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Niterói na maquete: veja obras que prometem remodelar a cidade

Por Camila Araujo
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Principais intervenções urbanas até 2024 aparecem em ilustrações divulgadas pela Prefeitura
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Nova orla do Centro de Niterói, na maquete. Foto: Divulgação Prefeitura de Niterói

Haja cidade para tanta obra. Niterói  pode  passar por uma série de intervenções urbanas nos próximos anos. Essa, pelo menos, é a promessa da Prefeitura, que anunciou, em fevereiro deste ano eleitoral,  um pacote de mais de 25 obras públicas até 2024, com o orçamento de R$ 2 bilhões, fora outras que já estavam em andamento.

A maioria dos projetos foi apresentada no pacote das comemorações do aniversário da cidade, que completa 450 anos em 2023, e reflete a aposta pesada do poder Executivo na construção civil.

Uma das propostas é o Centro 450, que tem o objetivo transformar a região central da cidade com obras “para valorizar a ocupação territorial, o patrimônio natural e arquitetônico, gerando empregos e oportunidades”, segundo informou a Prefeitura, cuja meta é criar mais três mil unidades habitacionais nos próximos três anos no bairro. A Prefeitura não especifica se o uso é de interesse social ou se são voltadas para o mercado imobiliário.

Para Pedro da Luz, professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF e ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), as intervenções no Centro são bem-vindas, porque é um lugar que toda a população usa, mas também faz um alerta para que os projetos não aprofundem problemas sociais.

– A cidade é feita para as áreas mais valorizadas. Não existe investimento na parte da cidade que interessaria as partes mais precarizadas. Seria muito importante projetos nas favelas, que poderiam receber novas obras, no Morro do Estado, no Morro do Sabão, por exemplo. Isso demonstraria uma preocupação em promover uma cidade mais justa, que passasse uma mensagem de que está todo mundo incluído, que ninguém está sendo colocado para escanteio. Isso é muito importante porque senão a gente não rompe um ciclo de exclusão -, afirma Pedro.

Em termos de habitação, ele avalia que o espaço poderia ser mais bem  aproveitado pelo poder público.

– Há muitas áreas vazias, prédios inteiros vazios, às vezes ruínas de imóveis históricos há anos sem manutenção. Seria importante que esses imóveis fossem voltados para categorias mais fragilizadas – disse o professor.

Além das obras do Centro, a revitalização da Alameda São Boaventura e a proposta de construção do Terminal do Caramujo são citadas como exemplo de intervenções que valorizam os bairros e criam novos eixos de moradia nessas regiões, segundo Paulo Cheabe, representante da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói (Ademi) e do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Compur).

– Conceitualmente, isso é muito bom para o bairro. É menos poluição sonora, é menos poluição atmosférica, é preservação de meio ambiente, é sustentabilidade, uma série de coisas muito positivas -, elencou, acrescentando ser uma possibilidade de estímulo às moradias, embora reconheça como “ferida” a questão do déficit habitacional na cidade.

– É um problema crítico, nós temos uma quantidade gigantesca de niteroienses morando em condições não adequadas, em condições de risco, sem saneamento. O projeto de lei do uso e do solo está na Câmara e a gente espera que os vereadores compreendam isso e fiquem sensíveis a esse problema”, concluiu.

Veja os desenhos dos projetos previstos em diversos pontos da cidade.

Alameda São Boaventura

A Alameda São Boaventura, uma das mais movimentadas vias de Niterói, será totalmente revitalizada. Com investimento de R$ 136 milhões, as intervenções incluem modernização dos corredores viários; melhoria e ampliação da rede de drenagem; pavimentação das vias; acessibilidade das calçadas e implantação de ciclovia. Todo o cabeamento será subterrâneo.

As obras de revitalização da Alameda São Boaventura vão readequar as estações de ônibus para facilitar a entrada e a saída dos veículos. O modelo das estações será semelhante ao dos terminais do BHLS da Transoceânica, com a instalação de painéis eletrônicos. A Alameda vai receber iluminação em LED e novo paisagismo. O prazo de duração das obras é de 18 meses após a assinatura da ordem de início das intervenções.

Terminal do Caramujo

A construção do terminal rodoviário no bairro do Caramujo tem o objetivo de reduzir o número de linhas metropolitanas que passam pela Alameda São Boaventura, incluindo as que têm como destino o Terminal João Goulart, no centro de Niterói. A expectativa é reduzir os congestionamentos na Alameda e nas principais vias de acesso ao terminal João Goulart, além de possibilitar novas conexões e trajetos para os demais bairros de Niterói, sem a necessidade da passagem pelo centro, reduzindo o tempo de viagem. O novo terminal tem previsão de investimento de R$ 70 milhões e está em fase de contratação do projeto para a obra.

Avenida Benjamin Constant (Barreto) – O Barreto também está na lista dos bairros que vai passar por intervenções na Zona Norte. As principais modificações acontecerão na Avenida Benjamim Constant nos próximos anos. O orçamento é de R$50 milhões em obras de requalificação urbana e tratamento paisagístico entre o Ponto Cem Réis e a Praça do Barreto, com melhoria na infraestrutura de pavimentação e sinalização viária. O projeto prevê iluminação em LED nas vias, arborização, drenagem e ciclovia. A infraestrutura cicloviária receberá melhorias com a implantação de 20,6 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, dentro do Projeto da Região Norte Sustentável, com investimento previsto de mais de R$ 8 milhões. Vinte e três ruas de vários bairros receberão as intervenções.

Requalificação da orla de Charitas

O projeto de requalificação da Orla de Charitas tem como objetivo transformar o trecho entre a Praça Rádio Amador e o Clube Naval em um grande parque linear. Em 2021, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade de Niterói, em parceria ao Instituto dos Arquitetos do Brasil, lançou um concurso para escolher uma proposta para a região. O projeto vencedor foi de Indio da Costa, que prevê, entre outras intervenções, a construção de um deque flutuante no entorno da Praça do Rádio Amador, quiosques ao longo da orla, equipamentos esportivos na região do Morro do Preventório e uma ciclovia. A previsão inicial é para o primeiro semestre de 2022.

Obras do Projeto Centro 450 – O projeto faz parte de uma série de intervenções da Prefeitura em comemoração aos 450 anos da cidade de Niterói, completos em 2023. Entre os objetivos das obras no Centro da cidade, está a criação de um corredor verde na Avenida Amaral Peixoto e a reurbanização da Rua da Conceição e da Av. Rio Branco. Na Rua da Conceição, a intervenção vai contemplar a construção de novas calçadas com acessibilidade e dutos subterrâneos que vão aterrar a fiação das redes de telecomunicações. O investimento previsto fica em cerca de 400 milhões de reais e as obras serão realizadas até 2024.

Concha acústica

A revitalização da Concha Acústica, que tem orçamento previsto de R$ 87,5 milhões, está em fase de formalização com o consórcio vencedor da licitação para iniciar as obras.

Avenida Rio Branco

A Avenida Rio Branco terá outro paisagismo e calçamento com corredor viário que seguirá da Ponta D´Areia até a Concha Acústica em uma faixa exclusiva para transporte.

Amaral Peixoto

Para a Avenida Amaral Peixoto, uma das principais ruas do Centro de Niterói, o projeto prevê um corredor verde com canteiros de árvores nos dois lados da via.

Integração Oscar Niemeyer

Outra grande alteração fica a cargo da reformulação de ruas que irão integrar o Caminho Niemeyer ao Centro com a criação de novas quadras no lote onde funcionou um supermercado. Neste trecho, serão formados oito quarteirões que passam a permitir o acesso de veículos e pedestres ao local que agrupa as obras de Niemeyer.

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