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Dragagem do Canal de São Lourenço começa a sair do papel em Niterói

Por Redação
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Prefeitura anunciou assinatura do contrato com o Consórcio Fluminense, liderado pela DTA Engenharia, para realização da obra
canal de são lourenço 1

O prefeito Axel Grael e o secretário Executivo, Rodrigo Neves, assinaram, nesta segunda-feira (18),  o contrato para a execução da obra de dragagem do Canal de São Lourenço. De acordo com a Prefeitura, a intervenção começará em dezembro. Antes, será executado um projeto básico de engenharia, a cargo do Consórcio Fluminense, vencedor da licitação da obra.

O consórcio é formado pelas empresas DTA Engenharia Ltda e SK Infraestrutura Ltda. A obra terá investimento de cerca de R$ 138 milhões, por parte da Prefeitura de Niterói, com previsão de término em até 15 meses.

O desassoreamento do trecho da Baía de Guanabara será feito entre a Ilha da Conceição e a Ponte Rio-Niterói. O objetivo é aumentar de 7m para 11m a profundidade (calado)  do canal para permitir uma melhor função operacional dos estaleiros, o que, segundo a Prefeitura, vai representar um estímulo a novas construções de embarcações e a movimentação do setor de reparos e offshore.

De acordo com o prefeito Axel Grael, a obra de dragagem do Canal de São Lourenço vai ampliar o acesso da infraestrutura aquaviária ao Complexo Industrial e Portuário de Niterói , o que vai permitir revitalizar o segmento dentro o projeto Niterói 450 anos, voltado para Economia do Mar, “alavancando toda a produção dos setores e gerando cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos”:

– A dragagem  faz parte de um trabalho árduo que estamos tendo há muitos anos, que incluiu várias etapas, até chegarmos a essa fase dos projetos que serão executados pelo consórcio vencedor. Estamos falando de um dos maiores licenciamentos ambientais da história do estado. É uma intervenção  que vai alavancar a indústria naval e de pesca, gerando emprego e renda para nossa cidade e fazendo a economia girar em todos esses setores, projetando Niterói – afirmou Grael.

Para garantir a execução das obras, a Prefeitura de Niterói custeou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) com um investimento de R$ 772 mil. O estudo foi entregue ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e, após a análise para liberação das licenças, os resultados foram apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) aos órgãos competentes do Governo Federal.

Esse estudo, segundo a Prefeitura, também incluiu o uso e ocupação do solo urbano, os usos residenciais, comerciais de serviço, lazer industrial e público. O aspecto econômico, que inclui economia social e renda média da população no entorno também foi levado em consideração, assim como nível de empregabilidade, proporção da população economicamente ativa, número de habitantes por idade, etnia e sexo.

O secretário Executivo Rodrigo Neves lembrou que, em 1998, ainda como vereador, foi o responsável pela criação da Frente Parlamentar da Indústria Naval e do Setor Portuário, “com vários representantes que hoje participam dessa assinatura”.

– Os setores naval e offshore  sofreram muito. Passamos em 2000 por uma retomada do setor naval, com política de controle nacional, onde tivemos um grande salto na atividade e, nos últimos seis anos, o setor naval sofreu muito. Agora estamos organizando uma agenda com o Governo Federal, porque sabemos que a política da indústria naval tem muito a ver com políticas macroeconômicas e vamos sentar para conversar sobre o setor naval e offshore – afirmou Neves.

Após a conclusão da dragagem do Canal de São Lourenço, que será feita pela Prefeitura, a intenção é que o Terminal Pesqueiro de Niterói se torne um Entreposto de Pesca, aproveitando o espaço e infraestrutura já existente e que chegou a ser inaugurada há 10 anos pelo governo federal e nunca funcionou.

Pré dragagem

Antes de iniciar a dragagem, é necessário fazer a retirada de um material acumulado que não pode ser aproveitado. Para isso, serão instaladas geobags, em uma técnica que armazena e desidrata a retenção de sólidos ou lodo da água, sem devolvê-la ao mar.

Em outra etapa, a obra se concentrará na parte de trás dos estaleiros, onde já foi feita, há alguns anos, uma intervenção, mas não deste porte. Além disso, ainda de acordo com a Prefeitura, “será feito estudo geométrico e de sinalização náutica”.

– Somos um grupo brasileiro e essa é uma das maiores obras já realizadas por uma prefeitura no Brasil. Não é uma  dragagem convencional, pois são várias etapas, com retirada de sedimentos contaminados. Isso exigirá muita técnica. Será um grande desafio e tudo será feito com equipamentos especializados e utilizando mão-de-obra local – explicou João Acácio Gomes de Oliveira Neto, presidente da DTA Engenharia, empresa entre as maiores do segmento, que, dentre outros, realizou trabalhos em locais como Ilha Comprida e Balneário Camboriú.

Diretor do Porto de Niterói, Wilson Coutinho afirmou que, após a dragagem, a expectativa é aumentar “em até mais de 30% a médio prazo” as atracações e serviços no local:

– Nos últimos 15 anos já tivemos um aumento com duas mil atracações por anos após um período de estagnação na década de 70 e agora temos um fator exponencial de crescimento – afirmou.

O presidente do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Saperj), José Inácio Figueiredo do Couto, se mostrou otimista com  a união com o setor público.

– Vai ser muito bom termos essa estrutura que virá a reboque da dragagem, com estrutura sanitária, capacidade de desembarque. Vai ser um movimento importante para apoiar o setor, que sofreu um esvaziamento nos últimos anos. O governo deu continuidade e conseguimos chegar aqui – disse.

Maxuel José Monteiro da Costa, presidente dos pescadores do Estado do Rio de Janeiro, com cerca de três mil integrantes, acredita que a revitalização do canal pode ajudar o setor a “ressurgir das cinzas”.

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