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Martine e Kahena disputam final da vela com chances reais de medalha, diz Lars Grael

Dupla disputa a regata da medalha na madrugada de segunda-feira (2); Lars define performance até agora como de “alto nível”
Martine Grael e Kahena Kunze em Tóquio : Foto- Reprodução Instagram
Martine Grael e Kahena Kunze em Tóquio / Foto: Reprodução Instagram

“Altíssimo nível”. É como Lars Grael define a performance da dupla Martine Grael e Kahena Kunze nos jogos Olímpicos de Tóquio. Lars é um dos maiores expoentes da Classe Star de vela e medalhista de duas edições das Olimpíadas. Na madrugada desta segunda-feira, a campeã olímpica Martine Grael volta às águas de Enoshima, em Tóquio, ao lado de sua dupla, Kahena Kunze, em busca do bicampeonato olímpico.

Ao A Seguir: Niterói, Lars fala dos principais desafios enfrentados pela dupla em Tóquio e da pressão do favoritismo. Apesar da equivalência das quatro primeiro colocadas, ele afirma que a dupla chega à reta final confiante após ter vencido o evento de testes de Tóquio em 2020.

– Elas começaram a competição com a cobrança natural por serem as atuais campeãs olímpicas e por estarem em defesa pelo título. Estão no grupo destacado dos quatro barcos com chance real ao título, que são elas, as britânicas, as espanholas e as holandesas. Coincidentemente nas Olimpíadas do Rio foi parecido. Elas foram para a última regata da medalha com quatro barcos praticamente empatados disputando três medalhas – destacou.

Martine e Kahena nas águas de Enoshima, em Tóquio / Foto: Reprodução Instagram

Para além das variações climáticas encontradas em Tóquio, o iatista Lars Grael aponta que a dupla teve que enfrentar outros desafios como a pressão de quem se vê pela primeira vez como favorita ao título. Além disso, tem a cobrança de um país que está sedento por medalha nos jogos olímpicos e acaba depositando na dupla uma esperança muito grande.

– É uma energia que você pode usar ao seu favor, mas também pode desestabilizar. Embora elas ainda estejam participando da segunda Olimpíada, elas mostram uma grande maturidade. Outro desafio é lidar com as condições variáveis dos ventos da baía de Enoshima. Elas enfrentaram ventos inconstantes, tanto em relação à variação de direção, quanto em relação à diferença de velocidade de vento. Foram algumas regatas com vento intenso, variando de 15 a 18 nós. E algumas regatas com ventos muito fracos, de 4 a 7 nós – explicou.

O veterano explica que, como os pontos são acumulativos, e na regata da medalha apenas 10 barcos disputam, a diferença entre o primeiro colocado e o décimo é de 9 posições. Já na regata de medalha, essa diferença sobe para 18, porque a pontuação é dobrada.

– A vantagem em relação à adversária para a regata da medalha não pode ser muito grande. É necessário o acerto para que cheguem na regata da medalha com chances reais ao título – pontuou.

O sistema de pontos

Em relação ao sistema de pontos inusitado do esporte, Lars explica que, na vela, os primeiros colocados são aqueles que possuem menor pontuação. Isso acontece porque o sistema de pontuação é baseado em pontos perdidos. Quando você ganha uma regata, é contabilizado 1 ponto. No segundo lugar, 2 pontos. No terceiro lugar, 3 pontos e assim sucessivamente. Quando termina a fase classificatória, é descartado o pior resultado das 12 regatas e são contabilizados os 11 melhores. Vence quem tiver a menor pontuação. Os dez melhores classificados vão para a medal race (regata da medalha), carregando essa pontuação.

Na medal race, há uma chance do resultado se reverter e essa diferença se reduzir, já que a pontuação é dobrada. Ou seja, se ganhar a regata são 2 pontos perdidos, se ficar em 4º, 8 pontos, em 9º, 18 pontos.

– A vela é um esporte que lida com variáveis não controláveis. Se você chegou em uma Olimpíada é porque você passou por um processo classificatório onde as vagas vêm de campeonatos mundiais. Poucas vagas são de cotas continentais. No caso do 49erFX, a cota continental das Américas é dos jogos panamericamos. Você pode até ver um barco com menos probabilidade ao título, como é o caso de alguns representantes de países que vêm de cotas de continentes com menor tradição na vela, como a África e a Ásia. É bem diferente de esportes onde, pelo ranking, é possível identificar quem vai ganhar, como o tênis, badminton ou o atletismo, em que é possível ver quem tem um índice melhor em relação a outro competidor – explicou.

Ele explica que, diferente da maioria dos esportes, na vela, o atleta lida com variáveis diversas, como vento, corrente e maré. Nessa Olimpíada, Lars afirma que os competidores tiveram que lidar com condições variáveis de vento. Isso significa dizer que para o velejador chegar à final, ele precisa ser bom de vento fraco, médio e forte. Ele aponta que uma das vantagens é que o clima quente de julho, em Tóquio, favorece os brasileiros.

Foto: Reprodução Instagram

Preparo pré olímpico

Martine e Kahena foram as vencedoras da pré-olímpica de Tóquio, em 2020. Lars afirma que o Brasil ofereceu a maior estrutura possível de adaptação e conhecimento à raia de Enoshima, com a participação dos eventos testes, com base permanente dos barcos no local.

Expectativas

É difícil cravar um resultado, mas as chances do bicampeonato da Martine e Kahena existem e são reais. Lars afirma que as quatro primeiro colocadas possuem um certo nível de equivalência.

– No caso da modalidade 49erFX, as quatro equipes que estão com uma certa equivalência, indo para esse último dia de classificatórias, são quatro equipes cotadas. Naturalmente, a dupla Martine e Kahena, por serem atuais campeãs olímpicas, carregam um favoritismo um pouco maior – conclui.

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