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Nos passos da dança da quadrilha Balão Dourado

Por Sônia Apolinário
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Grupo de São Gonçalo marca presença em várias festas juninas de Niterói
quadrilha balão dourado
A Quadrilha Balão Dourado durante sua apresentação na Festa Junina da Boa Viagem. Fotos: Divulgação

Com a volta das festas juninas, voltam as apresentações de grupos de dança de quadrilha. Levantamento feito pelo Centro Cultural Rio Coletivo Junino, identificou, no Estado do Rio de Janeiro, a existência de 107 desses grupos, a maioria (32) concentrada na Baixada Fluminense.  De acordo com o Coletivo, Niterói não tem grupo de dança de quadrilha, mas a vizinha São Gonçalo tem quatro.

Um deles é a Quadrilha Balão Dourado, na ativa desde 2016. O grupo já começou suas apresentações da temporada 2022. Inclusive, já marcou presença, em Niterói, em uma das edições da Festa Junina da Boa Viagem e, nos próximos dias 24 e 25, será um dos destaques da programação do Arraiá do Praia Clube São Francisco., além de participar de festas em condomínios da cidade.

Este ano, a formação está sendo feita com 20 pares, a maioria, jovens entre 16 e 22 anos. De acordo com o presidente da Balão Dourado, Cristiano Pereira de Santana, um dos grandes desafios de um grupo de quadrilha é conseguir jovem, principalmente rapazes, para dançar:

– Os meninos sentem vergonha, dizem que não sabem dançar. Mas é para isso que fazemos ensaios – comenta Cristiano, de 44 anos, que dançou até seus 25 anos, na própria Balão Dourado, que diz: – era a minha grande diversão.

A quadrilha é antiga, na cidade. Foram 20 anos de atividade até que parou por dez anos, quando Cristiano retomou os trabalhos. Mal comparando, é como se fosse uma escola de samba: o enredo é escolhido logo após a “temporada”, as roupas começam a ser confeccionadas e os ensaios são feitos a partir de novembro, com apresentações entre junho e agosto, do ano seguinte.

Ainda na comparação com o Carnaval, se fosse uma escola de samba do Rio de Janeiro, a Balão Dourado estaria desfilando na Série Prata, duas abaixo do grupo principal que reúne a “elite” do Sambódromo.

Diferente das escolas de samba, porém, as quadrilhas juninas não têm “patronos”. Algumas têm patrocínio, outras cobram por apresentação.  A  Balão Dourado não tem patrocinador e Cristiano optou por não cobrar pelas apresentações – solicita apenas um ônibus para transporte do grupo e lanche.

– Nosso objetivo é diversão, manter a tradição. Por isso não cobramos, mas temos despesas altas e, esse ano, rolou uma vaquinha para ajudar nos preparativos – conta Cristiano.

Segundo ele, um vestido custa entre R$ 700,00 e R$ 1.400,00. Geralmente, é usado por dois anos, com custumizações para se adequarem ao tema da vez . Os vestidos da Balão Dourado são caros porque o grupo é uma quadrilha de salão. A outra “categoria” é a caipira (roça), que tem trajes mais simples.

A Balão Dourado é um grupo de dança de quadrilha de salão

Para baratear os custos deste ano, as moças estão dançando com vestidos de salão e os rapazes com roupas caipiras. O tema de 2022, é  “O Milagre de dois corações”, uma história de amor que por pouco não vira tragédia, mas termina com o tradicional final feliz. Cristiano explica que dançar o “casamento da roça” é sagrado. Assim, por lá, os temas são criados de forma que “permita” um casamento.

Os outros momentos tradicionais da dança de quadrilha são os cumprimentos iniciais, o balancê, o passeio pela roça, o túnel, a coroação e a despedida.

– Existem quadrilhas mais atualizadas, modernas, com figurinos temáticos, bem carnavalescos, mas eu não gosto. Gosto de manter o mais perto possível da tradição – afirma Cristiano.

É na casa dele, no bairro de Boa Vista, o QG da Balão Dourado – isso inclui os ensaios, feitos no seu quintal. Até o momento, o grupo só participou de uma competição de quadrilhas. Foi em 2018 e ficou em segundo lugar. Na época, a campeã foi a Tucanada, de Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Nordeste

Gestor do Coletivo Junino, o professor do Senai, Ricardo Lízio, afirma que muitas quadrilhas do Rio de Janeiro não se recuperaram do “baque” provocado pela pandemia do Coronavírus:

– O dinheiro sumiu, tem muito desemprego. Muitos ficaram sem condições de colocar grupo de quadrilha na rua – comenta ele que comanda a quadrilha de roça Geração Realce, de Rocha Miranda, Zona Norte carioca.

Ele lamenta que a dança de quadrilha junina seja “pouco reconhecida”, no Sudeste do país, ao contrário do que acontece, principalmente, no Nordeste, mas também na região Centro-Oeste, onde existem muitos grupos e campeonatos. A atual vencedora do circuito nacional de quadrilhas do Brasil, realizado em 2019, é a quadrilha Si bobia a gente pimba, de Samambaia Sul, de Brasília.

De acordo com o Ministério do Turismo, o São João será responsável por gerar cerca de R$2 bilhões, em 2022. Em Campina Grande, na Paraíba, que tem a festa mais tradicional do país, a estimativa é de um incremento de R$400 milhões, na economia local durante os festejos juninos.

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Origem

A dança de quadrilha teve origem na Inglaterra, no século XIII. Posteriormente, foi incorporada e adaptada à cultura francesa e se desenvolvendo nas danças de salão, a partir do século XVIII. Popular entre os membros da nobreza europeia, a dança se disseminou pela Europa e chegou a Portugal.

A partir do século XIX, a dança se popularizou no Brasil por influência da corte portuguesa, sendo muito bem recebida pela nobreza no Rio de Janeiro, então sede da Corte. Embora fosse uma dança dos meios aristocráticos, a quadrilha, no Brasil, começou a fazer parte das festividades juninas no campo, como forma de agradecer a colheita e homenagear os santos populares. Dessa forma, elementos culturais e tradicionais da vida no campo foram agregados à dança, como o caipira.

O grupo em uma das apresentações já feitas este ano

 

 

 

 

 

 

 

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