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Geógrafos da UFF criticam obras em execução na praia de Camboinhas

Por Sônia Apolinário
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Em nota, integrantes do Laboratório de Geografia Física da universidade afirmaram que a construção do muro contra ressacas é uma “decisão equivocada”
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O muro formará um paredão de 270 m em uma orla tem cerca de 1.500 metros. Foto: Reprodução rede social LAGEF – UFF

Uma “decisão equivocada”. Assim, integrantes do Laboratório de Geografia Física da Universidade Federal Fluminense (LAGEF – UFF) definiram a orientação da Prefeitura de Niterói em relação à gestão de orla marítima da cidade. Os profissionais se referem, especificamente, às obras na praia de Camboinhas onde está sendo construído um muro de 270 metros, que tem como objetivo se tornar um paredão contra ressacas.

Em nota, os profissionais afirmaram que as obras “afetam diretamente a paisagem costeira da Praia de Camboinhas” e mais:

“Essa obra não leva em consideração e desconhece concepções relacionadas às soluções baseadas na natureza que reforçam a necessidade de restauração dos ecossistemas para que desempenhem seu papel de proteção à sociedade, otimizando danos à infraestrutura e provendo serviços ambientais fundamentais para biodiversidade”.

A nota segue afirmando ser “lamentável que uma cidade que tem uma Secretaria do Clima, em que o direcionamento das políticas sejam balizadas pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), tenha tomado a decisão de destruir uma das mais belas praias da cidade, com obras rígidas que atualmente são desaconselhadas em todo o mundo”.

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A Prefeitura anunciou o trabalho de recuperação da orla de Camboinhas como “obra emergencial”. A Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento, a Emusa, é responsável pelas melhorias no local, que têm como objetivo proteger o calçadão e os quiosques dos impactos de ressacas.

O investimento é de R$10,6 milhões e não cobre toda a orla, apenas o trecho mais atingido, recentemente, pelas fortes ondas, na parte esquerda da praia, onde há três quiosques, numa extensão de 270 metros. O calçadão todo tem cerca de 1.500 metros.

Na semana passada, banhistas observaram que o muro em construção estava inclinado.

A nota do LAGEF – UFF termina com um apelo direcionado ao prefeito de Niterói:

“Pare a obra de Camboinhas. Ainda há tempo”.

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