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Moreira César ou Paulo Gustavo? Relembre outras ruas de Niterói que mudaram de nome

Nas últimas décadas, pelo menos três vias importantes da Zona Sul foram rebatizadas; revisão de homenagens é demanda atual
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Niteroienses apoiam Rua Paulo Gustavo. Amanda Ares

A potencial alteração do nome da Rua Moreira César em memória do ator Paulo Gustavo, morto na última terça-feira, vítima de Covid-19, ganhou as ruas e as redes. Caso se concretize, a mudança entrará na lista das mais significativas ocorridas na cidade nas últimas três décadas.

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Somente na Zona Sul da cidade, três vias foram renomeadas em homenagem a cidadãos ilustres a partir dos anos 90 e assimiladas pela população:

Uma das mudanças com maior valor simbólico para a população foi a alteração do nome da Avenida Estácio de Sá para Roberto Silveira, em memória do ex-Governador, que vivia na cidade. Pai do ex-Prefeito Jorge Roberto Silveira, o político morreu ainda jovem e com uma carreira política primissora, em 1961, vítima de um acidente aéreo. Até hoje é uma das personalidades mais homenageadas do Rio de Janeiro.

A Praia de Icaraí passou a se chamar Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, morto em 1998. Trata-se de uma homenagem o antigo dono do jornal O Fluminense, que também era bacharel em Direito e teve forte atuação política nos século XX.

Antes da homenagem ao Ministro Otávio Kelly, a via que corta o bairro de Santa Rosa se chamava Rua Barros. Otávio Kelly era niteroiense, escritor jurista e chegou a ser ministro do Supremo Tribunal Federal, entre 1934 e 1942.

Homenagens revistas

Mais do que homenagear o ator Paulo Gustavo, figura carismática de Niterói cuja obra era vitrine da cidade, a potencial alteração do nome da Rua Coronel Moreira César segue um lastro de reparação histórica que se tornou urgente na atualidade.

Leia mais: Paulo Gustavo se preparava para gravar série ‘Minha mãe é uma peça’ em Niterói

A história do Coronel Moreira César, por exemplo, contrasta com a imagem que a rua imprime, ligada a moda, lifestyle e contemporaneidade. O militar, que sequer nasceu em Niterói, tem como legado a participação em levantes e guerras, por onde deixou um rastro de mortes. Não à toa, recebeu a alcunha de o “corta-cabeças”.

Assim como Moreira César, a homenagem a outras figuras controversas passou a ser reconsiderada, através de um olhar mais crítico e atual. Tanto é que tramita na Câmara Federal um projeto de lei que quer proibir estátuas, totens e bustos de escravocratas em espaços públicos. Os mais de 180 monumentos existentes que se encaixam nesse perfil seriam transferidos para museus.

A proposta, de autoria da deputada niteroiense Talíria Petrone (Psol),  da mineira Áurea Carolina (Psol) e do paulista Orlando Silva (PCdoB), prevê, ainda, que os espaços deixados por esses monumentos sejam ocupados por negros ou indígenas escolhidos pela comunidade.

“É totalmente incoerente termos personagens que participaram de atos deploráveis, como a legitimação da escravidão, sendo tratados como exemplo para novas gerações”, dizem os autores na justificativa do projeto.

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