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Jovens falam do alívio após 1ª dose: ‘Um pequeno suspiro de esperança’

Moradores de Niterói na faixa etária dos 20 anos recordam o dia da vacinação e lembram da importância da 2ª dose por maior proteção
A engenheira ambiental Letícia Catharino é vacinada contra Covid. Foto- Arquivo Pessoal
A engenheira ambiental Letícia Catharino é vacinada contra Covid. Foto: Arquivo Pessoal

“Quando estava tomando a vacina, um filme passou pela minha cabeça. É um momento aguardado por todo mundo. Tem muita gente postando em rede social os registros, com o maior orgulho. Eu estava muito ansioso para tomar. Foi um período de muita privação”. O depoimento é do estudante de Direito da UFF, Igor Raposo, mas muitos jovens da faixa etária de 20 anos vão se identificar. Igor tomou a primeira dose nesta semana. Ele tomou aquela vacina que poderia ter sido adquirida lá atrás, dos e-mails recusados.

– Eu tomei a Pfizer, o que dá certa revolta porque é uma vacina que a gente deveria ter tomado há muito tempo. É mais um passo para ter um pouco mais de liberdade para encontrar com as pessoas. Foi uma rotina de privação. A pandemia é isso. Eu estou fazendo atividades ao ar livre e encontrando os amigos mais próximos, com todo o cuidado. Mas ainda falta a segunda dose. É importante completar a imunização para a vacina ter o máximo de eficácia possível – destacou.

Não é tempo de relaxar e, com isso em mente, Igor seguirá mantendo todos os cuidados até o dia da segunda dose, marcado para o início de novembro. Quando pensa que ainda faltam quase três meses, Igor diz que se preocupa, pois sabe da importância da segunda dose para uma imunização mais adequada, especialmente com o surgimento de novas variantes mais agressivas, como a Delta.

– Fico preocupado com esse atraso da distribuição das remessas pelo Ministério da Saúde. Quando você toma a primeira dose vem aquela ansiedade de estar imunizado logo de uma vez – explica.

A espera também foi longa para Laís Mendes, 25 anos, que foi tomar a primeira dose contra a Covid no dia 3 de junho, em Niterói. Naquela semana, profissionais de educação de instituições privadas estavam sendo vacinados devido à grande exposição enfrentada em sala de aula.

Psicóloga por formação e professora de uma escola bilíngue no Ingá, Laís se enquadrava duplamente no grupo de prioridade do Plano Nacional de Imunização. E, como se não pudesse ser mais simbólico, ela foi tomar a vacina na mesma semana que o pai, de 59 anos. Ela diz que, quando recebeu a primeira dose, o alívio foi tanto que sentiu vontade de chorar.

A psicóloga Laís Mendes no dia de sua primeira dose / Foto: Arquivo Pessoal

– Tomar a vacina me deu tranquilidade e alívio porque eu estava trabalhando presencialmente. Por conta da segunda onda, as minhas aulas foram suspensas e, apesar de a escola ter voltado ao funcionamento normal, o meu departamento não tinha previsão de retorno para o presencial. Mas a cada semana que essa volta era adiada, eu ficava um pouco aliviada por conta da exposição que é trabalhar dentro de sala, mesmo com todos os cuidados previstos, como máscaras adequadas, limpeza dos ambientes e higienização das mãos – ressaltou.

Ela recorda que duas semanas antes de tomar a vacina, estava bem desesperançosa. A espera era tanta que já tinha aceitado o fato de que sua vez demoraria a chegar. A aflição não era só com ela, mas também com o seu pai que deveria ter tomado a primeira dose contra Covid no início de maio. Por conta da falta de vacinas, devido ao atraso de entrega da remessa pelo Ministério da Saúde, ele só pode tomar no início de junho. Laís não se conforma até hoje com a postura do governo ao longo da pandemia e fala da quantidade de mortes que poderia ter sido evitada, com uma boa gestão, compra de vacina, crença na ciência e estímulo à vacinação:

– Eu penso no quanto essa demora é um luxo que não tínhamos e ainda não temos. Ver proporcionalmente o quão pouco o Brasil vacinou e quanto o número de mortes já diminuiu é extremamente frustrante. Eu só penso em quantas pessoas ainda estariam aqui se tivéssemos começado antes e se o Bolsonaro não tivesse focado em propaganda de tratamentos precoces e em medicamentos sem nenhuma eficácia comprovada. Ver a falta de comprometimento com a saúde pública e o descaso com a população no momento de uma crise sanitária sem precedentes, só mostra o quão vergonhosa é a gestão do nosso país. Pensar nisso me dá tristeza em ser brasileira – desabafou.

A engenheira ambiental Letícia Catharino, também de 25 anos, define a primeira dose como um “pequeno suspiro de esperança”, o começo de um ciclo que se inicia. Enquanto isso, ela segue de trabalho remoto até ser seguro e viável o retorno ao modelo presencial.

– Foi um alívio, mas sei que mesmo tomando a segunda dose não vou estar completamente imune ao vírus e, sim, vou estar prevenida da forma mais grave da Covid. Mas isso para mim já é uma tranquilidade muito grande. É sinal de que a gente já vai conseguir conviver com essa doença nova. Antes da vacina, isso não era possível. Teve muita gente que não teve a sorte que a gente está tendo de poder ser vacinado – afirmou.

Niterói vacina moradores acima de 18 anos, pela previsão da Prefeitura, até o fim de agosto. Até o momento, a cidade vacinou com a primeira dose 75% da população total estimada em 513 mil habitantes, um resultado acima da cobertura recomendável. Mas uma dose só não basta. Em torno de 192 mil moradores receberam as duas doses ou a dose única da Janssen, o que representa 47% do público-alvo e 37% da população total.

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