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Professor Roberto Almeida recebe homenagens de colegas e familiares

Por Redação
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Educador reconhecido na cidade e um dos fundadores do Instituto GayLussac morreu nesta terça-feira (8), aos 84 anos
roberto luiza sassi e graça gaylussac
Roberto dos Santos Almeida, então diretor pedagógico do Gaylussac, entre Luiza Sassi (à esquerda) e Graça Regent (à direita), em uma das festas do livro do Instituto. Foto: Arquivo Pessoal

O Instituto GayLussac comunicou nesta terça-feira (8) o falecimento do professor Roberto dos Santos Almeida, aos 84 anos. Reconhecido como um importante educador em Niterói, Roberto foi um dos fundadores do Instituto e membro ativo das Academias literárias da cidade – a Fluminense, a Niteroiense e o Cenáculo de Histórias e Letras, conforme conta Luiza Sassi na carta que dedicou ao professor, após sua morte (veja abaixo).

Com o pseudônimo Fernando de Aviz, escreveu para jornais locais e publicou os livros “Você já teve um amor atravessado?”, de 1983, e “Estatutos do Sexo “, do mesmo ano. Além desses, publicou outros títulos na área da Biologia, uma de suas áreas de formação, junto à especialização em administração escolar e ao mestrado em Educação na área de Psicopedagogia.

Importantes inovações na área pedagógica foram pensadas por ele, segundo a vice-diretora do Gaylussac Graça Regent. Foi Roberto Almeida quem criou o sistema de multiavaliações, único no Instituto, que permite aos educadores observarem o aluno sob vários ângulos.

– Ele nos deixa um legado muito bonito. Até hoje esse é o grande diferencial da nossa escola. Desde que implementamos o sistema, nós colhemos muitos frutos, de poder ver o aluno integralmente. Além disso, como gestor, ele dava muita liberdade para a gente atuar e crescer na nossa trajetória. Isso também foi um marco da atuação dele para nós – conta.

A paixão do professor Roberto pela poesia de Fernando Pessoa também inspirava os profissionais que trabalhavam com ele, de acordo com a vice-diretora.

– Ele era extremamente culto e transmitia a cultura aos demais. Ele tinha um amor por Fernando Pessoa, uma coisa incrível. Nas nossas reuniões de início de ano, ele fazia questão de reunir todos os professores no teatro para dar as boas-vindas e sempre terminava de uma forma poética. A paixão que ele tinha pela poesia inspirava um pouco todo mundo.

Após sua morte, inúmeras homenagens foram prestadas nas redes sociais por amigos e familiares de Roberto. A diretora geral do Instituto GayLussac, Luiza Sassi, escreveu uma carta sobre a morte do amigo e professor. Confira a íntegra abaixo.

 

Niterói perde Professor Roberto, aquele que ensinou a educar por exemplos

É triste, porque parece não ser justo. Mas o que seria justo para aqueles que sabem que “a vida vale a pena quando a alma não é pequena”? Assim era o dia daqueles que tiveram o privilégio de estar ao seu lado. Tinha uma personalidade forte, era inteligentíssimo, doce, estudioso da literatura e biografia do poeta Fernando Pessoa. Possuía uma oratória incrível e foi um ícone como educador. Com uma capacidade mnemônica fabulosa sempre tinha citações literárias que distribuía em todas as conversas.

Estar ao seu lado no cotidiano da vida era ter a garantia de que teria algo a aprender a todo encontro. Não havia quem tivesse sido seu aluno que não fizesse referências às suas aulas magnânimas de genética e biologia.

Fundou o GayLussac junto ao Professor Renato e Professor Manoel Francisco e ensinou de modo emblemático que não se educa só com palavras, mas sobretudo com exemplos e atitudes (frase de seu amigo Professor Renato Garcia de Freitas). É isso. Quem teve o privilégio de conviver com ele podia observar e aprender com seu modo de ser, modo de transitar pelas instituições culturais da cidade que tanto valorizou e foi membro atuante.

Participava de modo ativo nas Academias literárias da cidade – a Fluminense, a Niteroiense e o Cenáculo de Histórias e Letras – e encantava com seus discursos incríveis, sua oratória envolvente e sua paixão pelo Fernando Pessoa. Era verdadeiramente um profundo conhecedor de sua literatura. E como tal, professor Roberto também possuía homônimos e escrevia suas crônicas no Jornal O Fluminense, como Fernando de Aviz. Apresentava um humor inteligente, costumava dizer que “escrevia para fora” diante de tantas demandas de produções de discursos que recebia.

Quem teve o prazer de trabalhar com ele sabe o quanto aprendeu. Por aqui deixo minha homenagem, resgatando aquilo que mais me ensinou – o desejo de ter urgência em realizar pela educação, porque a vida passa como um sopro, porque morremos a cada dia e precisamos estar nela com a sabedoria de vivê-la de modo pleno. Por isso nas palavras de Pessoa, o senhor me diria – O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.

A nossa cidade terá sempre na memória a sua história na educação.

Luiza Sassi

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