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Epidemia de gripe provoca aumento de 46% na procura por atendimento médico em Niterói

Por Camila Araujo
| aseguirniteroi@gmail.com
Rio registra 33 mortes pela doença em dezembro; nova remessa da vacina está disponível para a população niteroiense nos postos de saúde desde o dia 18
Vacinas produzidas pelo Butantan e oferecidas à população tem em sua composição uma das cepas do vírus H3N2. Foto: Divulgação Butantan
Em Niterói, a vacina contra a gripe está disponível nas unidades de saúde do município

A epidemia de gripe, que tem atingido a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e outros estados do Brasil, levou, nas últimas semanas, ao aumento de 46% na busca por atendimento médico nas unidades de urgência e emergência da cidade de Niterói, em relação a semanas anteriores. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, na maioria dos casos os pacientes apresentaram sintomas leves de gripe. Dentre os que fizeram teste para  Covid-19, todos tiveram resultado negativo.

Esse foi o caso da enfermeira Isabela Veloso, de 31 anos. Era início de dezembro quando ela, o marido e o filho de 6 anos ficaram gripados.

– Eu tive febre alta, tosse e fadiga. Os sintomas foram tão intensos que achei que pudesse ser Covid -, disse a enfermeira niteroiense, que chegou a fazer o teste para Covid-19, mas deu negativo.

Isabela ficou cerca de 10 dias com os sintomas da síndrome gripal provocada principalmente pelo vírus influenza A H3N2, que está circulando no país.

Segundo a virologista chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios da Fiocruz, Marilda de Siqueira, o quadro já é considerado epidêmico no estado do Rio de Janeiro. A gripe provoca desde sintomas leves até pneumonia e, sendo uma síndrome, pode ter várias manifestações clínicas diferentes.

– Em geral, as pessoas apresentam febre alta, dor muscular e articular. Ela até é mais intensa do que a Covid-19 na apresentação dos sintomas clínicos, em geral, nos primeiros três dias.

As semelhanças entre as duas doenças não ficam só nos sintomas. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foi a causa da morte de 33 pessoas contaminadas pela influenza na cidade do Rio de Janeiro só neste mês de dezembro. O número é quase o dobro das mortes causadas por Covid-19, no município, onde 17 pessoas morreram, no mesmo período. Os dados são do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP), da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Tabnet Estadual.

No Brasil, o vírus da influenza costuma circular entre a população em meados do outono até o fim do inverno. Neste ano, a epidemia fora de época tem explicação. “Com as medidas restritivas, a adesão das pessoas à vacinação em 2021 foi mais baixa, em torno de 70%. Agora, mais recentemente, com o relaxamento das medidas de proteção individual, a diminuição do distanciamento, o uso de máscara não tão rígido como vinha acontecendo, contribuíram para que o vírus influenza se propagasse mais facilmente”, apontou Siqueira.

Segundo a especialista, em 2020 não foi detectada a circulação do vírus influenza A H3N2 na América Latina, e em 2021, a circulação da variante foi quase nenhuma nos países do hemisfério sul. As hipóteses são de que a variante H3N2 tenha entrado no Rio de Janeiro e no Brasil por viajantes que vieram de outros países do hemisfério norte, onde o vírus está circulando. “Nós não sabemos até quando essa epidemia vai se estender. Mas em períodos normais de circulação de influenza, ele dura em torno de três a quatro meses, em geral”, informou a virologista.

Comemorações de fim de ano

O cenário epidêmico preocupa a população niteroiense especialmente neste fim de ano, com as festas de Natal e de Ano Novo. A professora aposentada Mara Lagoas Leal disse que está em alerta. A tradicional festa da família no salão do condomínio não vai acontecer este ano, mas ela vai reunir, em casa, alguns familiares que não pôde encontrar no ano passado.

– Conscientizei todo mundo sobre isso. Conversei com os familiares que vêm para minha casa e quem tiver algum sintoma, melhor não vir”, explicou.

Na casa de Mara, todos ficaram gripados no início de dezembro, só ela e a irmã mais velha escaparam.

-A gente percebe que as pessoas ficaram mais relaxadas com o avanço da vacinação contra a Covid. Aqueles cuidados do alquinho toda hora, lavar as mãos toda hora, isso parece que acabou. Com a influenza esse cuidado precisa voltar”, ponderou.

A virologista Marilda de Siqueira reforça a necessidade de se manter os cuidados. “A melhor medida de proteção para a influenza é a mesma para a Covid: manter o distanciamento, o uso de máscaras e lavar as mãos com frequência.” Em caso de sintomas de gripe, a recomendação é procurar atenção médica.

Vacinação

Em Niterói, a vacina contra a gripe está disponível em todas as Policlínicas Regionais, nos módulos do Programa Médico de Família (PMF) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A aplicação das doses acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, nas salas de imunização das unidades de saúde. Toda a população acima de 6 meses de idade pode se vacinar, levando carteira de identidade ou certidão de nascimento (para crianças). Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, o município ultrapassou as 203 mil pessoas vacinadas contra a gripe.

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