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Exposição reúne flores fotografadas em um mamógrafo

Por Sônia Apolinário
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Objetivo é chamar a atenção para a importância da identificação dos primeiros sinais que permitem a descoberta do câncer de mama
exposição flor 1
Reprodução

Para chamar a atenção da importância da identificação dos primeiros sinais que permitem a descoberta do câncer de mama, a médica radiologista Fátima Marchi reuniu flores que ela mesma fotografou, com um mamógrafo, na exposição “Flor Essência”. A mostra será aberta ao público na sexta-feira (29), no Centro Cultural Correios, no Centro do Rio – em julho, chega no de Niterói.

São 15 flores que representam pessoas que enfrentaram a doença e se curaram – 14 mulheres e um homem, que teve um carcinoma na mama esquerda.  Cada imagem é acompanhada de um depoimento de quem, um dia, foi um paciente.

“Com a exposição, também pretendo  atenuar a sensação de desconforto da mamografia com a mensagem subliminar que, se não machuca uma flor, não machucará você. Essa é uma das formas de alerta para a necessidade do diagnóstico precoce, responsável por até 90% de cura dos casos de câncer de mama”, diz a médica que, há 15 anos, também enfrentou e venceu a doença.

Uma flor

Uma das 15 flores é a jornalista niteroiense Jeline Rocha. Em junho do ano passado, ela sentiu uma dor no peito e percebeu um caroço em um dos seios. Ao apalpar a mama esquerda, o bico do peito retraiu.

“Eu nunca tinha ouvido falar que retração do bico era sinal de malignidade. O fato é que estávamos na pandemia, mesmo assim, consegui marcar uma consulta médica, que confirmou a suspeita do câncer de mama. A partir daí, foi uma correria, uma verdadeira maratona de exames para fazer a cirurgia”, conta.

Cinco semanas após descobrir a doença, ela se operou e retirou o bico e auréola do seio esquerdo. Depois, enfrentou o que considerou a pior fase: a quimioterapia. Até então, ela estava “enfrentado de peito aberto” a situação.

“Sempre pensei que, diante da doença, não adianta chorar e desesperar. É enfrentar, ter fé em Deus e pé na taboa. Porém, na fase da quimioterapia, baqueei. Menos por saber que perderia o cabelo e mais pelo mal estar que viria pela frente”, explicou.

Náusea, fraqueza, boca seca, unhas pretas, inchaço, perda de cabelo, dos cílios e sobrancelhas é o que se enfrenta na fase da quimioterapia. O tratamento, segundo Jeline, foi recomendado como prevenção para evitar a volta do câncer.

Passada essa fase, era chegada a hora do tratamento final, a radioterapia, quando não se pode pegar sol de forma alguma.

Aos 61 anos, Jeline está curada da doença. Esquecê-la, porém, será impossível:

“Fiz centenas de exames, tomei e ainda tomo muitos remédios. Nesse período, chorei muito não por mim, que tive condições de fazer tudo isso com todo apoio da minha família. Fiquei pensando nas pessoas que não podem enfrentar um câncer com a mesma estrutura. O câncer me cansou, me fez parar e olhar para as coisas da minha vida. Eu sempre priorizei trabalho e família e não a mim. A doença me abriu os olhos para um monte de coisas, principalmente, que precisamos nos amar. Eu não falava não para ninguém e engolia todos os sapos. Outra coisa. Quando ficamos doentes, descobrimos várias pessoas que passaram ou estão passando pela doença, mas sentem vergonha de falar sobre o assunto. Ainda existe muito preconceito e medo de se falar o nome da doença. É câncer. E pode ter cura, sim”.

Serviço

Exposição Flor Essência

Local: Centro Cultural Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro do Rio

Dias: De 29 de abril a 4 de junho

Visitação: de terça a sábado, das 12h às 19h

Entrada: grátis

 

 

 

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