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Niteroienses levam mais de 13 toneladas de donativos para Petrópolis

Por Camila Araujo
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Iniciativas em vários bairros de Niterói foram mobilizadas para ajudar cidade serrana após chuvas e desabamentos
doações
Patrícia Esteves de Lacerda, moradora de Icaraí: ela arrecadou 3,5 toneladas de doações para Petrópolis. Foto: Arquivo Pessoal

Já chega a 182 o número de mortes causadas pelas chuvas que atingiram Petrópolis no dia 15 de fevereiro, e 89 pessoas continuam desaparecidas. Diante da tragédia que deixou centenas de famílias desabrigadas e desalojadas na cidade, ações de solidariedade se multiplicaram. Uma delas é daqui de Niterói. Patrícia Esteves de Lacerda, moradora de Icaraí, montou um ponto de coleta de doações no prédio em que mora para tentar levar ajuda aos petropolitanos.

– Eu nasci em Minas Gerais, mas morei a vida inteira em Petrópolis. Depois me casei e vim morar em Niterói. Minha mãe mora lá [em Petrópolis], meu irmão mora lá e eu estou sempre lá. Quando veio a tragédia, eu pensei que tinha que ajudar de alguma forma. Então, eu pedi para o síndico do meu prédio se eu poderia receber doações aqui – explica a estilista.

Foram 3,5 toneladas de donativos, equivalentes a dois caminhões cheios, que fizeram duas viagens para a Serra, uma no sábado (19) e outra no domingo (20). Patrícia conta que a ideia inicial era só para os moradores do prédio doarem, mas foram chegando doações de pessoas de fora também, que ficaram sabendo da arrecadação pelas redes sociais.

– Quinta-feira de manhã, eu passei tinha uma sacolinha pequenininha, eu passei e falei “ah, que legal”. Quando eu voltei, depois da minha caminhada, já tinha bastante coisa. Foi muito rápido. O síndico até falou “está muito cheio, vocês têm uma caixa extra?”. E eu respondi que não, não tinha. Eu não esperava aquela quantidade.

 

Roupa foi o item que mais chegou nas arrecadações, mas também foram doados produtos de limpeza, higiene pessoal, alimentos, colchões e até um berço. Em contato constante com amigos que moram em Petrópolis e com colégios de lá, Patrícia conseguiu direcionar os donativos de acordo com a necessidade de cada local.

– Foi tudo encaixotadinho com os nomes dos lugares. Eu e o pessoal do meu prédio fizemos essa separação, tanto por categoria (limpeza, higiene pessoal, roupas femininas, infantis, masculinas), quanto por lugar. Para o colégio Robert Kennedy, no bairro Castelânea, o colégio João Paulo Segundo, na São Sebastião, e a Igreja Santo Antônio, no Alto da Serra, a gente mandou lanche e brinquedo, que era o que estavam precisando. Eu liguei para a diretora do colégio Robert Kennedy e perguntei o que estavam precisando exatamente.

Ela reforça que a solidariedade é crucial nesses momentos, mas é preciso saber o que doar e para onde distribuir a doação.

– Tem muita coisa chegando lá, mas falta um pouco de organização. É importante ouvir os moradores para saber o que realmente precisam. Até sexta-feira o colégio Robert Kennedy precisava de brinquedo, no domingo já não precisava mais, por exemplo. Então, eu redistribuí para a Igreja Santo Antônio, tem muita gente lá.

A corrente de solidariedade é grande e a estilista se emociona ao falar sobre a quantidade de pessoas mobilizadas para levar ajuda a quem precisa, mas se entristece ao pensar no porquê.

– No meu grupo de colegas do colégio, um amigo perdeu tudo, a casa dele acabou. A minha costureira, que trabalha comigo, teve que abandonar a própria casa por conta do risco de deslizamento. A filha dela, adolescente, perdeu duas amigas que estavam no ônibus que foi levado pela enxurrada. Uma amiga minha perdeu um amigo. Muito triste. Não para de chegar esse tipo de notícia – lamenta.

Solidariedade espalhada pela cidade

Além de Patrícia, muitas outras pessoas, marcas, lojas e instituições de Niterói se colocaram à disposição para ajudar Petrópolis. Dezenas de pontos de arrecadação de donativos foram montados nos bairros. Através do Niterói Solidária, iniciativa da Prefeitura, mais de 10 toneladas de mantimentos foram enviadas.

Veja também: Saiba onde entregar donativos em Niterói para vítimas da tragédia em Petrópolis

 

Desde quinta-feira (17), a Defesa Civil de Niterói tem deslocado equipes diárias com engenheiros, arquitetos, geógrafos e especialistas em geoprocessamento para Petrópolis. A Secretaria Municipal de Proteção Animal também ajuda no resgate de animais nos escombros.

Nesta segunda-feira (21), uma equipe da NitTrans foi atuar no ordenamento viário da cidade serrana. Os operadores de trânsito estão prestando suporte nos locais com desvios e interdições por conta das enchentes e deslizamentos que ocorreram na última semana.

Para auxiliar na limpeza das ruas do Centro histórico da cidade imperial, a Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin) levou mais de 200 profissionais para ajudar a população petropolitana. Maquinário, equipamentos e ferramentas, assim como um caminhão-pipa com jato d’água, também foram enviados. Além da Clin, funcionários da Seconser e equipes da Assistência Social também atuam por lá.

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