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Lagoa de Itaipu pede socorro: grupo faz apelo pela recuperação do canal

Desobstrução do canal para melhorar a oxigenação da água no local e preservação da fauna e flora natural são algumas das reivindicações
Lagoa de Itaipu : Foto- Reprodução: Redes Sociais
Lagoa de Itaipu / Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A Lagoa de Itaipu pede socorro. Moradores e membros do Conselho Comunitário da Região Oceânica criaram uma mobilização em redes sociais para chamar a atenção da Prefeitura sobre a urgência do desassoreamento do canal. Eles estão preocupados com qualidade da água para preservação do ecossistema local, já ameaçado pelo despejo de esgoto e pela dragagem. No último domingo, um grupo se reuniu na beira da lagoa, carregando pás e enxadas para limpar o local, num ato simbólico, uma vez que o trabalho exige maquinário pesado. Eles também portavam faixas e cartazes com mensagens como “Lagoa sem Esgoto” e “Os pescadores pedem socorro”.

O grupo presente no local pedia também pela manutenção dos enrocamentos de pedras que estão na praia, para não acumular areia no local, proveniente de Itaipu e Camboinhas. Segundo os manifestantes, o mau uso desses mecanismos seria o responsável pelo assoreamento do canal. Outro pedido é pela dragagem para retirada da areia. Ainda de acordo com os manifestantes, a Prefeitura já realizou estudos para a manutenção dos enrocamentos, ou seja, o revestimento de pedras e a construção de barragens, mas não deu sequência ao processo.

O que acontece é que quando a lagoa não consegue realizar a troca de água, ela tem uma grande chance de “ferver”, ou seja, a água sem nutrientes fica cheia da poluição do esgoto e, sem oxigenação, a vida marinha começa a se dizimar.

– Solicitamos à prefeitura que mande um trator para fazer a reabertura do canal. Se não haverá uma grande mortandade de peixe, e sem falar do mau cheiro pois a Lagoa de Itaipu recebe muito esgoto da Região Oceânica. Solicitamos a reabertura do canal para oxigenação da lagoa – afirmou o pescador artesanal, Raphael Martins.

Lagoa de Itaipu / Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Ao A Seguir: Niterói, o vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Niterói, Daniel Marques (DEM), conta que em janeiro deste ano encaminhou um ofício à Prefeitura solicitando o imediato retorno do desassoreamento do Canal de Itaipu para restabelecer a ligação do mar com a Lagoa, mas não obteve retorno.

Dois meses depois, em março, Marques convocou uma reunião com os técnicos do escritório de Gestão de Projetos, Dionê Marinho Castro, para analisar os estudos do sistema lagunar de Niterói. Na reunião, foi identificado que existem 13 cenários passíveis de intervenção. Alguns preveem ações mais específicas no Canal de Itaipu, como é o caso da dragagem com a ampliação dos molhes de pedras.

– Chegou a hora de a Prefeitura ouvir quem são os impactados: os pescadores, o turismo, os moradores que frequentam por lazer, a galera do esporte, as pessoas que têm comércio no entorno da Lagoa. E entender o que essa intervenção vai provocar e apresentar isso para a população, para fazer uma opção e dar início às intervenções. O que não dá mais é para a gente viver recuperando estudo e não efetuar nenhum tipo de ação prática. É preciso investir nisso – ressaltou.

O que diz a prefeitura

A Coordenação do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável) informou que já foi concluído o termo de referência para o lançamento do edital de licitação do projeto executivo para as obras de desassoreamento do canal da Lagoa de Itaipu. O trabalho inclui tanto o trecho retilíneo quanto a porção sinuosa.

O edital prevê a elaboração de projeto para a recuperação dos enrocamentos, o que evitará novo assoreamento. A Prefeitura ressalta que, assim que o projeto executivo for concluído, será feita a licitação para a realização da obra e destaca que o termo de referência foi elaborado pela equipe do PRO Sustentável em conjunto com técnicos e pesquisadores integrantes do Comitê das Lagoas de Itaipu e Piratininga.

Segundo a Prefeitura, há 12 meses, foi executado um serviço emergencial de abertura do canal. A última forte ressaca jogou muita água para dentro da lagoa, mas também muita areia, e “cabe observar que na manhã deste domingo o canal estava aberto”.

A Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade reforça que irá de forma complementar, e tendo em vista a atuação do Inea em seu caráter fiscalizador, notificar a Águas de Niterói para que apresente os resultados das análises dos efluentes entregues ao Inea. O órgão enviará, ainda, ofício ao Inea para que apresente os resultados dos estudos.

Lagoa de Piratininga também sofre com mortandade de peixes

A renovação das lagoas da Região Oceânica é fundamental para o equilíbrio da vida aquática, evitando a mortandade de peixes e crustáceos. Isto porque todos os rios que desaguam nas lagoas de Niterói derramam nelas esgoto in natura, despejado por ocupações irregulares em suas margens. A Lagoa de Piratininga também tem sofrido pelo mesmo problema. Segundo reportagem publicada pelo A Seguir: Niterói, na semana passada, foi encontrado, no local, uma enorme quantidade de peixes morta.

De acordo com o professor da UFF e Coordenador da Rede UFF de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e oceonógrafo da Uerj, Júlio Wasserman, foram feitos poucos estudos a fim de se entender os processos que promovem a mortandade de peixe. Antigamente, as mortandades eram causadas pela anoxia, provocado pelo vento sudoeste com revolvimento do lodo. Hoje, com a construção do túnel do Tibau, pode ser uma conjunção de fatores. Para resolver o problema, são necessários estudos de longo prazo, com recursos mais contínuos.

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