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Rodrigo Neves e o tempo entre costuras

Ex-Prefeito de Niterói se prepara para lançar candidatura ao governo do Rio pelo PDT
Rodrigo Neves com Axel Grael, Eduardo Paes e Felipe Santa Cruz. Reprodução
Rodrigo Neves com Axel Grael, Eduardo Paes e Felipe Santa Cruz. Reprodução

“A única via é o trabalhismo”. Foi essa a pronta resposta de Rodrigo Neves quando questionado se a sua possível candidatura ao governo do estado do Rio pelo PDT seria uma versão fluminense da terceira via que vem sendo articulada na esfera federal. De volta a Niterói, cidade que governou por oito anos e seu reduto eleitoral, o ex-Prefeito se encontrou com jornalistas, na última quinta-feira, para reestabelecer diálogos e costurar novas alianças.

Rodrigo Neves deve ser anunciado nos próximos dias pelo pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, como cabeça da campanha no estado do Rio. O presidente do partido, Carlos Lupi, já falou da candidatura, mas a expectativa no PDT vai além de ter um nome na disputa do Palácio Guanabara. Rodrigo pode representar uma candidatura no estado além da polarização entre Lula e Bolsonaro, que tem encurtado o território de uma terceira via na disputa presidencial. Rodrigo construiu em Niterói uma aliança com o apoio de 15 partidos e teve atuação na eleição de municípios vizinhos, como São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Campos.

As conversas têm sido intensas e diversas, na tentativa de construção de uma agenda regional, além da polarização nacional. Uma tentativa de resgate da pauta trabalhista no estado, que inclui programas como Médico de Família, Cieps e o desenvolvimento da economia regional, pauta da agenda brizolista. Vai mais longe, no resgate das bandeiras do trabalhismo de Roberto Silveira, ex-governador do antigo estado do Rio.

Mas Rodrigo Neves respira Niterói e por aqui se sente em casa. Faz do encontro marcado um bate-papo casual, como quem revê velhos conhecidos. “Não posso começar a falar com a imprensa do Rio sem falar antes com meus amigos de Niterói”, diz o ex-Prefeito, de 46 anos, prestes a se lançar ao maior desafio de sua carreira política.

Durante mais de uma hora, Rodrigo mostra que fez o dever de casa. O semestre dedicado aos estudos na Universidade de Coimbra, em Portugal, trouxe uma carga teórica consistente para debater e propôr soluções para o Rio de Janeiro. Fusão, desindustrialização, segurança pública, os problemas e a história recente do estado estão vivos na memória e no discurso. “Li mais de 200 livros”, afirma.

Cientista social por formação, Rodrigo Neves fez carreira no PT, mas parece ter se encontrado no trabalhismo. E é nessa teoria que ele fundamenta sua visão para o Rio Janeiro. Cita os CIEPs, idealizados por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, como modelo a ser resgatado na educação, e o Médico de Família, outro sucesso de uma gestão do PDT, de Jorge Roberto Silveira, em Niterói.

Rodrigo Neves se orgulha de sua vida pública de mais de 30 anos, como ele mesmo faz questão de pontuar em diversos momentos do encontro. Ele confia na própria experiência e quer ser a voz contra o que chama de negacionismo. Fala em reconstruir o Rio de Janeiro, com a força trabalhista e o apoio da sociedade.

Rodrigo defende o resgate da política tradicional, avessa a aventuras e construída com planejamento e metas, e sobretudo com o apoio da sociedade. O ex-Prefeito sabe que é o diálogo que pavimenta os caminhos políticos. Essa certeza fez com que tenha conversado com Lula e que mantenha contato frequente como Prefeito do Rio, Eduardo Paes, que está desconfortável em apoiar a candidatura de Marcelo Freixo, numa eventual aliança dos partidos de esquerda. Rodrigo Neves está pronto para costurar alianças.

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