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Livraria da Travessa cria seção dedicada a autores de Niterói

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
O espaço é ocupado por obras de escritores independentes da cidade
Travessa
O “cantinho” de Niterói da Livraria Travessa, em Icaraí. Foto: Amanda Ares

Em “O Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa, há uma passagem em que ele diz: “Minha pátria é a língua portuguesa (…) Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida”. Sentimento similar ao do poeta português vivenciam aqueles que se deparam com o “cantinho de Niterói” na Livraria da Travessa, em Icaraí. Uma identificação imediata, uma sensação de pertencimento, um microcosmo das histórias escondidas e carimbadas em um livro. Afinal, trata-se de um legado de autores que pensam a cidade e se inspiram nela para contar suas histórias. Um olhar de quem nasceu na cidade e aqui ainda vive – ou de quem retorna de passagem, para um reencontro -, que beira ao aconchego, como bem define a gerente da livraria, Teresa Cancela.

Foto: Amanda Ares

– A ideia foi abraçar Niterói, acolhendo os autores independentes que, como o próprio nome já anuncia, precisam de um suporte. Foi um carinho, uma maneira de prestigiar. Nós estudamos onde ficaria legal abrigar esse espaço na livraria. É muito interessante o retorno, um vai falando para o outro, é um boca a boca – ressalta.

Inaugurado em outubro, o espaço vai ganhando forma com o tempo, se entrelaçando com as vocações da cidade, da livraria de bairro, que resiste mesmo com o império do e-commerce. O espaço, originalmente, era dedicado a itens da papelaria e objetos decorativos, como calendário, pôsters, bloquinhos e marcadores de texto. A necessidade de criar uma área com foco em Niterói, segundo Teresa, partiu de forma orgânica. O dinamismo evidencia sua proposta: a de levar mais autores a mais pessoas em uma janela temporal mais curta. Isso porque, geralmente, são, no máximo, cinco exemplares de cada autor em destaque para justamente incentivar a maior rotatividade de títulos.

Foto: Amanda Ares

Com a chegada de uma filial em Niterói, muito motivada pelos clientes que frequentemente pediam aos livreiros e funcionários de outras unidades da rede uma inauguração na cidade, a relação ganha novas camadas e horizontes, com a possibilidade da expansão da seção.

– Faz parte do “jeito Travessa”, de valorizar autores independentes em todas as unidades da livraria. Estamos empenhados em promover os autores e oferecer visibilidade dentro do espaço – completa Eva Kaufman, representante da área da Marketing da livraria.

Segundo ela, pequenos episódios nos últimos meses demonstram o entusiasmo do público e dos próprios autores das obras. Uma escritora, nascida e criada em Niterói, casada com um italiano, não soube mensurar a felicidade ao se deparar com o seu livro na seção “Autores de Niterói”. Cinco exemplares de um livro sobre psiquiatria foram colocados no espaço, mas não resistiram por muito tempo. Livros infantis também têm conquistado cada vez mais os olhares dos pequenos, que não se satisfazem com a área da livraria totalmente dedicada a eles.

O local escolhido, próximo ao caixa, foi estrategicamente pensado. A ideia é que o cliente seja capturado durante o seu tempo de espera na fila. Os livros, ao alcance dos olhos, despertam a curiosidade do leitor que estaria absorvido pelo tempo ocioso, como foi o caso da Caroline Hoffman, 33 anos, que foi fisgada por um livro de Bruno Drummond, cartunista nascido e criado em Niterói.

– Conheço o Bruno desde pequena. Tenho lembranças dos tempos em que ia correndo atrás das revistas com minha mãe para ler suas tirinhas. Fazia tempo que não lia. Depois que a gente cresce, entende a crítica, mas sempre gostei do estilo do desenho – conta.

Foto: Amanda Ares

Apesar de oferecer um espaço totalmente dedicado a autores de Niterói, há diversos outros títulos de autores, também da cidade, em outros cantos da livraria. Livros de contos, biografias, ficção, romances, almanaques, infanto-juvenil e mais tudo que couber. Afinal, como diria o poeta português: “Ler é sonhar pela mão de outrem”.

 

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