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Estelionato, roubos e furtos, o aumento de até 500% dos crimes em Niterói

Por Gustavo Goulart
| aseguirniteroi@gmail.com
Instituto da Segurança Pública mostra a situação nos bairros da cidade
Tiroteios em Niterói aumentam 53% em outubro na comparação com o mês anterior
Menos tiros e mais golpes na vida do morador de Niterói em 2022.

– Ligaram para casa de minha mãe, que tem 87 anos, e disseram que o cartão dela tinha sido clonado, que haviam feito uma compra, e a orientaram a ligar para o banco. Ela ligou e confirmaram que tinha sido roubado. O pior é que ela entregou os dois cartões dela, do Bradesco e do Itaú, para os dois caras que foram de moto até a casa dela. Aí, fizeram várias compras com os  dois cartões. Ela caiu no golpe do cartão – disse uma moradora da Rua Dona Emília, em São Francisco.

O caso ocorrido no ano passado reporta um crime que cresceu de forma vertiginosa em Niterói, comparando os dois primeiros meses deste ano com os de 2021: estelionato. Somente na região da 79a DP, que compreende os bairros de São Francisco, Charitas, Jurujuba, Cachoeiras, Maceió, Largo da Batalha, Ititioca, Badu, Sapê, Matapaca, Vila Progresso, Muriqui, Maria Paula e Cantagalo, o número de casos cresceu 540% no período. Foi de 15 em janeiro e fevereiro no ano passado para 96 em 2022; 48 apenas em fevereiro. Os dados são do Instituto de Segurança Pública, ISP.

A situação nos bairros

Já na área da 77a DP, que abrange os bairros de Icaraí, Santa Rosa, Vital Brasil, Pé Pequeno, Viradouro e Cubango, o número de registros em fevereiro deste ano saltou para 114, contra 68 no ano passado, o que significa 67,6% a mais. Em janeiro e fevereiro de 2022, o número de casos bateu 215 contra 125 ano  passado, representando 72% de crescimento.

Na região da 78a DP, compreendendo os bairros de Fonseca, Viçoso Jardim, Caramujo, Baledeador, Santa Bárbara, Tenente Jardim, Engenhoca, Santana e Barreto, o aumento foi da ordem de 100% nos dois primeiros meses dos dois anos. Subiu de 34 para 51 em fevereiro e de 57 para 114 em janeiro e fevereiro.

Ana Paula Miranda, professora de antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC) da instituição, associa o fenômeno ao crescimento dos golpes digitais.

– Sei que estelionato cresceu muito no estado todo e tem a ver com os golpes digitais e o trabalho remoto. Os roubos nas ruas não subiram já que não havia quem roubar – disse Ana Paula.

Na região da 81a DP, compreendendo os bairros de Itaipu, Camboinhas, Itacoatiara, Piratininga, Cafubá, Jacaré, Rio do Ouro, Engenho do Mato, Várzea das Moças e Jardim Imbuí, chegou a 222,2% nos dois primeiros meses do ano. Cresceu 44 para 145 em janeiro e fevereiro.

Furtos de bicicletas

Outra modalidade de crime que vem chamando a atenção, pelo menos na região da 77a DP, são os furtos de bicicletas em condomínios. O número de casos em janeiro e fevereiro cresceu de 15 para 27.

– Foi numa noite de novembro do ano passado quando entraram na garagem do prédio onde moro, numa travessa perpendicular à Rua Joaquim Távora, em Icaraí, e levaram minha bicicleta, que não era nova, mas era útil para mim. Nem fui na delegacia para registrar o furto, já que há alguns anos tive meu apartamento invadido por um ladrão, que roubou o notebook e o celular de minha filha e um policial me convenceu a não registrar o caso pois não daria em nada – contou um professor universitário de administração, demonstrando que  a subnotificação dos casos do crime é grande.

Um morador da Rua Erotides de Oliveira, no Jardim Icaraí, contou que há cerca de três meses as câmeras de segurança do prédio flagraram o furto da bicicleta do síndico na garagem.

– Uma mulher baixa e acima do peso normal pulou a grade do prédio à noite e de alguma forma conseguiu acessar a garagem. Saiu normalmente com a bicicleta e ninguém percebeu. Somente no dia seguinte que o síndico deu falta dele e fomos vasculhar as imagens. A mulher pulou a grade, puxou a bicicleta e foi embora – relatou.

Na região da 81a DP, o número  de furtos de bicicletas subiu de zero em janeiro e fevereiro do ano  passado para sete em 2022.

Menos tiros

A plataforma Fogo Cruzado fez um levantamento sobre os índices de criminalidade em Niterói e observou que houve redução em todos os casos de conflitos. O  número de mortos de janeiro a 12 de abril deste ano diminuiu 21%, baixando de 14 para 11. E o de feridos, 60%. passando de 15 no ano passado para seis em 2022. O número de homicídios caiu de 5 para três. E o de disparos de arma de fogo em operações policiais, de 29 para 17. Menos 41%. Mas o de mortos e feridos, embora tenha caído, continua expressivo. Foram mortas 10 pessoas em 2021 contra oito este ano, menos 20% E o dos feridos de 11 para seis em 2022.

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