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Piratininga, a praia de Niterói. A maior, a mais procurada e repleta de histórias

Por Luiz Claudio Latgé
| aseguirniteroi@gmail.com
Série de reportagens mostra atrações das praias de Niterói; e alguns problemas
Agosto de 2020 - Ensaio Presente Distópico com a modelo Suzana Quintanilha; fotógrafa Renata Xavier; figurino Aline Ciafrino; Maquiagem e cabelo Christina Gall; Trancista Nat Soares; vídeo Amarelinha Filmes; Bola Water Ball Felipe da Big Ball Brinquedos; Avenida Amaral Peixoto; centro de Niterói; Praia de Piratininga, MAC, Museu de Arte Contemporâne de Niterói; Ficção Científica; Quarentena; Coronavirus; Pandemia; COVID-19; futuro distópico; Sci-Fi Photoshoot; Photo Shoot; Rio de Janeiro; Brazil; Science Fiction.
Piratininga, um dos melhores cenários de Niterói. Foto: Renata Xavier

Piratininga é, por excelência, a praia de Niterói. Assim mesmo, desse jeito afirmativo.  É a primeira das praias oceânicas da cidade, considerando que as praias dos Fortes Rio Branco e Imbuí exigem carteirinha militar…  E a maior de todas, 2.700 m, incluindo a Prainha. Pela ocupação ao longo da história, quando se pescava na praia e na lagoa e plantava cana e café e ainda não se vislumbrava o banho de mar recreativo. E vamos combinar, a praia é linda, tem uma bela vista e o por do sol entra na disputa com os mais bonitos da cidade.

Leia mais: Das praias mais bonitas do país, Itacoatiara sofre com superlotação, lixo e trânsito

O A Seguir: Niterói chega a Piratininga, no percurso da série sobre as praias da cidade, neste verão de pouco sol e ameaças da Ômicron, depois de passar por Itaipu, Itacoatiara e Camboinhas. Vamos começar pelo começo, então: Piratininga, pode-se dizer, é a porta de entrada na Região Oceânica. O primeiro engarrafamento no caminho do fim de semana, aquele que se forma no acesso a Camboinhas.  Pode levar uma hora para até se ter a vista do mar.  Mas a viagem vale a pena, a praia tem muitos atrativos.

A praia grande

A caminhada no calçadão é atrapalhada pelas constantes obras de reparos ou reurbanização, que espalham obstáculos pelo caminho e se incorporaram à paisagem nos últimos anos.  É um dos bairros de maior crescimento da cidade: nos anos 90, tinha cerca de 6.800 moradores, segundo o IBGE. No Censo de 2010, já eram 16 mil. Estima-se que hoje sejam mais de 20.000, a oitava concentração de população da cidade. Um crescimento desordenado, que talvez explique tantas obras, para esgoto, pavimentação de ruas e consertos dos estragos da maré.

– É a minha praia – diz Aloaor Barbosa, com mulher, filhos e dois sobrinhos, numa das primeiras barracas da praia. Gosta de chegar cedo. Já é conhecido no lugar e consegue a barraca e as cadeiras de graça. ” Fico até o por do sol”,  sustenta, preparado para a jornada, com o corpo coberto de protetor solar.

A praia tem este efeito, deixa todo mundo a vontade, todas as tribos. Jairo Pereira espeta o caniço no meio do praião. Todo apetrechado. “Aqui dá muito papa-terra, às vezes um pampo, já peguei até uma arraia, diz, exibindo o balde com três cocorocas.

O marzão de Piratininga. Foto: Luiz Claudio Latgé

Piratininga é a praia dos pescadores. Literalmente. O bairro sediou  uma colônia de pescadores na Prainha, que antes se estendia até o Tibau. Consta que o nome do bairro vem daí: Piratininga em tupi significa “secagem de peixe”.

Milton Nascimento e sua mãe, Lilia, na Praia de Piratininga. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na verdade, Piratininga é a praia de todos. É a única que recebe forasteiros e tem casas para aluguel à beira mar. Desde Milton Nascimento, Lô Borges e o Beto Guedes se estabeleceram por aqui para compor alguns dos clássicos do Clube da Esquina, lançado em 1972. Num sobrado da praia, uma família reúne os amigos. A casa é alugada nos fins de semana. Parece que Piratininga descobriu o Airbnb antes de existir a internet.

O miolo da praia é território dos moradores, que organizam atividades no calçadão, com um parquinho para crianças e o famoso rolerzão, nos fins de semana, para passeios, bicicleta e patins. Dá briga quando a Prefeitura atrapalha o programa, como aconteceu no ano passado, com as obras no local.

Foto: Luiz Claudio Latgé

Na orla, a programação é variada, dependendo dos bares e quiosques. Com música e shows. O restaurante Maria da Praia foi talvez o primeiro a se afirmar por ali, e já tem seguidores. Com a pandemia, o espaço ao ar livre se tornou ainda mais concorrido e hoje é difícil encontrar uma mesa para o almoço.

No canto direito, o mar parece mais bravo. Tem sempre uma bandeira espetada por ali. Em dias de ressaca, as ondas quebrando na pedra são um outro espetáculo.

Chegamos à Prainha. Poderíamos dizer que é nosso ponto final. Mas é apenas o ponto final dos ônibus. Piratininga ainda tem muitas atrações. A facilidade do transporte torna aquele pedaço de areia o mais disputado da praia, água clara e ondas mais tranquilas. E a visão da Pedra da Baleia. No canto, é possível acompanhar a emoção do futevôlei.

O Tibau e o peixe

Piratininga vai além dos limites da praia. Incorpora a Lagoa. Uma pontezinha leva ao Tibau. Um dos endereços mais tradicionais da cidade para quem quer comer um peixe, para honrar a vocação do bairro de pescadores. Os bares e restaurantes costumam ficar lotados nos fins de semana. Com muitas opções ao ar livre, parece que o lugar ficou ainda mais concorrido depois da pandemia. É verdade que a picanha na chapa parece ter desbancado os peixes, que andam sumidos daquelas águias. Mas ainda é um dos bons programas da cidade.

A Lagoa parece reviver naquele canto. É possível ver os pássaros, a vegetação. Os coilhelheiros têm feito ponto por ali, e chamam atenção com suas penas rosadas. De vez em quando aparece uma capivara. Ou até um jacaré… A história vira conversa de botequim, mas há testemunhas…

Gastronomia

Piratininga é uma boa opção para comer. Há diversos restaurantes espalhados no bairro. Na entrada do bairro, o visitante vai perceber o movimento. Alguns deles têm clientela antiga debruçados sobre a Lagoa. E o Nice, colado na pedra, que tem até elevador. Servem peixe frito, moquecas, arroz de frutos do mar. Não dá para dizer que o Seu Antônio do Bacalhau está no lugar, porque fica no Cafubá. Mas é caminho, e completa bem as opções de gastronomia de quem aproveita o dia em Piratininga.

Revitalização da Lagoa de Piratininga

Para não dizer que só falamos de flores, Piratininga tem também muitos problemas, além dos engarrafamentos que atrapalham a vida de quem mora no bairro e chegaram a impactar o preço dos imóveis. O bairro está bem aparelhado, com forte comércio, hospitais e escolas. Mas o saneamento ainda é deficiente, apesar de a Prefeitura ter feito um amplo programa de esgoto e pavimentação. Moradores reclamam da poluição da Lagoa, que perdeu parte importante do espelho d’água nas últimas décadas. A boa notícia é que o plano de recuperação e reurbanização da Lagoa é um dos principais projetos do Prefeito Axel Grael. As obras estão em andamento. Quem sair do túnel e se aventurar em direção à Lagoa, verá homens e máquinas trabalhando, na construção da nova orla, que prevê estações de lazer e entretenimento, assim como áreas de esporte.

Um pouco de história

Você sabia que Piratininga, todo o bairro, foi sede de uma fazenda. E que no bairro se produziu cana e café, e muita cachaça? A produção era transportada por mulas para ser embarcada em Jurujuba ou São Fracisco. Recentemente, voluntários descobriram uma ponte de pedra no Parque da Cidade, por onde era feito o transporte. Você sabia?

Consulta aos universitários

A praia de Piratininga tem 2.700 metros, incluindo a Prainha. Ganha de Camboinhas por 100 metros, apenas. Os puristas podem dizer que Camboinhas, na verdade, não é senão Itaipu, da qual se separou pelo canal que liga à lagoa;  por um naufrágio, o do navio Camboinhas que dá nome ao lugar; e um condomínio.  Itaipu tem 1.000 metros. Fosse uma praia só, seria a maior da cidade. Mas não é assim. Deve-se considerar também que são dois engarrafamentos diferentes…)

 

 

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