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Dívidas de niteroienses chegam a quase R$ 1 bi, com queda na renda e inflação alta

Por Camila Araujo
| aseguirniteroi@gmail.com
Economista fala sobre o cenário do país e dá dicas para tentar sair do endividamento
dinheiro-dívida-endividamento-inadimplência. Foto: Camila Araujo
Valor médio das dívidas por pessoa foi de R$ 5.039,74 em dezembro de 2021. Foto: Camila Araujo

Está difícil fechar as contas no verde para mais de um terço da população de Niterói. Segundo a Serasa Experian, há cerca de 190 mil pessoas inadimplentes no município, devendo cada uma, em média, R$5 mil. O total das dívidas somou um montante de R$ 957.882,33, quase R$ 1 bilhão, em dezembro de 2021.

A desaceleração do mercado de trabalho provocada pela pandemia ao longo de todo o ano de 2021 teve um impacto negativo na renda das pessoas, segundo explica Gilberto Braga, especialista e professor em finanças do Ibmec e do Sebrae.

– As pessoas que conseguiram novos empregos ao longo do ano, na média, se empregaram ganhando menos, então isso faz com que a renda caia, de uma forma geral. E sempre que a renda diminui existe uma propensão ao endividamento, na medida que as pessoas que ficaram desempregadas ou estão ganhando menos tentam manter o seu padrão de vida.

Somado a isso, ele acrescenta, a inflação a dois dígitos ajudou a encarecer o custo de vida da maioria da população: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano de 2021 com 10,06%, a maior variação anual desde 2015.

– Há algum tempo o Brasil não tinha um IPCA acima de dois dígitos. Isso impacta o aumento dos preços, que tira o poder aquisitivo das famílias.

Em relação ao mês de novembro de 2021, o total das dívidas dos niteroienses, no entanto, diminuiu 2%. O que justifica a ligeira queda é o pagamento do 13º salário dos trabalhadores, conforme explica Braga, que é utilizado para quitar dívidas e, inclusive, para limpar o nome nas empresas de proteção ao crédito e fazer novos parcelamentos no Natal.

O que esperar em 2022

Com previsão de crescimento pequeno da economia brasileira, muito próximo de zero, a expectativa é de um ano difícil em termos de endividamento, segundo o economista. A inflação tende a cair a partir de meados do ano, mas em um primeiro momento, a taxa de juros poderá sofrer mais aumentos.

– Em termos de resultado, isso significa que fica mais difícil sair do endividamento, até porque com a economia fraca, a gente não gera tanto emprego.

Além das variantes do coronavírus, as eleições também são fator que coloca a economia do país em um cenário de falta de previsibilidade. A partir do segundo semestre, o Brasil deve entrar em campanha eleitoral, o que pode atrasar as decisões econômicas, na avaliação de Gilberto Braga.

– Embora as pesquisas apontem para uma certa polarização, não é possível determinar um candidato que é grandemente disparado (nas pesquisa) que se possa dizer que “já ganhou”, que provavelmente vai ser eleito, que tem um programa econômico que possa seduzir as empresas a investirem agora. Existe uma expectativa de uma definição mais clara do quadro político e de sua interferência na economia, e isso a gente chama de falta de previsibilidade. Quando você não tem uma previsão muito clara do que vai acontecer, a tendência é que as decisões sejam adiadas.

Para quitar as dívidas

Para a população, o professor de finanças recomenda cautela e bastante cuidado. Não é hora de fazer grandes aquisições, compras por impulso ou fora do orçamento e sem planejamento.

– O ideal é tentar renegociar as dívidas e concentrar tudo num único credor. Pegar um empréstimo maior em que a pessoa tenha a melhor condição, pagar todas as dívidas e a partir daí tentar administrar sua vida através de um orçamento familiar responsável e equilibrado – recomenda ele.

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