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Morre Aníbal Bragança, livreiro de Niterói, escritor e professor da UFF

Por Redação
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Figura querida na cidade, Aníbal veio de Portugal aos 12 anos e faleceu aos 77 anos
Aníbal Bragança
Aníbal Bragança: um pensador crítico, professor da UFF, respeitado em Niterói e nos meio acadêmico e intelectual

Livreiro, escritor, professor e, nas horas vagas, um leitor voraz. Nascido em Portugal, na cidade de Santa Maria da Feira, Aníbal Bragança era  um dos maiores representantes da cena cultural de Niterói, onde morava desde os 12 anos. Aos 77 anos, faleceu neste sábado, deixando uma legião de amigos em Niterói.

Professor aposentado da UFF, onde deu  aulas no Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) no curso de Comunicação e de Estudos de Mídia, é também autor de “Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia” (Edusp), coorganizador de “Impresso no Brasil – Dois Séculos de Livros Brasileiros” (EdUnesp), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti 2011 de melhor livro na área de Comunicação.

Aníbal era graduado em História pela UFF, tinha mestrado em Ciências da Comunicação (Jornalismo e Editoração) pela USP e doutorado em Ciências da Comunicação, também pela Universidade de São Paulo.

Foi Secretário Municipal de Cultura da Prefeitura de Niterói e recebeu algumas honrarias, como o título de “Intelectual do Ano 2007-2008”, concedido pelo Grupo Mônaco de Cultura e o título de Cidadão Honorário de Niterói. Também traçou sua trajetória como um dos diretores da Editora da UFF (Eduff).

Como livreiro, atuou na fundação da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e foi coordenador-geral de Pesquisa e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional entre 2011 e 2013.

Bragança foi também um dos fundadores da Livraria Encontro, que depois ficou conhecida como Diálogo, e da Livraria Pasárgada, a primeira do bairro de Icaraí. Um dos precursores do entendimento da livraria como um centro cultural,  promovia com regularidade encontros com os autores, cine clubes, palestras e exposições de arte em suas livrarias.

“A minha relação com o livro é visceral, começou muito cedo e continua até hoje. Na escola primária eu percebi que os livros me permitiam vencer dificuldades e obter certo reconhecimento e isso ficou. Então, ter deixado esse legado para a cidade é muito bom”, disse ele em entrevista ao A Seguir: Niterói no ano passado.

– Uma pessoa notável, inteligente, culta, muito social, fundou livrarias muito conhecidas em Niterói. Darcy Ribeiro, na época em que  esteve preso na ditadura na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, quando era levado para prestar depoimento,  convencia os guardas a pararem na Livraria Diálogo, do Ingá, não só para comprar livros mas também para conversar com Aníbal. Era uma grande figura – diz o médico Márcio Torres, também professor aposentado da UFF e que era amigo e cliente das livrarias de Aníbal há quase 60 anos.

O sepultamento ocorreu no  sábado, no Parque da Colina, em Niterói. Segundo a família, Aníbal sofreu um infarto.

A Prefeitura de Niterói decretou luto pela morte do intelectual.

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