicativo recém-lançado pela Prefeitura e pela Niterói Transporte e Trânsito (https://appnittrans.niteroi.rj.gov.br/), que mostrou pontos de retenção no local entre 8h e 10h da manhã quase todos os dias da semana. (Veja foto ao lado.)

O taxista Humberto Tavares, que também faz o trecho todos os dias, relata dificuldade quando sai por volta das 8h da Região Oceânica. Na Francisco da Cruz Nunes, em Itaipu, às vezes ele pega um fluxo mais intenso de veículos, mas o problema maior é nos acessos a Icaraí.

– Até o túnel Charitas-Cafubá é uma beleza. Do túnel para cá [Icaraí], já começa a ficar tudo complicado, porque é muito carro. São Francisco é apertado, acaba afunilando muito e tem muito sinal também. Acho que as ruas ali deveriam ser mais largas. Aquele pedaço da Roberto Silveira de manhã, quando você sai do túnel, também anda bem engarrafado – relata o motorista.

Para ele, além desses, os principais gargalos no trânsito da cidade são os acessos para a Ponte Rio-Niterói no horário do rush, tanto de manhã, quanto à noite.

José Augusto Ramos, também taxista, avalia que o problema realmente está no fim do túnel.

– Os túneis eu acho que são bons, porém eles desembocam em São Francisco e na Roberto Silveira, locais onde afunila –, disse.

Mudanças de sentido

Para tentar escoar o fluxo de veículos em direção ao Centro da cidade, em 2012, a Prefeitura de Niterói mudou o sentido da Roberto Silveira, deixando a avenida em mão única, além de colocar faixa exclusiva para ônibus.

Se melhorou? Para o motociclista Cícero Júnior, que mora em Santa Rosa e trabalha no Rio, o trânsito piorou e nunca mais foi o mesmo. No sentido Rio, o lugar em que ele mais pega engarrafamento é do meio da Paulo Cesar até a junção com o final da Roberto Silveira. No sentido Santa Rosa, ele relata com insatisfação o trecho pouco livre da Miguel de Frias.

– Hoje você joga todo mundo que vem do Centro para Santa Rosa, por exemplo, para passar por Icaraí. É obrigatório virar na Miguel de Frias. Antigamente não. Quem vinha do Centro para Santa Rosa normalmente vinha pela Roberto Silveira, não precisava ir por dentro de Icaraí – avalia.

Problemas nas transversais

Com a mudança, as ruas de dentro de Icaraí sofreram impacto direto. A Gavião Peixoto e a Mem de Sá são duas ruas que estão constantemente com trânsito cheio. É o que atesta o taxista José Augusto.

Para ele, outro problema que impede o tráfego de fluir melhor na cidade  são os carros estacionados nas vias transversais às ruas principais. Ele destaca as ruas Lopes Trovão e a Mariz e Barros.

– Eu acho que rua não deveria ser para parar carro e sim para trafegar. Atrapalha muito o trânsito da cidade. As principais conseguem fluir bem, diminuindo o tempo dos sinais das transversais, aumentando o tempo das principais. Em compensação, as transversais ficam paradas. Como elas são estreitas, elas ficam mais paradas ainda por causa dos carros estacionados.

Há 27 anos trabalhando como motorista de táxi em Niterói, José Augusto observou que, de dez anos para cá, a principal mudança no trânsito da cidade foi o aumento no número de carros.

– Eu percebi que com as construções de prédios substituindo as casas, aumentou muito o número de moradores e, consequentemente, a quantidade de veículos. A cidade não foi preparada para a quantidade que circula – diz.

Procuradas pelo A Seguir: Niterói, a Prefeitura e a Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans) não deram retorno sobre o nós do trânsito da cidade.

Alguns dos principais pontos de congestionamento na cidade, tanto de manhã quanto no fim da tarde e também nos horários de entrada e saída de colégios:

Roberto Silveira, Icaraí

Marquês do Paraná, Centro

Marechal Deodoro, Centro

Rua da Conceição, Centro

Quintino Bocaiuva, São Francisco

Acesso ao túnel que liga São Francisco e Icaraí, São Francisco

Praia de Charitas

Ator Paulo Gustavo, Icaraí

Gavião Peixoto, Icaraí

Miguel de Frias, Icaraí

Acesso à Avenida Francisco da Cruz Nunes na altura dos Bombeiros,

entre outras vias.

 

 

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