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Martine e Kahena chegam a Niterói e desfilam pela orla em carreata

Bicampeãs olímpicas desembarcaram no Brasil nesta sexta-feira depois de feito histórico em Tóquio
Martine e Kahena desfilaram em carro dos Bombeiros. Foto- Amanda Ares
Martine e Kahena desfilaram em carro dos Bombeiros. Foto: Amanda Ares

As meninas de ouro do Brasil chegaram a Niterói. Passava das 16h, quando Martine Grael e Kahena Kunze desfilaram pela cidade em carro aberto, numa carreata que percorreu a orla da Zona Sul da cidade, chegando até o Rio Yatch Club, em São Francisco. No caminho, receberam o carinho dos moradores, que, das janelas dos prédios e das calçadas, acenavam para o carro dos Bombeiros.

A vitória da dupla brasileira contagiou Niterói. O vendedor de coco Ronaldo da Silva, de 52 anos, que trabalha em frente ao MAC, fez questão de levar a filha, Julia, de 4 anos, para ver as atletas medalhistas nesta sexta-feira. Diz que assistiu à final da vela e acompanha os esportes femininos com mais vontade que os masculinos:

— Eu sou vascaíno, e o time não está fazendo jus ao que ganha — brincou. — As mulheres dão um banho nos rapazes. Prefiro assistir ao feminino.

Ronaldo da Silva e a filha, Júlia. Foto: Amanda Ares

Quem também ficou à espera de Martine e Kahena foi a secretária aposentada Rosângela Lutterback, de 60 anos. Ela se declarou fã da dupla.

— Eu soube que elas passariam aqui porque meu filho trabalha na Prefeitura. Eu vim pra ver. Vi a vitória, achei emocionante. Amo Niterói. Vim pra cá nos anos 90 trabalhar e fiquei — relatou Rosângela enquanto aguardava as atletas na orla da Boa Viagem.

Depois de percorrer a orla da cidade, a carreata de Martine e Kahena parou no destino final, o Rio Yatch Club. No local, elas foram recepcionadas por um grupo de admiradores especiais: os alunos do Projeto Grael. O coordenador da organização, André Martins, relata que a trajetória da dupla brasileira tem impactado o trabalho e até o perfil de alunos. Atualmente, 40% dos alunos são meninas.

Alunos do Projeto Grael na recepção a Martine e Kahena. Foto: Livia Figueiredo

— A cidade de Niterói já tem mais medalhas do que a Argentina. É um celeiro de campeões, principalmente a família Grael. Sempre inspirou os jovens da cidade, mas depois do início da carreira da Martine e da Kahena, inspirou muito mais. A gente tem uma procura ainda maior no Projeto Grael, especialmente das meninas. Elas, que eram minoria no projeto, agora são 40% dos nossos alunos.

Atletas acenavam de volta para as pessoas na rua.
Fotos: Amanda Ares

Relembre a trajetória da dupla em Tóquio

O bicampeonato em Tóquio foi conquistado na madrugada da última terça-feira (2), depois de um adiamento por falta de vento na baía de Enoshima. A dupla ficou em terceiro na medal race (regata das medalhas), alcançando o primeiro lugar na classificação geral, com apenas 76 pontos perdidos, sete a menos que a dupla alemã, que levou a medalha de prata.

Martine e Kahena já haviam conquistado o primeiro ouro na Rio 2016. Também têm duas pratas nos Mundiais de 2017 e 2019 e conquistaram um quarto lugar em 2018. A dupla venceu, inclusive, o evento teste de Tóquio, em 2020. Com essa conquista, Martine iguala o pai, Torben Grael, com o 2º ouro e marca a história da vela com o primeiro bicampeonato seguido.

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