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Passaporte sanitário muda hábitos de niteroienses e encoraja a volta à ‘normalidade’

Por Livia Figueiredo
Desde 1º de outubro, comprovante é obrigatório em museus, bibliotecas, cinemas, teatros e eventos
Vacinação reduz número de casos na cidade
Comprovante de vacinação é exigido desde 1º de outubro em alguns locais. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Niterói

Marly tem planos de voltar para as aulas de hidroginástica em dezembro, mas está com receio do comprovante da vacina não ser exigido no clube em que frequenta. Longe da atividade há um ano e meio, a aposentada diz que sente falta de se exercitar com regularidade e do convívio social. Nunca ficou tanto tempo sem entrar em uma piscina, mas preferiu se resguardar. A terceira dose da vacina foi um alívio para a aposentada, e a notícia sobre a exigência do passaporte sanitário em Niterói aumentou a esperança de retorno à rotina que fazia bem ao corpo e à mente.

– Na minha opinião, acho que o passaporte da vacina devia ser exigido em todos os lugares, porque pode ter gente que não vacinou e isso é perigoso. Acho, inclusive, que devia ser exigido onde faço ginástica no Largo do Marrão, porque tem algumas pessoas mais novas e isso pode ser um risco para nós idosos, que somos mais vulneráveis.

De acordo com o decreto municipal, a apresentação do passaporte sanitário não é obrigatória em academias, fato que Marly lamenta, mas em eventos e espaços públicos sim. Por isso, ela já planeja incluir o comprovante da terceira dose definitivamente na carteira, junto com outros documentos, como identidade, CPF, cartão do banco e carteirinha do plano de saúde. A única preocupação é relacionada ao material, que embora agora seja confeccionado em papel-cartão, ainda parece frágil.

— É muito pequeno, tenho medo de perder, mas a qualidade melhorou, o outro era muito mais frágil. Um papel muito fino — avalia a aposentada, que vai pedir ao filho para imprimir o comprovante do Conecte SUS em A4 e plastificar para conservar melhor o documento.

Shoppings apresentam grande movimento. Foto: Amanda Ares

A Prefeitura de Niterói definiu que em alguns ambientes a apresentação do passaporte é obrigatória e, em outros, apenas recomendada, como é o caso das academias de ginástica. Prevendo que não haveria essa exigência, o estudante de Publicidade Igor Torres esperou a segunda dose para retornar às atividades físicas. Só assim se sentiria seguro. Mas para ser aceito em os outros espaços, a comprovação da imunização completa está na mão. Ou melhor, na carteira.

– Eu esperei para voltar a malhar porque não queria correr riscos. Como a segunda dose adiantou, resolvi esperar mais um pouquinho. Como já previa, o comprovante é apenas recomendado nesses espaços, então a vacina é ainda mais necessária. Vou mais tranquilo agora, após os 15 dias da segunda dose, e só vou tirar a máscara para beber água. O comprovante fica na minha carteira já. Não tiro para nada.

Frequentador assíduo de centros culturais, o advogado Matheus Pereira faz coro com todos os que aprovam o passaporte sanitário. Ele acredita que a ida a museus, cinemas e teatros será muito mais segura, uma vez que todos os visitantes estarão vacinados.

– Por ser um ambiente fechado, é importante que, além da máscara, as pessoas estejam vacinadas. Dá mais segurança para a gente. Eu estava indo aos museus, mas não tinha coragem ainda de ir ao cinema. Agora vou ter, porque além do distanciamento das poltronas, vou ter a garantia de que as pessoas vão estar imunizadas. Também vou voltar para academia. Só estou escolhendo o melhor horário, com menos tumulto. Acho que devia ser exigido nesses lugares também.

Já a estudante Camila Cardoso não apenas aprova o atual decreto, como defende que ele seja ampliado para restaurantes e lanchonetes, que ficaram de fora da lista de estabelecimentos em que há exigência de vacinação. Ela diz que acredita ser impraticável o controle do comprovante em bares, mas para ingressar em restaurantes e cafés seria possível.

– Já voltei para o pilates e, nesses dias, fui a uma peça de teatro e tive que apresentar o comprovante do aplicativo Conecte SUS. Mas sempre que vou comer em restaurante, procuro os que são abertos. Em bar, ainda é impraticável e mesmo se exigissem o comprovante, não teria controle. Tenho feito minhas saídas de forma gradual, com mais tranquilidade, agora que estou com as duas doses. Faço mais piquenique, com pessoas do meu ciclo, e tenho ido mais à praia em horários alternativos. Gosto muito de pedalar, então costumo pegar a bike para dar um mergulho. No geral, vou com minhas amigas, mas também rola de ir sozinha.

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