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Ciclovia que liga Niterói a São Gonçalo motiva debates

Por Camila Araujo
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A faixa exclusiva para ciclistas ao longo da Avenida Professor João Brasil vai do Fonseca até a Venda da Cruz
JOão Brasil ciclovia
Imagem da Av. Professor João Brasil, vista do mapa; ao lado, a maquete da ciclovia divulgada pela Prefeitura. Foto: Google Maps e divulgação.

O projeto da Prefeitura de Niterói de criar uma ciclovia até São Gonçalo ainda está longe de sair do papel e já merece muitos comentários, especialmente diante do trânsito perigoso existente no percurso. O plano é criar 2,5 km de malha cicloviária ao longo de toda a Avenida Professor João Brasil, na Zona Norte da cidade. A rua liga os bairros do Fonseca e da Engenhoca e vai até a região da Venda da Cruz. A ideia é fazer uma conexão entre Niterói e São Gonçalo e futuramente com a ciclovia que também será feita na Alameda São Boaventura, no Fonseca.

O projeto foi criado pela Coordenadoria Niterói de Bicicleta, da Secretaria de Mobilidade e Urbanismo da cidade, com o apoio da Administração Regional da Engenhoca. O anúncio foi feito no dia 30 de março e nas redes sociais, dezenas de comentários expressaram dúvidas sobre a segurança dos ciclistas e a viabilidade do projeto.

Uma das preocupações mais citadas foi com o posicionamento da faixa ao lado de pontos de ônibus, o que pode tornar confuso e inseguro o trânsito de passageiros e ciclistas. Em resposta a um comentário que questiona a ciclovia em frente ao ponto de ônibus, a niteroiense Regilene Vilela cita o exemplo do Barreto.

– A [ciclovia] do Barreto é assim e não tem nenhum obstáculo para os carros entrarem na ciclovia, como tem na Amaral Peixoto. Para ônibus, uber, carro de passeio… tem até quem estacione – lembrou.

Outro exemplo foi dado por Vitor César, também morador de Niterói. Ele faz um apelo à Prefeitura para que coloque a ciclovia da João Brasil para o outro lado da pista e conta o exemplo da Avenida Roberto Silveira, uma das principais vias da cidade.

– Caraca, joguem a ciclovia para o outro lado! A ciclovia da Roberto Silveira quando inaugurou era do lado oposto do que é hoje e era péssima, hoje ela está num lugar que faz mais sentido – escreveu.

Outras pessoas questionaram a ausência de segregadores para demarcar o espaço destinado ao trânsito de bicicletas no desenho da Prefeitura que ilustra como ficará a ciclovia da Av. Professor João Brasil. Daniel Andrade foi um deles.

– A foto é de uma ciclovia faixa, pode ser invadida a qualquer momento por carros e motos. Vocês já sabem disso. E já sabem que a fiscalização não é suficiente. Por que não tem segregadores? – perguntou.

Há também quem tenha comemorado a proposta e reforçado a importância da fiscalização para manter a segurança de pedestres e ciclistas.

– Finalmente! Espero que tenha essa demarcação das vagas e fiscalização. Caso contrário, a ciclovia vai virar um estacionamento – celebrou Geraldo Guimarães, em um comentário.

Segundo a Prefeitura de Niterói, estão previstas a sinalização reforçada nos pontos de ônibus, nas travessias de pedestres e a demarcação e ordenamento das vagas ao longo da via, com o objetivo de promover uma malha cicloviária mais segura para a região. A Coordenadoria Niterói de Bicicleta informou que o trabalho também será feito em conjunto à equipe de fiscalização dos agentes de trânsito da cidade.

Conexão com São Gonçalo

Uma das promessas da Niterói de Bicicleta é que essa ciclovia seja a maior da Zona Norte de Niterói e que faça a interligação com o município de São Gonçalo, uma vez que chega até a região da Venda da Cruz. De lá em diante, não há muitas opções de faixas exclusivas, conforme explica o vereador Romario Regis (PCdoB)

– Existem três percursos que os ciclistas podem fazer em segurança. Um fica na pista de caminhada que sai do Paraíso até a Zé Garoto, a outra é no Colubandê e a outra no Catarina. Trechos pequenos e que não solidificam a cidade como uma cidade amigável para os ciclistas.

O vereador explicou que foram apresentadas propostas de ampliação dessa malha tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), quanto na Lei Orçamentária Anual (LOA), mas o Prefeito Capitão Nelson vetou.

– Vale lembrar que meu mandato e os colegas da oposição fizemos uma grande pressão para que essa ampliação fosse feita, o que deu visibilidade para que o projeto de Mobilidade Urbana Verde Integrada (MUVI) desse maior atenção para o tema – concluiu.

Helene Vieira, moradora de São Gonçalo, disse que pela limitação de faixas exclusivas no município, ainda prefere usar o ônibus para fazer o deslocamento até Niterói.

– Se vier até o Centro de São Gonçalo eu usarei superfeliz, mas como não vai né, fico de ônibus mesmo – afirmou a universitária.

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