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Mundo já aplicou 10 bilhões de vacinas contra Covid e ninguém morreu; já o vírus matou milhões, diz médico

Por Redação
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Chefe da UTI Pediátrica de hospital de Niterói destaca a necessidade da vacinação de crianças e alerta para risco de complicações da doença
pediatra Dr. Gabriel
O médico pediatra Gabriel Farias da Cruz, gerente do setor no Hospital Icaraí. Foto Divulgação

Quem quer ter o seu filho com sintomas de Covid por seis a sete semanas?, pergunta o médico pediatra Gabriel Farias da Cruz, Gerente da Unidade de  Terapia Intensiva pediátrica do Hospital Icaraí e do Hospital e Clínica São Gonçalo (HCSG), ao defender a necessidade de se vacinar as crianças contra Covid. Ele relata ter acompanhado crianças com complicações graves decorrentes da infecção pelo vírus da Covid e diz que a vacina não só é segura como protege, evita os casos graves e salva vidas.

Leia a íntegra da entrevista do especialista ao A Seguir: Niterói:

Apesar de a vacinação infantil na faixa etária de 5 a 11 anos
não ser obrigatória, por que é importante os pais vacinarem seus filhos contra Covid?

É importante a vacinação de crianças de 5 a 11 anos, última faixa etária a ser beneficiada com as vacinas, principalmente pelo fato de a doença acabar migrando de faixa etária. A gente lembra, por exemplo, que no início da pandemia a doença acometia mais as pessoas idosas. Quando começaram a surgir as primeiras vacinas, as faixas etárias mais avançadas foram contempladas e a doença acabou por atingir mais o adulto e em seguida o adulto jovem.

E a tendência é que o vírus se prolifere no paciente ainda sem a vacina, daí a importância de se vacinar todas as faixas etárias disponíveis.

Com a volta às aulas, a vacinação infantil torna-se ainda mais necessária?

Com a volta às aulas, a vacinação é extremamente importante por ser uma forma eficaz de prevenir o vírus, além de que o contato entre as crianças vai aumentar. Estas tiveram, dependendo da escola ou da região,  uma perda de quase dois anos do calendário escolar e agora precisam voltar às aulas. Vacinar é uma forma de prevenir, ainda mais levando-se em consideração que as crianças que estavam em restrição durante todo esse período agora terão um contato maior.

Mesmo com toda a campanha e as explicações de cientistas sobre a  necessídade de se vacinar também as crianças contra Covid, por que muitos pais resistem? Em Niterói, até hoje, pouco mais da metade do total de crianças de 5 a 11 anos já foram vacinados.

Ainda há uma restrição muito grande de muitos pais em vacinar as suas crianças, mas o importante é lembrar que o nosso calendário de imunização no Brasil já tem quase 40 anos erradicando um grande número de doenças do passado que nem existem mais. Isso graças às vacinas. Outra coisa a se considerar é que as  crianças vêm sendo vacinadas para quase 20 doenças diferentes, ajudando a prevenir e evitar de fato a doença ou que ela evolua de forma grave.

A gente tem que levar em consideração que as vacinas para crianças passaram pelo mesmo rigor científico das vacinas dos adultos. Então, quando escutamos alguma notícia, claro que causa insegurança porque são vacinas com pouco tempo de mercado, mas temos que considerar que elas foram rigorosamente testadas e a liberação dos órgãos competentes  só acontece quando forem de fato seguras.

Quais vacinas contra Covid podem ser aplicadas em crianças de 5 a  11 anos e quais seus benefícios e eficácia?

Na faixa etária de 5 a 11 anos de idade, as vacinas que estão sendo usadas são  a da Pfizer e da Coronavac, que até o momento foram as fabricantes que conseguiram a liberação para uso nessa faixa etária.

Mas a tendência é que outros fabricantes que passarem por todo o rigor científico consigam ter os produtos  liberados, aumentando a oferta de vacinas no mercado.

 No hospital e em consultórios, o senhor tem visto pais temorosos e  preocupados com a vacina contra Covid? No geral, o que temem, pelo que  o senhor percebe?

Não apenas as vacinas, mas a pandemia ganhou um viés político e ideológico, o que confunde pessoas que não são da área técnica. Então, muitos pais chegam às emergências e ao consultório relatando que não vão vacinar os seus filhos. Então o nosso papel como autoridade de saúde é esclarecer e mostrar os benefícios e mostrar que o risco-benefício em relação a deixar de se vacinar não compensa.

Que garantias esses pais têm de que a vacina é eficaz e não fará mal a seus filhos?

A garantia de que os pais devem vacinar e de que a vacina não fará mal a seus filhos é exatamente o fato de estas estarem sendo liberadas pelos órgãos regulamentadores e terem sido passadas por testes anteriores.

O vírus da Covid pode ser muito mais perigoso do que qualquer  reação adversa que a vacina possa causar?

Temos de considerar que já foram aplicadas mais de 10 bilhões de doses de vacina contra o coronavírus no mundo e que não temos relatos com embasamento científico concreto de que a vacina tenha causado alterações graves e até mortes. Considerando adultos e crianças em grande escala, não há algum evento que se possa diretamente relacionar. E, em contrapartida, nós já vimos quantos casos ao redor do mundo a Covid- 19 já matou.

O senhor tem filhos? eles já foram vacinados? O que diria aos pais
que resistem a vacinar seus filhos contra Covid?

Eu tenho três filhos e todos eles foram vacinados dentro do período e da vacina adequada e disponível no momento para as respectivas idades. Nos hospitais tem visto muitos casos de crianças contaminadas e com complicações decorrentes da Covid? A verdade é que as crianças foram amplamente protegidas no início, meados da pandemia, porque elas não frequentavam as atividades do dia a dia, principalmente as atividades escolares, então elas demoraram a se infectar pelo vírus. Mas, até reforçando a importância da vacina, desde que começamos a ter os casos de infecção por SARS-CoV-2  nas crianças, a gente vê que tem complicações graves como a síndrome respiratória multissistêmica, que não é um quadro respiratório agudo mas é um quadro que aparece após 3 a 4 semanas de infecção pelo vírus da Covid-19. Esse quadro pode causar problemas renais, cardíacos, alterações cerebrais, convulsões, encefalite … então pegamos, sim, casos graves em crianças decorrentes da infecção por Covid-19.

Outra sequela que temos visto nas crianças é a chamada Covid longa. Quem quer ter o seu filho com sintomas de Covid por seis a sete semanas com alteração de paladar, de olfato, cansaço em pequenos esforços?

Ninguém quer isso para a sua criança. Portanto recomendo que a melhor forma de prevenir é com as ações que já estamos acostumados, com a utilização de máscara, lavagem de mãos e agora com a vacinação.

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