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Niterói terá maior lançamento imobiliário do ano; mercado movimenta R$ 1 bilhão

Prédio do Clube Regatas, fundado em 1895, dará lugar a apartamentos de luxo; cidade não tem tantos lançamentos há quase dez anos
Prédio do Clube de Regatas Icaraí foi cercado por tapumes no fim de semana. Foto- leitor
Prédio do Clube de Regatas Icaraí foi cercado por tapumes no fim de semana. Foto: leitor

Obras por todo lado. É impossível não reparar. Os tapumes, de repente, fecham uma área, e o trabalho começa. É o que acontece em torno do prédio do Clube Regatas Icaraí, fundado em 1895. É o último grande terreno disponível em Icaraí e o maior lançamento imobiliário na cidade. Mas não é o único empreendimento em construção: há prédios em Icaraí, Santa Rosa, em Charitas, Piratininga e até na região central da cidade, como não se via desde o início da crise econômica, em 2013.

– O mercado volta a ter lançamentos. O estoque de imóveis novos caiu muito com a crise econômica e, depois, com a pandemia. Mas este ano a indústria imobiliária está em plena atividade. A previsão é que os investimentos no setor devem somar R$ 1 bilhão – estima o diretor da Spin e da Ademi, Bruno Serpa Pinto. Para ele, “esta recuperação terá forte impacto na economia da cidade: a construção de um prédio em Icaraí gera cerca de 500 empregos diretos e indiretos. Um empreendimento como o que a Soter prepara na Itapuca vai criar até mil vagas de trabalho, diretas ou indiretas.”

A recuperação, finalmente

Crise é uma palavra muito longa para o mercado imobiliário. Desde que a economia brasileira começou a desabar, em 2013. O mercado imobiliário, no seu auge, chegou a ter 27 lançamentos, oferecendo ao comprador cerca de três mil unidades residenciais. Movimentava R$ 2 bilhões. Em 2015, foram apenas dois lançamentos, os negócios ficaram em torno de R$ 20 milhões no ano. Na sequência, veio a pandemia. Os investimentos foram represados e muitos projetos, adiados.

No momento em que a vacinação permite a retomada das atividades, a construção civil trabalha intensamente e dá sinais de que a crise, finalmente, pode ficar para trás. Bruno Serpa Pinto explica que o movimento começou a se notar em Piratininga, parecia uma coisa localizada, mas rapidamente se espalhou por toda a cidade. Ele lista de cabeça e com entusiasmo alguns dos empreendimentos em execução:

– O prédio da Soter (no terreno do Regatas) será lançado em novembro. Tem o prédio da Tegra, na Comendador Queirós, quase todo vendido. E a Tegra tem outro lançamento, o Flua, perto da Concha Acústica, apartamentos de dois e três quatros, um conceito diferente, integrado ao circuito universitário. Tem o lançamento da Gafisa na Presidente Backer. Tem o Lazuli na Boa Viagem. A Soter botou à venda o MUD 333, na Miguel Couto, e vendeu 42% dos apartamentos em 60 dias. O mercado está comprador. E tem o Algarve, em Icaraí, em frente à Hebraica … – vai listando, sem parecer querer parar. Lembra de mais um: “… o Dueto, na Miguel Couto, obra da Fernandes Maciel…”

Novo conceito

Outro fator importante na recuperação do mercado, segundo o dirigente do setor, é o desejo do consumidor por algumas novidades, reflexo da experiência de tanto tempo de pandemia. Os novos projetos consideram, por exemplo, que o home office fará parte da vida das pessoas. E os cuidados sanitários nas áreas comuns. Tem prédio que terá um terraço reservado para a entrega de produtos por drones, uma promessa da Amazon que ainda não se concretizou.

– A nova safra de apartamentos agrega valores que os prédios até pouco não tinham. As pessoas querem mais simplicidade, condomínios mais baratos, vai ter prédio com portaria eletrônica. As áreas de lazer talvez não sejam mais tão grandes. O custo é uma preocupação. E a sustentabilidade. Alguns lançamentos terão painéis solares, águas de reuso e ninguém vai fazer nada sem considerar lâmpadas de LED – explica Bruno.

Preços mais altos

A retomada do mercado também trará preços mais altos. Os índices da Construção Civil cresceram mais do que outros indicadores econômicos e chegou a haver falta de alguns materiais. As novidades vão custar mais caro, e se diferenciar dos apartamentos mais antigos. Bruno acredita que a tendência é que os novos lançamentos possam ativar também o mercado de imóveis usado. Depois de tanto tempo, é indisfarçável a expectativa pela retomada. Ele continua se lembrando de novos lançamentos:

– Tem o Calle Sardegna, da LRM, na Doutor Sardinha. Tem o Tarsila, da Soter, na Pereira Nunes…

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