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De Gérson a Edmundo: os “crias” de Niterói que disputaram a Copa do Mundo

Por Gabriel Mansur
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Niterói teve 11 representantes em Copa do Mundo, sendo quatro campeões. Cidade está “fora” da lista desde 1998
Gerson Canhotinha de Ouro foi campeão em 1970. Foto: Reprodução/Youtube
Gerson Canhotinha de Ouro foi campeão em 1970. Foto: Reprodução/Youtube

O técnico Tite convocou, nesta segunda-feira, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, os 26 jogadores que vão em busca do hexacampeonato na Copa do Mundo do Catar, a partir do dia 20 de novembro. O Rio de Janeiro será representado por cinco jogadores, sendo quatro deles da capital (Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Pedro e Thiago Silva) e um de São Gonçalo (Vinícius Júnior).

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Niterói, segundo município do estado que mais cedeu atletas ao Brasil na história das Copas do Mundo, ficou sem representante pela sexta edição consecutiva. Ao longo das 21 edições já disputadas, a cidade teve 11 jogadores na seleção brasileira, sendo quatro campeões do mundo. Os últimos convocados foram o lateral Leonardo e o atacante Edmundo, ambos em 1998, na França.

1930: sem paulistas, Niterói vai em “peso”

Na primeira edição do torneio, em 1930, no Uruguai, Niterói foi representado por três jogadores: o zagueiro Oscarino, do extinto Ypiranga-RJ, e os atacantes Carvalho Leite, do Botafogo, e Manuelzinho, do extinto Goytacaz-RJ.

A grande quantidade de niteroienses – e cariocas – na primeira edição foi motivada por um racha entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), essencialmente carioca, e a Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea).

A CBD, atual CBF, não convidou membros da Apea para integrar a comissão técnica que iria ao Uruguai. Em retaliação, a Apea não permitiu que clubes de São Paulo liberassem jogadores para a Seleção. Apenas o atacante Araken Patuska conseguiu ir à Copa porque estava brigado com o seu time, o Santos.

  • Campeão: Uruguai

1934: rumo ao fascimo italiano

Em 1934, a Copa foi realizada na Itália governada pelo ditador fascista Benito Mussolini. Niterói foi representada por três atletas: o zagueiro Machado, da Portuguesa-SP, o atacante Roberto, do Flamengo, além de Carvalho Leite, que disputou duas edições.

  • Campeão: Itália

1958: o primeiro título mundial

A cidade só voltou a ser representada em 1958, na Suécia, 24 anos depois. Naquela altura, o zagueiro Orlando, do Vasco, então com 22 anos, foi o primeiro niteroiense a ser campeão do mundo. Aliás, o defensor foi titular em todas as seis partidas. É importante frisar que, por conta da segunda guerra mundial, a competição não foi realizada nos anos de 1942 e 1946.

  • Campeão: Brasil

1962 e 1966: do bicampeonato à queda na fase de grupos

O bicampeonato de 1962, no Chile, contou com a presença do lateral Altair, do Fluminense. Em 66, na primeira e até hoje única vez que o Brasil foi eliminado na fase de grupos, na Inglaterra, estavam presentes, além dos veteranos Altair e Orlando, que àquela altura defendia o Santos, o meia-campista Gérson, então com 25 anos e jogador do Botafogo.

  • Campeão 62: Brasil
  • Campeão 66: Inglaterra

1970: o tri pelos pés do Esquadrão

Gerson, o Canhotinha de Ouro, também defendeu o Brasil na Copa seguinte, em 1970, no México, ao longo de seus 29 anos, e foi um dos protagonistas daquele que é considerado um dos maiores times da história do futebol.

Além dele, podemos fazer uma menção honrosa ao atacante Roberto Miranda. Nascido em São Gonçalo, em 31 de julho de 1944, Miranda escolheu Niterói como casa, onde mora até hoje. Rápido e oportunista, o centroavante ganhou o apelido de “Vendaval” durante a carreira.

O Esquadrão, como é conhecido, venceu as seis partidas do torneio, incluindo uma goleada por 4 a 1 sobre a Itália na final. O ídolo do Fluminense, mas que na época atuava pelo São Paulo, marcou o segundo gol do Brasil na decisão – o único de um niteroiense em copas.

  • Campeão: Brasil

1974: de louco e maluco todo mundo tem um pouco

Em 1974, na Alemanha Ocidental, o representante foi o centroavante César Maluco, pentacampeão brasileiro pelo Palmeiras, clube que defendia na época. Reserva numa equipe que contava com o furacão da Copa de 70, Jairzinho, até hoje único a marcar gols em todas as partidas de uma única edição, e Dirceu, o artilheiro não chegou a entrar em campo.

Na carreira, entretanto, César marcou gols e arrumou confusões na mesma proporção. Aliou genialidade e intempestividade, fazendo amigos e críticos ferozes durante toda a sua carreira. Foi apelidado de “maluco” devido às comemorações de seus gols, nada convencionais para a época, pelo narrador esportivo Geraldo José de Almeida.

No mundial de 74, o centroavante honrou o apelido ao fazer uma brincadeira com a delegação do Zaire. Quando os jogadores africanos estavam descendo a escada rolante do estádio, o brasileiro apertou o botão que invertia o sentido, quase provocando um acidente no elenco africano. O Brasil venceu aquele jogo por 3 a 0.

  • Campeão: Alemanha Ocidental

1994: a cotovelada da Independência

Niterói voltou a ser representada 20 anos depois – ou após quatro copas – com o então lateral-esquerdo do São Paulo, Leonardo.

Titular absoluto naquele time de Carlos Alberto Parreira, o niteroiense atuou nas quatro primeiras partidas, inclusive na vitória por 1 a 0 sobre os anfitriões Estados Unidos nas oitavas de final, mas ficou de fora da reta final da campanha tetracampeã porque desferiu uma cotovelada no rosto do meia norte-americano Tab Ramos.

Após o lance, Leonardo foi expulso e deixou a seleção brasileira com 10 jogadores ainda aos 43 minutos do primeiro tempo – a partida, realizada em 4 de julho, dia da Independência norte-americana, estava empatada em 0 a 0. Com um a menos, Bebeto marcou o gol da vitória canarinha aos 29 minutos do segundo tempo.

E mais: pode-se dizer que a expulsão influenciou diretamente a caminhada do Brasil rumo ao tetra. Suspenso da competição, Leonardo foi substituído por Branco, que marcou o gol da vitória contra a Holanda, por 3 a 2, nas quartas de final. O Brasil ainda venceu a Suécia por 1 a 0, nas semifinais, e foi campeão sobre a Itália, nos pênaltis.

  • Campeão: Brasil

1998: o fair play inoportuno

Em 1998, na França, Leonardo voltou a ser convocado. Inclusive, foi titular em todos os sete jogos e estava em campo na derrota por 3 a 0 para a França na decisão. Não apenas ele, como o atacante Edmundo, então jogador da Fiorentina, da Itália.

Em grande momento, principalmente após o título brasileiro com direito a artilharia pelo Vasco em 1997, o Animal foi cotado para ser titular na decisão no lugar de Ronaldo, que teve uma convulsão na véspera. Nos últimos instantes antes da bola rolar, ele foi preterido pelo treinador Mário Jorge Lobo Zagallo, que optou por escalar o Fenômeno apesar das condições médicas.

Ainda assim, Edmundo entrou em campo aos 30 minutos do segundo tempo, no lugar do volante César Sampaio, quando os anfitriões já venciam por 2 a 0. O craque protagonizou uma cena lembrada até hoje ao bater boca com Rivaldo no meio de campo. Rivaldo chutou a bola para lateral, em gesto de fair play, após o francês Zidane simular uma contusão, na mais famosa cera. Edmundo, fulo da vida, gesticulou que o Brasil perdia por 2 a 0. No final da partida, chorou.

  • Campeão: França

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