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OCA: cultura e arte contra a violência, no Viradouro

Comunidade se organiza durante ocupação policial contra abuso de poder e amplia ação que começou com campanha #LarDeMoradoraRespeite
Jovens fazem aula de Teatro do Oprimido. Foto- Eloanah Gentil.
Jovens fazem aula de Teatro do Oprimido. Foto: Eloanah Gentil.

O projeto Organização Cultural e Artística da Viradouro, conhecido como OCA, é formado majoritariamente por mulheres negras e faveladas da comunidade e surge na resistência frente à violência policial. “O projeto OCA surge a partir da necessidade de luta e resistência contra o extermínio da população negra”, assim definiu Eloanah Gentil, uma das idealizadoras do projeto, que surgiu em agosto de 2020 após a ocupação da Unidade de Polícia Pacificadora, UPP, no Complexo do Viradouro, que trouxe consigo diversos episódios de abuso de poder.

Por conta da operação, os moradores se uniram para denunciar a violência da ação policial. A primeira manifestação ou aparição do projeto OCA foi a partir da intervenção através de tecidos e placas colocados nas casas com a seguinte frase: #LarDeMoradoraRespeite!

Moradores colocaram cartazes na frente de casa para sinalizar para a polícia que ali era uma residência como qualquer outra. Foto: Francinne Cardoso

Violência dentro de casa

De acordo com o relato de moradores, no entanto, o abuso de poder por parte da polícia não acabou de uma hora para a outra. Uma moradora que não identificamos por questão de segurança, conta o que viveu: “Teve um dia que eu fui passar o final de semana na casa do meu irmão, na sexta à noite, as minhas vizinhas me mandaram mensagem dizendo que a polícia subiu o Morro. Até aí, tudo bem, mas quando chegou sábado pela manhã, minha prima me mandou mensagem dizendo que a minha porta estava aberta e minha placa #LarDeMoradora estava no chão. Quando ela entrou na minha casa, o chão estava cheio de marcas de bota. Resumindo: A polícia entrou na minha casa”.

Outro caso registrado foi o de uma revendedora de produtos de beleza, que, depois de uma jornada de trabalho, chegou em casa e encontrou a porta arrombada e seus produtos revirados. Ela gravou e postou tudo nas suas redes sociais.

Arte e cultura combatendo a violência

O tema da violência é presente na vida da mulher negra, que é vítima de 60% dos casos de feminicídio e 51% dos casos de lesão corporal, segundo o Monitor da Violência e Secretarias de Segurança Pública dos estados. Pensando em debater esse assunto, uma parceria entre o Centro de Teatro do Oprimido (CTO) e a comunidade começou a se organizar.

O CTO dá aulas para um grupo de adolescentes da comunidade. O palco que serve de sala de aula e espaço de troca é a quadra da escola de samba que dá nome ao território. Também há uma turma de Inglês com a professora Mara Barbosa, da Universidade do Texas, que dá aulas são para crianças e adolescentes de cinco a dezesseis anos, de forma online.

Vale destacar, como bem apresentado pelo G.R.E.S Unidos do Viradouro, campeã do Carnaval 2020, que a comunidade é formada majoritariamente por mulheres negras, que herdaram a força de suas ancestrais que lutaram incansavelmente pela alforria, para seguir no embate e na resistência contra os frutos de um país construído através de ideais escravocratas.

Aline Conceição, uma das integrantes do projeto, destaca a importância das parcerias para criar uma rede de apoio a fim de acolher vítimas de violência doméstica, e também o empoderamento como estratégia de prevenção destes casos. “A OCA é muito mais que um levante contra a opressão policial e a violência de gênero, com sua base na educação, tem a capacidade de mudar a vida de toda uma geração.”

Mais informações sobre o projeto, fotos e vídeos, nas redes sociais: Instagram (@ocaviradouro) e Facebook (OCA – Ocupação Cultural Artística do Viradouro).

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