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Perfil de internados com Covid em Niterói muda; Delta pode ser uma das causas

Médicos relatam a chegada de mais pacientes graves às unidades de saúde e ressaltam que não é hora de relaxar os cuidados
Movimento na Rua Ator Paulo Gustavo durante a pandemia : Foto- Livia Figueiredo
Movimento na Rua Ator Paulo Gustavo durante a pandemia / Foto: Livia Figueiredo

A variante Delta da Covid-19 é tão contagiosa quanto a catapora, tem uma janela de transmissão mais longa do que a cepa original e pode deixar os idosos mais doentes, mesmo que tenham o esquema vacinal completo. Os dados são do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos. No Rio, a variante é responsável por 45% dos casos da doença e, segundo o levantamento do estado, a incidência do vírus com mutação passou de 16% para 26% em apenas um mês. Essa tendência de disseminação da Delta pode ser um dos fatores responsáveis pelo aumento nos índices de ocupação hospitalar em Niterói. No dia 1 º de agosto, a cidade tinha 33% dos leitos de UTI ocupados, já no dia 8 de agosto, dado mais atualizado, esse percentual saltou para 41%.

Para quem atua na linha de frente, os dados se traduzem no cotidiano. O médico Pedro Archer, que atua na emergência de hospitais de Niterói e do Rio, diz que já foi possível observar o aumento, mesmo que leve, no número de internações nas últimas semanas. O que também chama atenção é a velocidade de agravamento da doença.

Apesar dos sintomas apresentados pelos novos pacientes serem semelhantes aos que são causados pela Delta – comprometimento pulmonar mais rápido e em grande quantidade – não é possível garantir que a infecção ocorreu pela nova cepa sem o sequenciamento genético. Mas, para além da origem do vírus, os profissionais de saúde precisam lidar com outra dificuldade, esta sim verificável: o afrouxamento dos cuidados sanitários.

– Para precisar que o aumento se deu pela variante Delta, os centros de referência têm que fazer uma testagem específica em cada paciente. Mas, na minha percepção, o aumento se deu pelo relaxamento da população e devido à disseminação da variante Delta – pontuou.

Archer faz um alerta para que a população redobre os cuidados com higiene, distanciamento e uso de máscaras, lembrando que a pandemia não acabou. E a incidência da Delta torna todo o cenário mais incerto. Por ser mais transmissível, quem foi vacinado deve seguir as medidas de enfrentamento enquanto o contágio estiver alto e ainda não for alcançada a cobertura vacinal recomendada, principalmente para quem não tomou nenhuma dose ou apenas uma.

– A população deve ter em mente que, apesar de estarmos ganhando esta guerra, a pandemia ainda não terminou. Devemos manter as medidas de prevenção, como o uso de máscara, evitar aglomerações, higienizar as mãos etc. Nós, profissionais da saúde, continuamos aqui para lutar esta guerra e ajudar as pessoas a voltar para suas famílias – reforçou.

Cresce a Síndrome do desconforto respiratório agudo

O acometimento de idosos nas formas graves da doença também tem chamado a atenção, em especial os que evoluíram com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo. Jovens que não apresentam comorbidade também podem ser acometidos nas formas mais graves da doença por negligenciar políticas de controle. É o que aponta o Gerente Médico Geral do CHN e Chefe do Serviço e da Residência Médica em Terapia Intensiva Adulto, do Hospital Estadual Azevedo Lima, Felipe Henriques.

Ele lembra que, por estamos no inverno, a atenção aos sintomas deve ser ainda maior. O diagnóstico preciso, de médicos capacitados, junto ao teste de Covid é ainda mais fundamental, para que os sintomas não sejam confundidos e a pessoa não tenha um agravamento do quadro.

– Muita atenção deve ser tomada para que sintomas gripais não sejam banalizados. Não é possível distinguir um resfriado comum da infecção por Covid- 19 seguramente sem exame clínico. Nos hospitais privados de Niterói estamos observando um aumento de casos confirmados de Covid. Ainda não temos números substanciais para um parecer. O número de casos confirmados com a Delta no Rio ainda é baixo, pois poucos foram sequenciados. Mas essa diferenciação não modifica os cuidados hospitalares e também não altera a política de isolamento ou de prevenção – ressaltou.

De acordo com o médico, o tratamento de pacientes com Covid não mudou e a única medida verdadeiramente capaz de proteger a população ainda é a vacina. Ele diz que considera incorreta a prática médica de adoção de antibióticos precipitadamente e sem indicação, além do uso de corticóides em larga escala para pacientes sem suplemento de oxigênio e sem critério, e também o uso de Ivermectina e Hidroxicloroquina como mantenedores de “boa saúde”. Ele reforça que ainda não temos controle sobre o vírus da Covid, em especial da Delta, que é ainda mais contagiosa. A única solução é uma boa cobertura vacinal e seguir com os protocolos de precaução.

– Infelizmente muitas pessoas ainda não se vacinaram e algumas optaram por não se vacinar, um erro que pode ser fatal! A população deve se vacinar! Não existe outra forma de conter a pandemia! É preciso combater fortemente o tratamento fútil com antibióticos e corticoides, pois só aumentam o surgimento de bactérias multirresistentes e de fungos! Arbitrar que os sintomas gripais não são Covid-19 é um erro. Procurar orientação médica é fundamental! Não podemos relaxar com as medidas de precaução.

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