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Por quem choras, Niterói? Dia de Finados leva emoção ao Parque da Colina

Por Gabriel Mansur
| aseguirniteroi@gmail.com

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Segundo Grupo Zelo, que administra o espaço, cerca de 3 mil pessoas visitaram entes queridos ao longo desta quarta-feira chuvosa
Dia de Finados levou milhares de niteroienses ao Parque da Colina. Foto: Gabriel Mansur
Dia de Finados levou milhares de niteroienses ao Parque da Colina. Foto: Gabriel Mansur

Em 2 de novembro é celebrado o Dia de Finados. De acordo com a igreja católica, a data foi instituída pelo abade Odilo de Cluny (ou Santo Odilon), no ano de 998, na França, como uma forma de unificar as comemorações aos mortos neste dia. No dia 2 de novembro de 998, Odilo de Cluny sugeriu aos membros de sua abadia que, todo ano, naquela mesma data, dedicassem suas orações à alma daqueles que já se foram.

A Seguir: Niterói realiza operação especial nesta quarta-feira (2), Dia de Finados

A ação de Odilo visava resgatar um dos elementos principais da cosmovisão católica: a perspectiva de que parte das almas dos mortos está no Purgatório, passando por um processo de purificação para que possam ascender ao Paraíso. Por isso que, além de simbólica, a data costuma gerar lembranças daqueles que morreram. Para muitos, é um momento de recolhimento, orações e visitas aos túmulos de parentes e amigos.

Pois o A SEGUIR: NITERÓI acompanhou de perto as homenagens no único cemitério privado do município, o Parque da Colina, administrado pelo Grupo Zelo. Prestes a completar 50 anos (foi fundado em 1973) e com uma área de 260 mil metros quadrados, o cemitério comporta, atualmente, cerca de 16 mil jazigos e 38 mil sepulturas.

Violinista se apresenta durante Dia de Finados. Foto: Gabriel Mansur

De acordo com a gerente do Grupo Zelo, Rosemeri Duarte, cerca de 3 mil pessoas visitaram entes queridos ao longo desta quarta-feira chuvosa. No ano passado, em meio às restrições sanitárias impostas pela pandemia da Covid-19, aproximadamente 1,5 mil pessoas passaram pelo local.

Por quem Niterói chora?

Uma senhora levava uma rosa na mão esquerda, enquanto segurava uma sombrinha que a protegia das pancadas de chuva com a mão direita. Aos 82 anos, Elza Rebello é viúva há uma década. Ela foi casada com Arthur Rebello, com quem teve três filhos e cinco netos, por 48 anos. Arthur, aliás, é o nome da saudade que aperta seu peito.

– A gente sempre foi muito feliz. O Arthur era um homem íntegro, doce e muito carinhoso comigo e com nossos filhos. Por conta da minha idade, e também porque estou com alguns problemas de locomoção, não venho vê-lo tanto quanto eu gostaria, mas tento vir pelo menos duas vezes por ano. Na maioria, um dos meus filhos me traz, mas tem dia que prefiro conversar a sós, como hoje – disse, sob lágrimas.

A perda de um filho

Independentemente da idade, as mulheres eram maioria no Parque da Colina. Maria Lorenzo, por exemplo, tem 45 anos e perdeu o filho mais velho, Vitor, em 2019, para o câncer. Ele tinha 21 anos na época. Neste Dia de Finados, como tradição, ela foi acompanhada da filha caçula, Júlia, para prestar homenagens ao primogênito.

– Não tem dor maior do que perder um filho, é até difícil compreender e manter a fé em Deus. O luto tomou conta da minha vida de uma forma que, se não fosse a Júlia, eu acho que também não estaria mais aqui. O tempo ajudou a amenizar esse sofrimento, mas a saudade é eterna. Hoje a gente tenta focar nas boas lembranças – ressaltou.

O que você faria de diferente?

Houve quem carregasse consigo o desconforto de lembrar de palavras que não foram ditas e sentimentos eventualmente não demonstrados. Este é o caso do viúvo Mauro Abrahão, de 59 anos. Sua esposa, Carla Abrahão, faleceu no início deste ano, aos 54, por conta de um AVC. Ele fez questão de pedir um espaço no texto para fazer uma homenagem. Espaço mais que concedido:

– A gente nasce com a única certeza de que a vida na Terra é só uma passagem, e que uma hora ou outra a gente vai morrer. Nós sabemos disso, mas parece que esquecemos ao longo da vida. A gente briga por nada, guarda mágoa por nada, sofremos por coisas que posteriormente se mostram irrelevantes. Eu só queria ter mais uma conversa com a Carla. Se eu pudesse me despedir novamente, se eu soubesse o momento de sua morte, eu teria deixado claro que a amava. Ela sabia disso, mas eu sinto que não declarei meu amor o suficiente. É até clichê falar isso, mas não deixe para amanhã o que você pode fazer agora. Não economize seu amor para o dia seguinte. Ame todo dia – desabafou

Missas

Ao longo do dia, o Parque da Colina sediou cerimônias religiosas abertas ao público. As celebrações foram abertas às 10h, com uma missa do Padre Josiel da Silva Azevedo. Na sequência, foram realizados dois cultos, às 11h e 15h, pelo Pastor Valdir Brasil. Para fechar as homenagens religiosas no campo-santo, houve uma missa com o Padre Paulo Kowalczyk, às 16h.

Parque da Colina tem mais de 16 mil jazigos e 38 mil sepulturas. Foto: Gabriel Mansur

Árvore da homenagem

Neste ano, o cemitério preparou a “Árvore da Homenagem”, um espaço onde os visitantes puderam escrever homenagens dedicadas aos seus entes queridos. A iniciativa permitiu ao visitante não só expressar seu carinho e agradecimento àquele que partiu, mas também eternizar em palavras suas memórias.

Parque da Colina preparou ´”Arvore da Homenagem” para reverenciar a memória de entes queridos falecidos. Foto: Divulgação

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