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Moradores criticam mudanças previstas na revitalização da orla de Piratininga

Ampliação da ciclovia e redução das vagas de estacionamento foram algumas das críticas
Moradores de Piratininga reivindicam reuniões presenciais : Foto de leitor
Moradores de Piratininga reivindicam reuniões presenciais / Foto de leitor

A Prefeitura de Niterói voltou atrás em parte de seus planos, mas não foi suficiente. O novo traçado previsto no projeto da ciclovia de Piratininga foi reformulado, atendendo a pedidos de moradores, e a ciclovia não passará mais por dentro das praças, apenas contornando-as. A mudança foi comunicada pelo município no último sábado. Mas as críticas ao projeto de revitalização da orla de Piratininga persistem. O descontentamento levou os moradores a realizarem uma manifestação neste domingo (15) contra a ampliação da ciclovia e outros pontos do projeto.

Uma das queixas é a redução do número de vagas, o estreitamento da via principal também é alvo de críticas, além da falta de acessibilidade ao idosos e aos portadores de necessidades especiais, que não terão mais suas vagas e acesso junto ao calçadão. A descontinuidade do projeto do Rolerzão também gerou queixa.

Moradores fazem manifestação contra a ampliação da ciclovia

Na manifestação realizada neste domingo (15), moradores falam em “fim do sossego” de quem frequenta a praia de Piratininga para caminhar na calçada ou usufruir das praças. As principais lideranças do bairro questionaram a extensão da ciclovia, já que atualmente já existem duas ciclofaixas (ida e volta) na Avenida Acúrcio Torres e estão sendo feitas mais duas, uma na orla da Lagoa e outra na orla da praia. Cerca de 110 pessoas fizeram uma caminhada do inicio até o meio da praia. No caminho, se depararam com o Administrador Regional da Região Oceânica, Rubens Branquinho, que fazia uma ação no local, e houve bate-boca.

Foto de leitor

– Será que o bairro precisa de quatro ciclovias paralelas em toda a sua extensão? Não somos um bairro de passagem. O poder público se defende afirmando que houve audiências públicas para o conhecimento desta obra. Com a materialização deste projeto, o morador, que tenho certeza que em sua maioria não é contra ciclovias, começou a ver que a dinâmica do bairro vai mudar. Existem várias outras soluções e prioridades, como reparar trechos do calçadão que estão destruídos há quase uma década, e melhoria das praças. A obra é desnecessária, até porque já existem outras ciclovias prontas e em execução – pontuou um dos manifestantes.

Moradores cobram do Administrador da Região Oceânica a promessa, feita no dia 20 de julho, de paralisar as obras de Piratininga e agendar uma nova reunião presencial, pois existem ainda muitos pontos em relação ao projeto que geraram descontentamento.

– Na CDL está rolando reunião sobre o Plano Urbanístico Regional (PUR) de forma presencial. Para discutir o projeto, foi imposta uma reunião online alegando a pandemia, mas muitos moradores não conseguiram participar. Foram em torno de 140 pessoas. Os moradores que conseguiram falar foram muito queixosos em relação ao projeto – afirmou um membro da Associação de Moradores de Piratininga, que preferiu não se identificar.

Ele afirma que a redução de vagas será extremamente prejudicial aos moradores, pois ao contrário do que foi afirmado pela Prefeitura, mais de 400 vagas serão perdidas, embora a Prefeitura insista em falar em 200. Além disso, a redução das vagas de estacionamento na orla pode colaborar para estacionamentos nas vias laterais, prejudicando as vagas disponíveis para visitantes nas residências. Outro ponto é que a redução de vagas também pode contribuir para maior trânsito no local, já que há possibilidade de migração dos visitantes para as ruas dos moradores que, em sua maioria, são estreitas, causando transtornos.

– Uma praia que tem calçadão e pistas largas, agora está com pista estreita e com uma quantidade de vagas bem reduzida. Não vejo a necessidade dessa obra absurda. Sem contar com a falta de mobilidade. Fizeram a obra e depois dialogaram com os moradores, total falta de respeito – afirmou o fotógrafo Leonardo Medeiros, em uma rede social.

Nas redes sociais, moradores fazem críticas à sinalização precária, a existência de buracos e o estacionamento irregular. Outros citam a interrupção do projeto Rolerzão.

Estreitamento de vias e a interrupção do ‘Rolerzão’

O estreitamento da via é outra questão que preocupa moradores. Hoje a via ao longo do calçadão na praia da Piratininga é dupla. Com a revitalização, ficará em quase sua totalidade uma faixa única e estreita, já que a ciclovia e o canteiro ocuparam mais que uma das vias. Outro ponto muito abordado pelos moradores da região é quanto à ausência de um plano de revitalização do calçadão, melhorias das praças e reforma de quiosques, que foram danificados pelas ressacas. Moradores criticam a falta de manutenção e reivindicam a sua reforma urgente, além da preservação do projeto Rolerzão.

– O projeto Rolerzão é um sucesso há seis anos. Com a ciclovia, o que vai sobrar da área não permitirá mais o evento. A Prefeitura está passando a conversa nos barraqueiros que tiram seu sustento dali que vai liberar e que tudo vai ficar como era antes. Só rindo – ressaltou um morador, que preferiu ter sua identidade preservada.

Rolerzão antes da obra / Foto: Reprodução Redes Sociais
Rolerzão com as obras / Foto de leitor

Ao A Seguir: Niterói, um morador, que preferiu não se identificar, explica que o projeto de revitalização pode colaborar para a descaracterização da identidade do bairro, assim como para o aumento de trânsito e a interrupção do sossego de moradores. Segundo ele, há outras prioridades e questões mais urgentes de serem reparadas, como o calçadão da praia que provoca acidentes frequentes.

– Por mais que a Prefeitura prometa, ficará inviável a continuidade do projeto Rolerzão, pois a área (reservada para caminhadas, bicicletas, skate e patins, entre outras atividades) ficou um tripa fina e limitada. Os 12 barraqueiros que têm ali seu ganha pão também serão prejudicados, pois caso ainda venha alguém, o público será drasticamente reduzido. Piratininga é um bairro sossegado, sem trânsito, onde atualmente todos os modais convivem sem atrito, exatamente por ter as vias amplas e tranquilas….o que está sendo feito na orla da praia é desnecessário. Alterando isso, a coisa pode mudar para a pior.

E acrescentou: – A população de Piratininga quer ser ouvida. Não queremos mais remendos. Merecemos uma requalificação da orla da Praia. Estão ajeitando os fundos do bairro (Lagoa) e na porta da entrada? Queremos um novo calçadão com uma via cicloviária integrada, novos quiosques, áreas verdes, de lazer, convivência e esportivas, afinal Piratininga é o bairro está em plena expansão imobiliária. Merece mais – concluiu.

Relembre o caso

No dia 20 de julho, a Prefeitura convocou uma audiência pública com os moradores para sanar as principais dúvidas quanto ao projeto, mas o local escolhido não comportou os mais de 200 moradores que compareceram para se manifestar. Ficou prometido pelo Administrador Regional, Rubens Branquinho, que a obra seria interrompida até o assunto ser discutido com a população, porém o acordo foi descumprido e as intervenções continuaram.

O que diz o projeto

A Administração Regional da Região Oceânica, a Coordenadoria Niterói de Bicicleta e o Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável) apresentaram os projetos que estão sendo implantados como as obras do Parque Orla Piratininga (POP) Alfredo Sirkis, que seguem avançando, assim como as intervenções para a implantação da primeira etapa do sistema cicloviário da Região Oceânica, que terá 21 quilômetros de extensão.

Segundo a Administração Regional, o primeiro lote contemplará as áreas da Avenida Almirante Tamandaré, no trecho entre a prainha de Piratininga até a rotatória da entrada de Camboinhas, passando por toda a orla de Piratininga e a Avenida Acúrcio Torres. O projeto prevê 60 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, além de bicicletários fechados, paraciclos e requalificação urbana de vias.

O que diz a Prefeitura

De acordo com o responsável pela Coordenadoria Niterói de Bicicleta, Filipe Simões, o novo projeto de articulação da ciclovia da Praia de Piratininga às praças da orla atende à demanda de moradores que se demonstraram favoráveis à manutenção da área de lazer integrada ao calçadão. Desta forma, a ciclovia circundará as praças no mesmo nível do asfalto, realizando curvas adequadas à circulação direta, segregada e confortável dos ciclistas.

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