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Projeto social “Vou de Canoa” incentiva o esporte e a preservação ambiental em Itaipu

Por Gabriel Mansur
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Ação social atende crianças em vulnerabilidade de Niterói e inclui canoagem e visita ao Museu de Arqueologia
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Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

De um lado, garças e gaivotas. Do outro, urubus bicavam os restos de um peixe na beira do mar. Um cenário recorrente na vila de pescadores da praia de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. Foi neste palco vívido da natureza que nasceu o projeto “Vou de Canoa”, idealizado pela bióloga marinha Luiza Perin, em 2019, e coordenado pela gestora ambiental Ingrid Pereira.

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Segundo Ingrid, a ação social trabalha com um público-alvo em situação de vulnerabilidade. Os objetivos da proposta, neste contexto, são cinco: incentivar a prática esportiva, gerar conhecimento sobre ciência e cultura oceânica, promover integração social, contribuir com reflexões sobre a relação homem-natureza e despertar a valorização do bioma onde se vive.

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Crianças observaram conchas em exposição sensorial. Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

– As três vertentes que trabalhamos são educação, esporte e cultura, essenciais para formar o cidadão. O esporte acaba sendo a ferramenta que a gente utiliza para compartilhar a educação. Entendemos que, para a formação do cidadão consciente, é importante falar da questão climática, da questão dos mares e da preservação ambiental como um todo – disse Ingrid.

O projeto

O projeto “Vou de Canoa”, em síntese, costuma atender cerca de 500 crianças de sete a 12 anos anualmente. Para esta meta ser cumprida, no entanto, as atividades são realizadas a cada 15 dias, sempre na praia de Itaipu.

A programação inclui a experiência da remada, por meio da tradicional canoa polinésia, a exposição sensorial, com elementos como conchas de diversos tamanhos e cores, arcada de tubarão e tipos de areia, e a visita ao Museu de Arqueologia de Itaipu, onde são narradas histórias do povo tradicional do vilarejo. “É uma aula ao ar livre”, relata Ingrid Pereira.

Projeto “Vou de Canoa” educa crianças sobre preservação ambiental. Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

– Trabalhamos nessas crianças essa identidade deles como cidadão, enquanto pessoa responsável por cuidar de um ecossistema, e também transferir nosso conhecimento a respeito da biologia, porque às vezes, dentro de uma sala de aula, a gente recebe isso de forma muito engessada. Quando você traz para uma atividade ao ar livre, transformamos tudo isso numa aula ao ar livre para oportunizar o acesso ao conhecimento – conta a ambientalista.

Conservação Ambiental

O projeto está inserido em uma área de relevante interesse social, ambiental e cultural. Além da comunidade de pescadores, sua área marinha é legalmente protegida por uma Reserva Extrativista Marinha (Resex).

A região abrange, também, o Parque da Serra da Tiririca (Peset), uma Unidade de conservação de proteção integral, que preserva ecossistemas de Mata Atlântica, manguezais, dunas e costões rochosos.

Pescador alimenta aves na praia de Itaipu. Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

– O mundo já está percebendo a importância enorme de preservar os mares, assim como sempre se falou, algumas décadas atrás, nas florestas. Hoje essa mentalidade já se expandiu para toda a superfície do planeta. A gente já consegue enxergar a importância de se preservar todo o ecossistema marinho – destaca Luiza.

Escola municipal Djalma Coutinho

Na fase atual, o projeto tem atendido colégios públicos de Niterói, e nesta terça-feira (27) foi a vez da escola municipal Djalma Coutinho. Eram esperados 25 alunos da faixa etária de nove a 12 anos, mas, por conta do tempo nublado, apenas oito compareceram. Nada, porém, que impedisse o desenrolar da ação.

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Crianças animadas saltaram a escada do ônibus escolar. Os sorrisos de orelha a orelha coloriram o dia frio e nublado decorrente da forte chuva que caiu na madrugada. A molecada, ainda que em menor número, foi recebida com afago por Luiza, Ingrid e outros voluntários.

Criançada se diverte durante exposição sensorial. Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

Antes de tudo, foi necessário fazer os meninos e meninas sentirem-se à vontade. Tarefa simples para a mamãe Luiza Perin, que sabe de cor e salteado a língua infanto-juvenil: “Temos todos os tipos de besteira para vocês lancharem mais tarde”. A paixão em sua voz era perceptível.

– O nosso objetivo é proporcionar experiências marcantes, experiências que marcam mesmo todos os corações. A gente trabalha sempre com crianças diferentes, e isso é uma atividade extracurricular das escolas. A gente gosta de fazer esse volume, porque a gente entende que a experiência da canoa vai ficar marcada para sempre em suas vidas.

O “despertar da coragem”

O acolhimento vinha de todos os lados. Esse entendimento, aliás, foi essencial para conduzir as atividades. Afinal, o desconhecido pode assustar, e o medo de entrar na água estava estampado nos rostos das crianças. Ester do Nascimento, de nove anos, chorava e se recusava a subir na canoa.

Mas, segundo a própria Luiza, “remar uma canoa para longe da costa e ver a praia de um novo ângulo desperta coragem nas pessoas”. Apesar de assustada, Ester enfrentou seus fantasmas. Remou ao lado de outras sete crianças e quatro voluntários mar adentro. Depois de 30 minutos, voltou sorridente e pedindo bis.

Crianças tiveram primeira experiência com remo. Foto: Marco Teixeira/Fundação Toyota

– Foi muito legal. Me falaram os nomes das ilhas, pai, filho e menina. Eu estava com medo, mas gostei muito. Quero ir de novo – ressaltou.

Apoio da Fundação Toyota

O amor é importante, mas não coloca comida na mesa. Neste contexto, o “Vou de Canoa” conta com o apoio da Fundação Toyota do Brasil, uma instituição sem fins lucrativos que se compromete a atuar com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

O diretor-executivo da FTB, Otacílio do Nascimento, vestiu a camisa, literalmente, nesta terça. Não apenas presenciou as atividades de perto, como mudou de roupa para remar com a garotada. Ele comentou o sucesso da parceria.

Luiza Perin é a idealizadora e fundadora do projeto. Foto: Marco Teixeira/FTB

– A parceria começou de forma genuína, porque a equipe deles tem um olhar muito cuidadoso para com a conservação ambiental, que é uma premissa importante da fundação. O “Vou de Canoa” é super importante para a conservação, mas também para a cidadania e cultura, visto que, dentro do projeto, os assuntos são abordados por meio da prática de esportes – ilustrou.

É a Fundação Toyota, aliás, que arca com as despesas, como o transporte, alimentação e logística, por exemplo. Luiza Perin reconhece o valor da ajuda.

– O que movimenta mesmo é a paixão, o que faz girar são todas as parcerias que agregam esse projeto. As relações que a gente constrói, as relações pessoais, as relações de trabalho, isso é o que faz o projeto continuar existindo – ponderou.

Objetivo é despertar um compromisso com meio-ambiente. Foto: Marco Teixeira/FTB

As “aulas ao ar livre”, segundo Ingrid Pereira

Remo: “É neste momento que trabalhamos os conceitos de colaboração, sincronia, sinergia, falamos do ambiente aquático, da preservação dos mares.”

Exposição sensorial: “Temos areia, com mais de 300 exemplares de vários lugares do mundo, trabalhamos os conceitos da geografia e da geologia, explicamos porque elas são de cores diferentes, granulometria diferentes, e temos miniaturas de canoas. Canoas indígenas, canoas vikings e canoa polinésia.”

Museu: “Tentamos despertar um compromisso de cuidado tanto com o meio-ambiente quanto na preservação da nossa cultura. Aqui estamos numa Reserva Extrativista Marinha (Resex). Então temos povos tradicionais aqui, que é a colônia dos pescadores.

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