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Hospitais de Niterói reduzem leitos para Covid, mas alertam: pandemia não acabou

Rede particular se preocupa agora com o atendimento a doenças crônicas e graves que ficou “represado” pela epidemia
Leandro Lopes. Foto- Divulgação
Leandro Lopes. Foto: Divulgação

Um novo momento no quadro da pandemia da Covid, que vivemos desde março de 2020. Esta é a avaliação dos dirigentes dos hospitais particulares de Niterói, no momento que a vacinação começa a derrubar as internações e casos graves da doenças e a taxa de ocupação dos leito e UTIs reservados para a doença não passa de 27%. Os hospitais começam a reduzir as áreas destinadas à Covid e se preocupam com o atraso nas consultas, procedimentos e tratamento de doenças crônicas e graves.

O A Seguir: Niterói conversou com o vice-presidente do SINDHLESTE, que reúne os hospitais particulares da cidade, o médico radiologista Leandro Lopes, sócio do Centro de Imagem Icaraí. Para ele, Niterói mostrou que está bem equipada na área de Saúde e recebeu moradores de outras cidades. Apesar da queda do numero de doentes de Covid, Lopes alerta que a doença não acabou e a população não pode se descuidar.

A Seguir: Niterói: Os hospitais apresentam uma das menores taxas de ocupação, desde a primeira onda da doença. Esse resultado pode ser atribuído à campanha de vacinação?

LEANDRO LOPES, VICE-PRESIDENTE DO SINDLESTE: É bem provável que seja atribuído à campanha de vacinação pois tivemos uma queda importante no número de internações, principalmente no caso de pacientes graves. Mas temos visto, ainda que seja algo recente, que a duração de proteção pela vacina não é um período tão longo. Existem casos de pacientes, dentro da população de idosos, que foram vacinados logo no início e que agora estão sendo internados com quadro grave mesmo com as duas doses da vacina. A vacina protege, mas ainda não sabemos o tempo de proteção.

Qual o perfil dos pacientes que são internados, atualmente?

– O perfil é de idade um pouco mais baixa do que do inicio da pandemia. Mas na grande maioria dos casos é a população de idosos.

Nos primeiros meses da pandemia, houve muitos profissionais de Saúde foram contaminados e alguns morreram. O risco diminuiu hoje?

– Sim, o risco diminuiu. Principalmente por conta das vacinas. Todos os profissionais de saúde foram vacinados prioritariamente. Atualmente aguardamos a aplicação da terceira dose para esses profissionais, o que seria muito importante pois eles continuam na linha de frente com os atendimentos.

Depois de quase um ano e meio de pandemia, quais as lições mais importantes que os hospitais tiraram desta situação de emergência?

– Sabemos que foram estabelecidos novos protocolos de pronagem, de intubação, por exemplo… Foi necessário fazer uma modificação rápida em diversos procedimentos. A área da Saúde na cidade de Niterói é dotada de ótimos hospitais, e isso ajudou muito na resolução dos processos. Foi preciso criar protocolos de atendimento, de isolamento, protocolos clínicos, intubação rápida,…Tudo muito novo e com uma demanda urgente. Os hospitais conseguiram se organizar muito bem. A rede de Saúde da cidade de Niterói – tanto no segmento privado quanto no público – conseguiu dar uma resposta muito boa na adaptação de novos mecanismos para o combate ao vírus.

Qual foi o pior momento da pandemia?

– Tivemos dois grande momentos difíceis. O primeiro, no inicio da pandemia. Talvez por ser algo novo naquela ocasião, a pandemia chegando ao Brasil, precisávamos entender como ela ia chegar e como estaríamos nos preparando. Por ser uma coisa nova, não existia um tratamento estabelecido, o desfecho era desfavorável, pacientes jovens morrendo, a falta de insumos, principalmente os EPIs, algo que nenhum hospital deixou de comprar mas os valores aumentaram absurdamente. O segundo momento foi a chegada da “segunda onda”. Tínhamos falta de insumos para intubação, um momento muito complicado. Os pacientes internados e o risco de acabar os insumos de sedação e intubacão. Os desafios eram enormes.

– O sistema hospitalar de Niterói passou pelo teste?

– Sem dúvida alguma, o sistema hospitalar da cidade de Niterói teve êxito no combate ao covid-19. Desde o início, o SINDHLESTE participou ativamente da pandemia. Foi montado um gabinete de crise com a Prefeitura, onde o tempo todo dialogávamos conjuntamente na esfera público x privado, sempre de forma colaborativa, envolvendo o poder público e os diretores de hospitais associados ao SINDHLESTE, buscando diariamente as soluções para os problemas que encontrávamos. Sem dúvida alguma, essa convergência de forças ajudou toda a rede hospitalar superar os desafios de forma exitosa. Nos tornarmos referência para pacientes de municípios vizinhos que vinham para Niterói buscar tratamento. E ainda assim, nenhum morador da cidade ficou sem atendimento na rede privada.

A Prefeitura chegou a informar que 40% das internações eram de doentes de cidades vizinhas… Niterói tem vocação e capacidade para ser uma referência no atendimento médico hospitalar?

– A cidade de Niterói representa o maior polo de saúde que temos hoje na região do Leste Fluminense. Atendemos um grande quantitativo de pacientes que saem de outros municípios em busca de tratamento em nossos hospitais. Nossa rede privada de Saúde possui ambiente hospitalar, clínicas de diagnóstico por imagens, ambiente ambulatorial, laboratório e todos os procedimentos médicos necessários. Isso nos torna referência na região.

Nos últimos anos o investimento na rede privada na cidade cresceu muito. Há novos projetos a vista?

– Cada hospital planeja e desenvolve seus projetos. Temos sempre a entrada de grandes empresas na cidade na aquisição de novas operações, inovação tecnológica em equipamentos, novos procedimentos. Mas isso é um plano de cada instituição e acontece com frequência. A sociedade, o morador da cidade e dos municípios vizinhos serão sempre beneficiados.

Muitos pacientes que tiveram Covid tiveram complicações depois de superar a fase mais crítica da doença. Quais são as situações mais frequentes, e como fazer frente a elas?

– O Covid é uma doença muito recente. Ainda não sabemos como vai funcionar no futuro A pandemia ainda não completou dois anos, portanto, não temos uma avaliação de longo prazo. Mas, a curto prazo temos algumas sequelas, seja de ordem pulmonar, neurológica e em alguns casos, cardíacas.

Como será daqui para a frente? É possível pensar em desmontar a reserva de leitos para Covid ou ainda será preciso conviver com este risco por mais tempo?

– Não há como ficar com uma estrutura montada na rede privada para atender o mesmo quantitativo que atendíamos nos picos da pandemia, pois não temos hoje a mesma demanda. Mas as estruturas são convertidas para pacientes que não foram atendidos durante a pandemia, que possuem outros diagnósticos. Dessa forma, transformamos os leitos Covid para leito não Covid. Ainda não sabemos se teremos novas variantes, novas “ondas”. A erradicação da doença não vai acontecer de forma tão breve. Se for preciso criar novos leitos Covid, os hospitais estão preparados para isso. Teremos vacinações anuais, os contágios irão diminuir mas ainda conviveremos com a doença.

Com todo apreendizado depois de um ano e meio de pandemia, e com a perspectiva de retomada das atividades, qual a recomendação que se pode dar aos moradores quanto aos cuidados em relação à doença?

– A pandemia ainda não acabou. O objetivo é que consigamos reduzir a infecção, as internações, principalmente dos pacientes graves, e a vida vai voltar ao normal. Não será possível prolongar por muito tempo o isolamento e o distanciamento social, mas as pessoas vão manter as recomendações com relação à sua higienização, em algum momento reduziremos o uso de mascaras em ambiente aberto. A população deve seguir as recomendações dos órgãos e autoridades de saúde. E manter os protocolos já adotados, além da vacinação

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